Postos de saúde de Fortaleza adotam campanha de combate à poliomielite

Risco de reintrodução da poliomielite no Brasil acende alerta para prevenção e cuidados. A doença está erradicada no país desde 1994

Uma campanha da rede global de líderes comunitários Rotary International incentiva a vacinação contra a paralisia infantil em Fortaleza. A Semana de Combate à Pólio, uma parceria com a Secretaria Municipal de Saúde (SMS), vai até a próxima sexta-feira, 3. Todos os 116 postos de saúde da Capital participam da campanha.

Disponibilizadas pelo Sistema Único de Saúde (SUS), a vacina para bebês de 2, 4 e 6 meses têm o vírus inativado. As doses de reforço são administradas em gotas por via oral, entre os 15 e 18 meses e entre os 4 e 5 anos. Durante a campanha é possível realizar a renovação do cartão de vacinação das crianças. Ação conta ainda com apoio de órgãos municipais e do Estado.

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De acordo com a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), a preocupação com a poliomielite deve-se aos baixos números de vacinados no Brasil. O órgão destaca que o País não cumpre a meta de vacinação contra a paralisia infantil desde 2015. O patamar necessário para que a população seja considerada protegida contra a doença é de 95%.

Dados do Sistema de Informações do Programa Nacional de Imunizações (SI-PNI) demonstram que em 2021 o esquema vacinal com as três doses iniciais da vacina estava em 67%. A cobertura com a dose de reforço é de 52%. Na região Nordeste, o panorama é agravado com um percentual de 44% para a imunização completa.

O presidente da Associação dos Presidentes, Secretários e Tesoureiro dos Clubes de Rotary International de Fortaleza, David Aguiar Araújo, comentou sobre as medidas que a Rotary vem tomando na Capital. “Ainda que haja casos apenas em países da Ásia atualmente, essas pessoas podem viajar e assim contaminar outros indivíduos”, comentou David. Conforme a Fiocruz, o vírus selvagem permanece endêmico em apenas dois lugares do mundo: Paquistão e Afeganistão.

Conforme a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS), caso a poliomielite não seja erradicada totalmente, é possível que resulte em até 200 mil novos casos a cada ano, dentro de 10 anos, no mundo. "Enquanto houver uma criança infectada, crianças de todos os países correm o risco de contrair a poliomielite", argumenta a instituição em nota.

Poliomielite no Brasil

O primeiro caso de paralisia infantil no Brasil foi registrado no século 19. A doença ocasionou uma epidemia no País e em outros locais do mundo. Na década de 1950, duas vacinas foram desenvolvidas, sendo uma com o vírus inativado, elaborada pelo norte-americano Jonas Salk, e outra em gotas, trazendo o vírus atenuado, pelo polonês Albert Sabin.

A intensificação das campanhas de vacinação no Brasil começou no ano de 1961 por meio da adoção da vacina em gotas, Sabin. Na mesma época, foi introduzido o teste de diagnóstico do vírus da poliomielite. A erradicação da doença aconteceu em 1994, depois que as medidas de combate estavam altamente difundidas na população.

Transmissão e Sintomas

A paralisia infantil pode ser transmitida por meio da saliva, do contato direto com fezes contaminadas ou por água e alimentos contaminados por essas fezes. Dessa forma, locais com ausência de saneamento, condições habitacionais e de higiene pessoal precárias são mais suscetíveis à doença. O vírus da poliomielite se multiplica, primeiramente, nos locais onde está alojado no organismo, como boca, garganta e intestinos.

Na maioria dos casos, os infectados manifestam poucos ou nenhum sintoma, apresentando um quadro semelhante à gripe. No entanto, o poliovírus, por meio da corrente sanguínea, pode chegar até o sistema nervoso, provocando sintomas graves, como paralisia flácida aguda permanente, insuficiência respiratória e, em casos extremos, morte. Crianças com menos de 5 anos têm maiores chances de desenvolver a doença de forma grave.

(Colaborou Leonardo Maia/O POVO)

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