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Com avanço na vacinação, Secultfor avalia iniciar planejamento para Carnaval 2022

Secretário executivo da pasta da Cultura de Fortaleza afirmou, no entanto, que a volta do evento está condicionada ao controle da pandemia na Capital
09:22 | Ago. 21, 2021
Autor Luciano Cesário
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Com o avanço da campanha de vacinação e a queda dos indicadores da pandemia de Covid-19, a Secretaria de Cultura de Fortaleza (Secultfor) estuda a possibilidade de iniciar o planejamento para o Carnaval de 2022. Foi o que disse o secretário executivo da pasta, Evaldo Lima, durante cerimônia da premiação dos grupos e escolas de samba vencedores do “Ciclo Carnavalesco” de 2020, ocorrida nesta sexta-feira, 20, no Teatro Antonieta Noronha. Ele ressaltou, no entanto, que a volta do evento depende do controle da crise sanitária na Capital.

“Estamos em fase de amadurecimento das estruturas necessárias para a realização do Carnaval. Mas, na verdade, tudo isso tem um condicionante, que é um ponto de partida: o respeito à vida, são os números da pandemia. Quem vai de fato determinar a realização do Carnaval presencial, ou não, é exatamente a ciência”, condicionou Lima. O secretário ainda pontuou que apesar do cenário ser de otimismo, é preciso aguardar o cenário epidemiológico dos próximos meses para saber como o Ceará vai reagir às novas variantes detectadas no Estado, como a Delta, originária da índia, e a Alfa, proveniente do Reino Unido.

“A gente tem que saber o que significam essas novas variações do coronavírus. Mas, no geral, há muita esperança de que o Carnaval de 2022 seja um grande Carnaval e que a gente possa celebrar a vida e também prestar homenagens aos mortos. O que a gente quer mesmo é que esses blocos e agremiações consigam despejar muita alegria na [avenida] Domingos Olímpio, mas claro, isso depende do avanço da vacinação e da queda progressiva dos indicadores da pandemia”, completou o secretário.

Planejamento já começou

Embora a Secultfor ainda não tenha confirmado o retorno da folia carnavalesca na Capital em 2022, os protagonistas da festa já começam a se movimentar para colocar o bloco na rua. Esse é o caso da Associação Carnavalesca Amigos do Zé, que há mais de 15 anos participa dos tradicionais desfiles na Avenida Domingos Olímpio. O presidente do bloco, Paulo Mandun, afirma que os integrantes da agremiação já estão envolvidos nos preparativos da apresentação prevista para o próximo ano.

“Estamos reunindo o pessoal com frequência e já discutindo como vai ser no próximo ano. Acreditamos que vai ter [carnaval] sim, tanto é que praticamente já finalizamos a nossa pronta. Temos a esperança que, se na pior das hipóteses a festa não acontecer, pelo menos o desfile vai ter, com máscara, protocolos e todos os cuidados. O que a gente quer é fazer bonito na avenida, do jeito que a gente gosta e sabe”, disse o representante do bloco, um dos premiados no evento de hoje. No Carnaval de 2020, o “Amigos do Zé” ficou na 3º posição na categoria blocos de rua, atrás da “Turma do Mamão” (2º lugar) e do “Balakubaku Folia” (1º lugar).

Além dos blocos de rua, a solenidade premiou grupos vencedores nas modalidades Cordões, Afoxés e Sujos. Cada uma das 12 agremiações vencedoras só pôde enviar até dois representantes para evitar aglomerações no espaço. O evento, que tradicionalmente ocorre poucos dias após o Carnaval, precisou ser adiado em 2020 por causa do início da pandemia. As premiações em dinheiro, no entanto, foram efetuadas ainda em março do ano passado, segundo a Secultfor. No total, os grupos dividiram um montante de aproximadamente R$ 1 milhão.

Neste ano, sem o evento, os grupos carnavalescos da Capital enfrentaram muitas dificuldades financeiras. É o que diz um dos diretores da escola de samba “Tradição da Bela Vista”, que deixou de ir à avenida pela primeira vez em 12 anos de existência. "Foi muito difícil. Teve choro, falta de esperança… é triste você cair numa situação de não ter uma festa aguardada o ano inteiro. Só quem sabe as dificuldades é quem viveu, tivemos poucas ajudas, algumas lives. Precisamos de mais apoio seja do setor público ou privado. Aqui tudo é feito na raça e no coração. A gente se dedica porque gosta do que faz”, afirmou o carnavalesco Wellington Steves.

Em anos de normalidade, segundo Steves, o planejamento do Carnaval começa geralmente em maio. Como o Ceará atravessou a segunda onda da pandemia justamente neste período, e as incertezas sobre o futuro haviam voltado, os planos tiveram que ser adiados. Agora, com o crescimento nos percentuais de vacinação e redução constante nos números de infectados e internações, o dirigente explica que a escola já respira folia. “Estamos trabalhando com a possibilidade de que vai ter mesmo o Carnaval. Questão de figurino, adereços e outros materiais, tudo isso já está sendo providenciado. Eu espero que com todo mundo sendo vacinado, em 2022 a gente volte com força total para explodir as ruas de alegria”, enfatizou Steves.

Fomento

De acordo com a Gerente do Patrimônio Imaterial da Secultfor, Graças Martins, mesmo sem o Carnaval presencial neste ano, os grupos de tradição da Capital foram contemplados com ações de salvaguarda e participação em atividades de fomento à cultura, como lives remuneradas, por exemplo. Ela ainda reforça que, nos próximos dias, a pasta irá lançar um “mega edital” de fomento voltado a todas as formas de expressão cultural.

“O edital vai abranger desde quadrilhas juninas, culinaristas, até os grupos carnavalescos. A intenção é incluir todas as formas de cultura”, explica a gerente. Segundo ela, o documento deve ser publicado até o início de setembro.

Veja imagens da premiação dos grupos vencedores do Ciclo Carnavalesco 2020:

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Série D: Caxias mira reabilitação contra líder e invicto FC Cascavel

Esportes
09:10 | Ago. 21, 2021
Autor Agência Brasil
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Sem vencer há quatro jogos, o Caxias-RS busca a reabilitação na Série D do Campeonato Brasileiro contra o FC Cascavel-PR, um dos únicos cinco times invictos da competição e líder do Grupo 8. A partida válida pela 12ª rodada será neste sábado (21), às 15h (horário de Brasília), no estádio Centenário, em Caxias do Sul (RS), com transmissão ao vivo da TV Brasil.

Os anfitriões ocupam o quarto lugar da chave, com 13 pontos, somando apenas dois dos últimos 12 pontos disputados. A derrota por 1 a 0 para o Esportivo-RS, há uma semana, em casa, foi a segunda consecutiva do time grená, que será dirigido pelo auxiliar Célio Pretto pela terceira vez seguida. Ele substitui o técnico Rafael Jaques, que contraiu o novo coronavírus (covid-19) no início do mês e chegou a ser internado, recebendo alta na última segunda-feira (16). O treinador ainda precisa cumprir o período de afastamento e deve retornar aos trabalhos no clube apenas a partir da semana que vem.

Outros seis jogadores do Caxias se recuperaram da covid-19 e concluíram o isolamento. Os zagueiros Erik, Lucas Rocha e Thiago Sales, o lateral Bruno Ré e os meias João Vieira e França, porém, ainda são dúvidas para o confronto. Se repetir a formação que encarou o Esportivo, Pretto deve escalar: Marcelo Pitol; Lucas Carvalho, Rafael Lima, Henrique e Vidaletti; Marlon, Karl e Diogo Oliveira; Jean Dias, Michel e Kelvin.

Programa de redução de salários e jornada termina na próxima semana

Geral
09:10 | Ago. 21, 2021
Autor Agência Brasil
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O Programa Emergencial de Manutenção do Emprego e da Renda (BEm) termina no próximo dia 25, quando as empresas devem encerrar os acordos de redução de jornada e salário ou de suspensão de contratos de trabalho. O texto da Medida Provisória (MP) nº 1.045, de 27 de abril de 2021, prevê que a nova edição do BEm tem duração de 120 dias.

O prazo pode ser prorrogado a critério do governo federal, de acordo com as condições orçamentárias, mas para isso, a medida precisa ser aprovada no Congresso. O texto substitutivo da MP, do deputado Christino Aureo (PP-RJ), foi aprovado pela Câmara dos Deputados na semana passada e remetido ao Senado, onde ainda será analisado. A versão aprovada também permite que o BEm seja reeditado em futuras situações de emergência de saúde pública ou de estado de calamidade.

Lançado no ano passado como uma das medidas de enfrentamento à crise econômica gerada pela pandemia de covid-19, o programa beneficiou cerca de 10 milhões de trabalhadores em acordos que tiveram a adesão de quase 1,5 milhão de empresas. Neste ano, desde quando foi relançado em abril, até o dia 17 de agosto, mais de 2,5 milhões de trabalhadores obtiveram a garantia provisória de emprego mediante acordo com 632,9 mil empregadores.

O Ministério do Trabalho e Previdência possui um painel público com os dados do BEm.

O programa prevê a redução de salários ou a suspensão dos contratos nos mesmos moldes de 2020. Os acordos individuais entre patrões e empregados podem ser de redução de jornada de trabalho e salário nos percentuais de 25%, 50% ou 70%.

Como contrapartida, o governo paga mensalmente ao trabalhador o Benefício Emergencial, que corresponde a uma porcentagem da parcela do seguro-desemprego a que o empregado teria direito se fosse demitido. O benefício é pago com recursos do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT).

Na prática, um trabalhador que teve redução de 25% do salário recebe 25% do valor do seguro-desemprego que teria direito, e assim sucessivamente. No caso da suspensão temporária dos contratos de trabalho, o governo paga ao empregado 100% do valor do seguro-desemprego, de empresas com receita bruta de até R$ 4,8 milhões em 2019. Em empresa com receita acima desse patamar, o trabalhador recebe 70% do valor do seguro e 30% do salário.

Em todos os casos fica reconhecida a garantia provisória no emprego durante o período acordado e após o restabelecimento da jornada ou encerramento da suspensão, por igual período. Por exemplo, um acordo de redução de jornada de 90 dias de duração deve garantir ao trabalhador a permanência no emprego por mais 90 dias após o fim desse acordo.

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Caixa paga hoje auxílio emergencial a nascidos em fevereiro e março

Blog do Eliomar
08:58 | Ago. 21, 2021
Autor O Povo
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Trabalhadores informais nascidos em fevereiro e março recebem hoje (21) a quinta parcela da nova rodada do auxílio emergencial. O benefício terá parcelas de R$ 150 a R$ 375, dependendo da família.

O pagamento também será feito a inscritos no Cadastro Único de Programas Sociais do Governo Federal (CadÚnico) nascidos no mesmo mês. O dinheiro será depositado nas contas poupança digitais e poderá ser movimentado pelo aplicativo Caixa Tem. Somente de duas a três semanas após o depósito, o dinheiro poderá ser sacado em espécie ou transferido para uma conta-corrente.

As datas da prorrogação do benefício foram anunciadas no último dia 12. O pagamento da quinta parcela para o público geral começou ontem (20) e segue até o dia 31.

Ao todo 45,6 milhões de brasileiros serão beneficiados pela nova rodada do auxílio emergencial. O auxílio será pago apenas a quem recebia o benefício em dezembro de 2020. Também é necessário cumprir outros requisitos para ter direito à nova rodada.

Para os beneficiários do Bolsa Família, o pagamento ocorre de forma distinta. Os inscritos podem sacar diretamente o dinheiro nos dez últimos dias úteis de cada mês, com base no dígito final do NIS.

O pagamento da quinta parcela aos inscritos no Bolsa Família começou na quarta-feira (18) e segue até o dia 31. O auxílio emergencial somente será depositado quando o valor for superior ao benefício do programa social.

Em todos os casos, o auxílio será pago apenas a quem recebia o benefício em dezembro de 2020. Também é necessário cumprir outros requisitos para ter direito à nova rodada.

O programa se encerraria em julho, mas foi prorrogado até outubro, com os mesmos valores para as parcelas.

(Agência Brasil)

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Caixa paga hoje auxílio emergencial a nascidos em fevereiro e março

Economia
08:54 | Ago. 21, 2021
Autor Agência Brasil
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Trabalhadores informais nascidos em fevereiro e março recebem hoje (21) a quinta parcela da nova rodada do auxílio emergencial. O benefício terá parcelas de R$ 150 a R$ 375, dependendo da família.

O pagamento também será feito a inscritos no Cadastro Único de Programas Sociais do Governo Federal (CadÚnico) nascidos no mesmo mês. O dinheiro será depositado nas contas poupança digitais e poderá ser movimentado pelo aplicativo Caixa Tem. Somente de duas a três semanas após o depósito, o dinheiro poderá ser sacado em espécie ou transferido para uma conta-corrente.

As datas da prorrogação do benefício foram anunciadas no último dia 12. O pagamento da quinta parcela para o público geral começou ontem (20) e segue até o dia 31.

Ao todo 45,6 milhões de brasileiros serão beneficiados pela nova rodada do auxílio emergencial. O auxílio será pago apenas a quem recebia o benefício em dezembro de 2020. Também é necessário cumprir outros requisitos para ter direito à nova rodada.

Para os beneficiários do Bolsa Família, o pagamento ocorre de forma distinta. Os inscritos podem sacar diretamente o dinheiro nos dez últimos dias úteis de cada mês, com base no dígito final do NIS.

O pagamento da quinta parcela aos inscritos no Bolsa Família começou na quarta-feira (18) e segue até o dia 31. O auxílio emergencial somente será depositado quando o valor for superior ao benefício do programa social.

Em todos os casos, o auxílio será pago apenas a quem recebia o benefício em dezembro de 2020. Também é necessário cumprir outros requisitos para ter direito à nova rodada.

O programa se encerraria em julho, mas foi prorrogado até outubro, com os mesmos valores para as parcelas.

A Agência Brasil elaborou um guia de perguntas e respostas sobre o auxílio emergencial. Entre as dúvidas que o beneficiário pode tirar estão os critérios para receber o benefício, a regularização do CPF e os critérios de desempate dentro da mesma família para ter acesso ao auxílio.

Público geral: mês de nascimento

 

Jan

Fev

Mar

Abr

Mai

Jun

Jul

Ago

Set

Out

Nov

Dez

5ª parcela

20/8

21/8

21/8

22/8

24/8

25/8

26/8

27/8

28/8

28/8

29/8

31/8

Saque

1/9

2/9

3/9

6/9

9/9

10/9

13/9

14/9

15/9

16/9

17/9

20/9

6ª parcela

21/9

22/9

23/9

24/9

25/9

26/9

28/9

29/9

30/9

1/10

2/10

3/10

Saque

4/10

5/10

5/10

6/10

8/10

11/10

13/10

14/10

16/10

18/10

19/10

19/10

7ª parcela

20/10

21/10

22/10

23/10

23/10

26/10

27/10

28/10

29/10

30/10

30/10

31/10

Saque

1/11

3/11

4/11

5/11

9/11

10/11

11/11

12/11

16/11

17/11

18/11

19/11

Fonte: Ministério da Cidadania e Caixa Econômica Federal

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Feminismo e religião: mulheres lutam por equidade a partir de textos sagrados

EPISÓDIO 2
08:45 | Ago. 21, 2021
Autor Alice Sousa
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Do islã ao evangelho, o movimento feminista organizado começou a adentrar a religião na década de 1960, com a segunda onda feminista. Essas mulheres passaram a utilizar os textos sagrados como base para reivindicações, a partir de reinterpretações. No Cristianismo, teólogas feministas têm lutado, muitas vezes contra a própria Igreja, para contar a presença feminina na história de Jesus.

Nas Ciências Sociais, estudos sobre religião e gênero são recentes. O assunto começou a ser discutido na academia a partir da década de 1990, mas o termo teologia feminista surgiu nos anos 1960. "As teólogas feministas têm uma visão daquelas que foram as primeiras mulheres que deram essa outra perspectiva", explica o sociólogo Jonas Santos, que defendeu em 2017 a tese "Abrindo brechas na Igreja: Disputas e consensos em torno da leitura feminista da Bíblia".

A luta de mulheres por reconhecimento na Igreja Católica data de muito antes. A história da freira mexicana Juana Inês da Cruz remonta ao século XVII. Ela virou referência nos estudos feministas na América Latina por, já naquela época, ter lutado pelo direito de estudar. No fim do século XIX, com o movimento sufragista na primeira onda do feminismo, havia muitas mulheres evangélicas que faziam esse questionamento da condição de submissão e como a religião era usada para justificar a situação.

O resultado desse movimento é a Bíblia da Mulher. "Várias mulheres de igrejas diferentes se reúnem para fazer uma tradução da Bíblia sobre a ótica da mulher. Nessa época ainda não havia o feminismo em si nessas práticas", frisa Santos. A teóloga feminista Maria José Rosado conta em seu artigo “O impacto do feminismo no estudo das religiões” que a Bíblia da mulher é considerada o ponto de partida de um longo e fragmentado processo que levará, no fim dos anos 1960, à constituição de uma Teologia Feminista, em concomitância com o surgimento da Teologia da Libertação.

  


"Sempre me inquietou a ideia de Deus como homem"


Há 20 anos, Terezinha Casemiro, 78 anos, coordena um grupo de leitura feminista da Bíblia. "A partir da desconstrução de textos bíblicos patriarcais, biblistas, teólogas feministas vão reconstruindo os textos e desvelando as mulheres cujo papel foi mantido escondido ou atenuado, incluindo-as como protagonistas", explica a cientista social aposentada. Ela conta que foi criada na base da tradição cristã católica e estudou a vida toda em colégio de freiras. "Sempre me inquietou a ideia de Deus como homem. Nos espaços, tanto familiares, como escolares, não tive coragem de manifestar essa inquietação", explica.

Depois de se aposentar, ela fez um curso de Ciências Religiosas, mas continuava sem respostas para os questionamentos. Em 1998, começou a participar do Centro Ecumênico de Estudos Bíblicos (Cebi - CE). "Dos textos opressores, condicionantes, limitantes e patriarcais, para textos libertadores, à luz da leitura popular e libertária da Bíblia", conta.

Apesar disso, Terezinha não enxerga que as instituições religiosas estejam amparando suas reivindicações como mulher. "Há nichos, setores e lideranças que apoiam as lutas das mulheres para se afirmarem como pessoas plenas de dignidade e direitos, mas institucionalmente deixam muito a desejar, não só na tradição cristã, mas em outras vertentes religiosas", lamenta.

 

 

Católicas pelo direito reprodutivo e sexual das mulheres

 

"Se Deus é macho, então o macho é Deus". Essa frase é da obra da teóloga feminista Mary Daly e se chama “Beyond God the Father”, publicada em 1973. A imagem masculina da divindade e a figura submissa e virginal de Maria ainda é uma questão muito discutida entre as feministas cristãs, assim como Terezinha.

Andréa Lima é teóloga, feminista cristã e desde 2016 integra o Católicas pelo Direito de Decidir no Ceará (Foto: BARBARA MOIRA)
Foto: BARBARA MOIRA Andréa Lima é teóloga, feminista cristã e desde 2016 integra o Católicas pelo Direito de Decidir no Ceará


A teóloga feminista Andrea Lima faz parte da ONG Católicas pelo Direito de Decidir há cinco anos. Andrea sempre foi religiosa e foi questionando as práticas religiosas que ela chegou ao feminismo. "As mulheres sempre tiveram e têm muito a oferecer para a religião e outros campos. Dentro da religião, infelizmente, devido ao lado conservador e patriarcal, a gente nota que nossa prática às vezes não é reconhecida ou recebida da forma como deveria ser. E a partir da prática eu percebi que precisávamos nos manifestar de uma maneira que fossemos ouvidas", conta Andrea.

A ONG foi fundada em 1993 no Brasil levantando a pauta dos direitos reprodutivos e sexuais das mulheres. Além disso, Andrea ressalta a luta da ONG por um Estado laico. "Por sermos religiosas e termos nossa fé acima de tudo, queremos um Estado laico, para que todas as mulheres e todas as religiões tenham vez, porque se for um Estado pautado em apenas uma religião, com certeza, as outras não vão ser agraciadas com direito."

Em outubro de 2020, a Justiça de São Paulo decidiu que a ONG não podia usar o nome "'católicas"', alegando que a finalidade da associação "revela incompatibilidade com os valores adotados pela Igreja Católica". A decisão atendeu a pedido da Associação Centro Dom Bosco de Fé e Cultura, organização católica e conservadora com sede no Rio de Janeiro. A organização argumenta que a ONG "tem a pretensão de implementar agenda progressista e anticatólica em meio aos católicos". A CDD entrou com recursos e aguarda julgamentos no Superior Tribunal de Justiça (STJ) e no Supremo Tribunal Federal (STF). As partes aguardam o sorteio de ministro ou ministra que será responsável pela relatoria dos processos nos dois tribunais superiores. Não há previsão de quando o processo terá avanço.

Diante desse contexto, Andrea aponta que o trabalho desempenhado pelas teólogas feminista tem ficado cada vez mais dispendioso. Desde o Concílio Vaticano II, na década de 1960, a Igreja só recuou em relação aos direitos das mulheres e questões de gênero, conforme ela salienta. A ponto de se chegar à perseguição sofrida por membros da Igreja Católica. Foi o caso de freira teóloga Ivone Gebara, uma das fundadoras do CDD.

"Ivone Gebara é um grande exemplo no Brasil, mas em nenhum momento ela se afastou dessa Igreja que a calou e a perseguiu. Não estamos interessadas em ir contra uma Igreja de que fazemos parte. Estamos contra as ações do patriarcado, aquilo que nos limita, que quer controlar nosso corpo e nossa mente", completa Andrea sobre a motivação em continuar lutando contra as estruturas da própria religião.

 

 

"Feministas evangélicas estão em contradição?"


Esse é um questionamento frequente para Eliana Coelho. A feminista evangélica de 37 anos diz que, ao contrário de outras amigas que preferem falar que são feministas cristãs, ela se autodenomina feminista evangélica para disputar esse perfil do evangélico tradicionalista. Um campo cuja atuação política ganhou notoriedade na eleição do presidente Jair Bolsonaro. Ela se converteu aos 14 anos, mas, desde pequena, a mãe a levava à igreja, apesar de o pai não ser convertido e nem frequentá-la.

"Se você pensar do jeito que o televangelismo e o fundamentalismo religioso pregam, existe contradição, mas, se você conhecer a Bíblia e o debate que tem dentro dela, você vai ver que não. A versão que está em voga é a fundamentalista, é ela que apoia Bolsonaro", afirma.

Para explicar isso, Eliana separou religião e espiritualidade. "Eu posso ter uma espiritualidade fundamentalista e nunca ter pisado em uma igreja. Eu entendo que isso é um reflexo da contemporaneidade. Essa bricolagem e esse trânsito que faço, é uma coisa da contemporaneidade", comenta a professora sobre o exercício de reinterpretação dos preceitos bíblicos.

Eliana Coelho, feminista evangélica(Foto: BARBARA MOIRA)
Foto: BARBARA MOIRA Eliana Coelho, feminista evangélica

Eliane lembra de coisas que a incomodavam desde a adolescência, quando frequentava cultos. "No ministério de artes, a gente tinha uma amiga que era divorciada, e eu via como ela tinha muitos talentos e não era incluída em nada, e isso me incomodava", explica. Em 2013, na série de manifestações, ela começou a se engajar mais nos movimentos sociais e nas redes sociais. Descobriu o grupo "Feministas cristãs" no Facebook. Foi lá onde encontrou outras mulheres que também ousam questionar práticas patriarcais dentro das assembleias. Nessa época, ela já tinha parado de frequentar igrejas e, apesar disso, não se sente menos evangélica.

Pesquisa do Datafolha, publicada em janeiro de 2020, mostrou que 50% dos brasileiros são católicos e 31%, evangélicos. Mulheres representam 51% entre os católicos e 58% entre os evangélicos. Estudo do demógrafo José Eustáquio Alves, professor aposentado da Escola Nacional de Ciências Estatísticas do IBGE, feito também em 2020, projetou o crescimento da população evangélica, que segundo ele deve ultrapassar a população de católicos no País a partir de 2032, com crescimento médio de 0,8% ao ano desde 2010.

 

 

Transformação social do feminismo no campo teológico

É importante diferenciar o trabalho de teólogas feministas dos estudos feministas da religião. De acordo com a teóloga feminista Linda Woodhead, ao abordar o estudo de religião e gênero em termos de uma problemática simples: a religião é “boa” (libertadora) ou “má” para as mulheres, os estudos feministas da religião acabam reforçando o discurso patriarcal das religiões.

Jonas explica que, no caso da tradição católica cristã, o movimento feminista afetou a estruturação interna. "Até o começo do século XX, prevalecia a ideia de submissão da mulher. Neste Concílio (Vaticano II) há essa mudança. Elas atribuem essa mudança às demandas do movimento feminista das décadas de 1950 e 1960", explica. O objetivo do Concílio do Vaticano II, convocado pelo papa João XXIII em 1961, era "promover o incremento da fé católica e uma saudável renovação dos costumes do povo cristão, e adaptar a disciplina eclesiástica às condições do nosso tempo", como declarou a própria autoridade na bula papal "Humanae salutis".

Nos anos 1980, o papa João Paulo II escreveu documento retomando as ideias do Concílio, mas, em um contexto geral, no documento não existe uma discussão sobre outros papéis para as mulheres. "Parece que o único papel da mulher é ser mãe ou freira. Volta a discussão da virgindade mais uma vez, uma discussão que as teólogas feministas questionam bastante", explica Jonas.

De acordo com o sociólogo, isso foi uma resposta da Igreja às pressões sociais. Ele explica que, ao contrário do que diz o discurso de que a religião é totalmente diferente das esferas sociais, ela é impactada pelas questões de classe, raça e gênero. Em 2020, o papa Francisco nomeou a italiana Francesca Di Giovanni como subsecretária da seção de relações com estados do Secretariado de Estado, órgão que cuida das questões administrativas e da diplomacia do Vaticano. Ela foi a primeira mulher a ocupar uma alta posição neste órgão. 

 

 

 

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