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Movimentos populares doam alimentos a famílias em vulnerabilidade social em Fortaleza

As marmitas foram preparadas no Centro de Formação Frei Humberto e contam com produtos vindos de assentamentos e acampamentos do MST
12:54 | Out. 16, 2021
Autor Miguel Araujo
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Miguel Araujo Jornal
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Tipo Notícia

No Dia Mundial da Alimentação, celebrado neste sábado, 16, movimentos populares doarão 1.500 marmitas a famílias que vivem em vulnerabilidade social em Fortaleza. No Ceará, a ação é organizada por movimentos do campo e da cidade e integra a “Jornada da Soberania Alimentar: Contra o Agronegócio para o Brasil Não Passar Fome”. A distribuição de alimentos será realizada na Avenida Borges de Melo, no bairro Serrinha e na Praça do Ferreira.

As marmitas foram preparadas no Centro de Formação Frei Humberto e contam com produtos vindos de assentamentos e acampamentos do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST). O movimento organiza o ato junto com o Levante Popular da Juventude, o Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), o Movimento Pela Soberania Popular (MAM), o Movimento de Trabalhadores Por Direitos (MTD) e o Consulta Popular.

A Jornada Internacional se iniciou no último dia 10 e é realizada pela Via Campesina Brasil, organização de camponeses composta por movimentos sociais. As ações promovidas ocorrem em todo o Brasil. Segundo seus responsáveis, a jornada busca denunciar o aumento da fome no País, que seria “fruto da ação política de estado e de governos”. Além disso, tem o objetivo de trazer o debate sobre reforma agrária para a produção de “alimentos saudáveis para o campo e para a cidade”.

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“Neste momento, nós temos clareza de que há um aumento muito grande da fome e da miséria no Brasil, assim como um crescimento de pessoas que passaram a viver na rua. As pessoas não estão conseguindo pagar aluguel. A fome, hoje, não é uma vontade natural, é fruto de ação política. Então, se quisermos resolver esse problema precisamos desenvolver políticas que enfrentem essa situação, como acesso à terra”, ressalta Genivando Santos, da Direção Nacional do MST.

Ele acrescenta que grande parte dos alimentos doados vêm do Acampamento Zé Maria do Tomé, em Limoeiro do Norte. Genivando reforça a importância da ação: “Nos últimos anos, o Brasil voltou para o mapa da fome. Há um aumento no preço dos alimentos. Nós acreditamos que, neste momento, a solidariedade é algo fundamental para ajudar quem vive em situação de vulnerabilidade”.

Para o dirigente, a saída para superar a fome no País seria a partir da produção de alimentos. Aliada a uma reforma agrária “para que as pessoas tenham terra”, em sua visão, isso possibilitaria às famílias condições de produzir e de sobreviver. 

“É dever do Estado cuidar da população. As pessoas precisam ter acesso aos seus direitos, e sem dúvidas a alimentação tem que ser vista como um direito humano. Não se alimentar de qualquer jeito, mas com alimentos de qualidade. A fome é um problema muito grave no Brasil e precisamos superar isso”.

Para o fim do ano, o MST planeja outra ação solidária no Ceará: o “Natal Sem Fome”. Com alimentos produzidos em assentamentos do movimento no Estado, o plano é realizar a doação de cerca de 30 toneladas de alimentos em diferentes regiões cearenses, com foco em Fortaleza.

Distribuição de Marmitas

Onde e quando: No Viaduto da Borges de Melo, teve início às 12 horas; na praça Guaribal, no bairro Serrinha, e na Praça do Ferreira, às 18h30min

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