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Série de atividades marca os seis anos da Chacina da Grande Messejana

A série de assassinatos praticada por policiais, que deixou 11 mortos nos dias 11 e 12 de novembro de 2015, segue sem data de julgamento
06:28 | Nov. 05, 2021
Autor Lucas Barbosa
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Lucas Barbosa Repórter do caderno de Cidades
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Tipo Notícia

Os seis anos da Chacina da Grande Messejana, que se completam no próximo dia 11 de novembro, são lembrados em uma série de atividades ocorridas ao longo desta e da próxima semana. O coletivo Mães e Familiares do Curió, com apoio de diversos movimentos sociais e ONGs, preparou uma programação em alusão à data, que inclui atividades como lives, podcast e sarau.

O ponto alto da programação é o lançamento de um livro sobre as vítimas dos crimes. A obra Onze — Movimento Mães e Familiares do Curió com Amor na Luta por Memória e Justiça traz textos sobre cada uma das 11 vítimas da chacina, assinados por seus familiares em parceria com integrantes do Centro de Defesa da Criança e do Adolescente (Cedeca) e ativistas sociais.

Conforme Edna Carla Cavalcante, mãe de Álef Souza Cavalcante, de 17 anos, morto na chacina, a programação era um desejo antigo, que, finalmente, pode ser realizado neste ano. O objetivo, diz Edna, é  fazer um tributo à memória das vítimas e cobrar justiça. “Não é fácil ver o Estado matar 11 pessoas e ficar impune”, ressalta.

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Integrante do coletivo Mães e Familiares do Curió, que reúne familiares das vítimas da chacina, Edna diz que o livro foi pensado para permitir que o leitor conhecesse cada uma das vítimas. Ela lembra que, em um primeiro momento, a narrativa que se tinha das vítimas da chacina era de que eles haviam matado um policial, mas, depois, descartada a acusação, seu filho passou a ser tratado apenas como mais uma das vítimas. “Mas eu não queria isso. Eu queria contar a história de quem era o Álef. Aquele menino de sorriso largo, alegre, extrovertido, que a Polícia matou. Eu acredito que toda mãe tenha esse pensamento”.

A Chacina da Grande Messejana ocorreu na virada dos dias 11 e 12 de novembro de 2015, em quatro bairros daquela região. Onze pessoas foram mortas por policias militares no que seria uma retaliação pelo latrocínio de um PM, ocorrido no dia 11, e a expulsão de um outro policial de sua casa semanas antes. Nenhuma das vítimas da chacina, porém, tinha envolvimento com os crimes.

Foram mortos na ação: Álef Souza Cavalcante, de 17 anos; Antônio Alisson Inácio Cardoso, de 16 anos; Francisco Elenildo Pereira Chagas, de 40 anos; Jardel Lima dos Santos, de 17 anos; Jandson Alexandre de Sousa, de 19 anos; José Gilvan Pinto Barbosa, de 41 anos; Marcelo da Silva Mendes, de 17 anos; Patrício João Pinho Leite, de 16 anos; Pedro Alcântara Barroso do Nascimento Filho, de 18 anos; Renayson Girão da Silva, de 17 anos; e Valmir Ferreira da Conceição, de 37 anos.

Após a Justiça aceitar a denúncia do Ministério Público Estadual (MPCE) e decretar a prisão de 44 policiais militares, 34 PMs foram pronunciados concluída a fase de instrução. Eles recorreram, mas a segunda instância confirmou a decisão de levar os réus a júri popular. Recursos em instâncias superiores foram apresentados e estão sendo apreciados, porém, e, por isso, ainda não foi marcada data para o julgamento.

Confira a programação

Dia 4 de novembro — Webinário do Laboratório de Estudos da Violência (LEV), da Universidade Federal do Ceará: Cidade e Violência — a dor dos homicídios nas periferias de Fortaleza. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=5j0iUq_FZv4

Dia 5 de novembro — Live Memória, Justiça e Reparação: Diálogos com Mães de Jovens Vítimas da Chacina do Curió. Transmissão às 16 horas no canal Cada Vida Importa, no Youtube (https://www.youtube.com/channel/UCsP62j-HbkZ3QYuc9-GI9RA). Com presença de Silvia Helena Pereira, teóloga e mãe de jovens sobreviventes da chacina; e Maria Suderli Pereira de Lima, mãe de Jardel Lima dos Santos, morto na chacina. Também participam da live: Ângela Pinheiro, professora da UFC e integrante do Núcleo Cearense de Estudos e Pesquisas sobre a Criança (Nucepec/UFC); Leila Passos, professora da Uece e coordenadora do Grupo de Pesquisa Margens, Culturas e Epistemologias Dissidentes (Gepe Margens/Uece); e Luciana Quixadá, professora da Uece e coordenadora do Laboratório de Estudos e Pesquisas Participativas sobre Infância, Cultura e Subjetividade (LINCS/UECE).

Gravação de podcast com o Grupo de Pesquisas e Intervenções sobre Violências e Produção de Subjetividades (VIESES/UFC), a ser divulgado no dia 17 de novembro

Dia 6 de novembro — Sarau no Cuca Jangurussu, com o coletivo Meraki do Gueto.

Dia 7 de novembro — Mobilização virtual

Dia 8 de novembro — Audiência Pública na Assembleia Legislativa do Estado às 14 horas, onde ocorre o pré-lançamento do livro Onze.

Dia 9 de novembro — Live: Só quem é de Lá Sabe o Que Acontece: Juventude, Periferia e Esperança. Com participação de Cícero de Paulo, jovem morador do Curió; Lívia Morais, jovem moradora do Conjunto Palmeiras; Camila Holanda, coordenadora do Grupo de Estudos e Pesquisas sobre Trajetórias Juvenis, Afetividade e Direitos Humanos (Travessias/Uece); e Glória Diógenes, coordenadora do Laboratório das Artes e das Juventudes (Lajus/Uece).

Dia 10 de novembro — Seminário Virtual: Testemunhos da Luta — Relatos de Coletivos por Memória e Justiça. Com participação de Maria Suderli Pereira de Lima, mãe de Jardel Lima dos Santos, morto na Chacina da Grande Messejana; Tânia Brito, mãe de Juan Ferreira dos Santos, jovem morto por um policial no Vicente Pinzón em 2019; Débora Silva, integrante do coletivo Mães de Maio, mãe de Edson Rogério Silva dos Santos, morto em 2006 nos chamados “Crimes de Maio”, reação da PM de São Paulo a uma série de atentados praticados por uma facção; e Arlete Roque, mãe de Alex Júlio Roque de Melo, morto em abordagem policial em Manaus (AM).

Dia 11 de novembro — Lançamento do livro Onze no Anfiteatro do Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura

Mais informações podem ser conferidas no Instagram do Coletivo Mães do Curió.

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