Amigos pedem ajuda para custear despesas hospitalares do fotógrafo Ricardo Schmitt

Amigos pedem ajuda para custear despesas hospitalares do fotógrafo Ricardo Schmitt

Morando no Ceará há mais de 40 anos, o carioca Ricardo Schmitt é considerado um dos principais nomes da fotografia em Fortaleza das décadas de 1970 e 1980

Com mais de cinco décadas dedicadas à fotografia, Ricardo Schmitt, 76, ajudou a apresentar o Ceará ao mundo através das lentes da câmera. Sua trajetória foi marcada por registros da vida brasileira e da cultura urbana, mas hoje o artista vive uma realidade longe distante dos holofotes.

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Em entrevista ao O POVO, a amiga e locatária de Ricardo, Luciana Melo, conta que no dia 3 de junho o fotógrafo sofreu um acidente doméstico. Estava em casa quando tropeçou e, por conta da queda, fraturou o fêmur.

O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) foi acionado para atender a ocorrência e o encaminhou para o Hospital Distrital Edmilson Barros de Oliveira, conhecido como Frotinha da Messejana, em Fortaleza

Após o atendimento, Ricardo foi diagnosticado com fratura do colo do fêmur e passou 10 dias internado, realizando exames e aguardando o dia da cirurgia.

Há cerca de duas semanas, Ricardo foi internado no Instituto Doutor José Frota (IJF), também na Capital. O resultado dos exames indicou outras comorbidades, que estão sendo tratadas para que a cirurgia seja autorizada. A rotina no hospital inclui exames e fisioterapia diariamente.

Luciana conta ainda que, até o momento, não conseguiu entrar contato com os filhos, o irmão, ou outros familiares de Ricardo. "Pelas condições dele, não é possível que fique sozinho no hospital, tendo que ter um acompanhante em tempo integral. Eu sou apenas amiga, trabalho o dia inteiro e não consigo acompanhar integralmente. Tenho ido todos os dias para fazer companhia, atender algumas necessidades, estar a par do quadro dele", conta.

A situação demandou a contratação de acompanhantes e cuidadoras para promover os cuidados do fotógrafo. Luciana explica que, sem familiares por perto e com renda fixa limitada ao Benefício de Prestação Continuada (BPC), Ricardo depende da solidariedade de amigos e outros profissionais da cultura, que organizaram uma campanha de arrecadação, via Pix, para custear cuidados básicos enquanto ele aguarda um procedimento cirúrgico, ainda sem data marcada.

Além do pagamento das cuidadores, Luciana revela que o valor deve ajudar a cobrir os custos de fraldas geriátricas e de algumas medicações. Segundo a amiga, o fotógrafo "está sendo bem atendido no hospital, mas a vida tem sido bem difícil para ele". 

Apesar das dificuldades e do cansaço, Luciana ressalta que o fotógrafo segue agradecido a todos os amigos e aos funcionários do hospital. "Ele tomou conhecimento da campanha só depois que a iniciamos e ficou agradecido pela solidariedade. O sonho dele era voltar pra casa e conseguir que o acervo de fotografias dele fosse comprado por um museu", confessa. 

Carioca escolheu o Ceará como lar e ajudou a profissionalizar a fotografia no Estado

Ricardo Schmitt começou sua carreira profissional ainda em 1968, trabalhando no estúdio profissional de seu irmão, no Rio de Janeiro. Durante sua jornada, atuou em diversos segmentos, entre eles: moda, televisão, política e meio ambiente.

Em 1975, foi convidado para ir a Belém, no Pará, onde trabalhou dois anos na produção de materiais publicitários. Foi durante essa mesma época que o fotógrafo teve a chance de viajar duas vezes ao Ceará.

No estado nordestino, ficou responsável pela produção de fotos para uma agência em que trabalhava. Construiu vínculos e fortaleceu relações com grandes nomes da comunicação, entre eles: Rubens Frota, Nazareno Albuquerque e Fernando Maia. Esse grupo, mais tarde, tornou-se importante para o desenvolvimento de sua carreira profissional.

Nessa mesma época, em parceria com o fotógrafo Chico Albuquerque, que veio de São Paulo a Fortaleza com o intuito de dirigir o laboratório da ABAFILM e montar um estúdio fotográfico na capital cearense, ajudou a incluir o Ceará em publicações nacionais.

Não tardou para voltar. Dois anos depois, em 1977, escolheu o Ceará novamente como destino. Dessa vez, eternizou-se por aqui. Conheceu outros grandes nomes, que despontavam ou se consolidavam na fotografia local: Gentil Barreira, Celso Oliveira, Arnaldo Fontenele, Ed Viggiani, Nélson Bezerra, Maurício e José Albano. Juntos, tornaram-se a geração que marcou o cenário fotográfico fortalezense da década de 1980, ajudando a profissionalizar a fotografia no Ceará.

Confira algumas obras do fotógrafo:

Seu acervo, com mais de 200 mil imagens, pode ser lido como um patrimônio documental, com recortes que atravessam fatos históricos, retratam grandes nomes da política e da cultura nacional e representa o fazer jornalístico de uma época marcada por transformações profundas, como os períodos de seca e os rearranjos sociais no Nordeste.

 

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