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Jovem teria sido assassinada por facção por ter agredido familiar

Eveline Maria Santos da Silva foi assassinada com 14 tiros no conjunto Alto da Paz II. Quatro pessoas foram denunciadas pelo crimes pelo MPCE. Elas negam a acusação

Lucas Barbosa
23:36 | 14/07/2021
FORTALEZA, CE, BRASIL, 18-02-2020: Moradores da Comunidade Alto da Paz, que não receberam apartamento, no bairro Vicente Pinzon. (Foto: Mauri Melo/O POVO). (Foto: MAURI MELO/O POVO)
FORTALEZA, CE, BRASIL, 18-02-2020: Moradores da Comunidade Alto da Paz, que não receberam apartamento, no bairro Vicente Pinzon. (Foto: Mauri Melo/O POVO). (Foto: MAURI MELO/O POVO)

Quatro pessoas se tornaram rés nessa terça-feira, 13, pelo assassinato de Eveline Maria Santos da Silva, de 20 anos, crime ocorrido em 6 de fevereiro último no conjunto habitacional Alto da Paz II, localizado no bairro Vicente Pinzón. Conforme a denúncia apresentada pelo Ministério Público Estadual (MPCE), o crime ocorreu após uma sessão do "tribunal do crime". A vítima estaria sendo acusada de agredir uma familiar.

De acordo com a denúncia da 10ª Promotoria de Justiça do Júri, Eveline havia sido acordada por essa familiar, que tinha 12 anos, e interpelada para que a ajudasse em tarefas domésticas, o que acabou gerando uma discussão entre as duas e a agressão — que provocou sangramento na boca da garota. Esta então teria saído de casa, momento em que foi abordada por Maria Leudiana da Silva Sampaio Brasil, conhecida como "Lêudi", uma das denunciadas.

Ela teria perguntado se a garota gostaria, por causa da agressão, de levar Eveline para "as ideias", ou seja, para uma espécie de julgamento, o que foi negado pela jovem. Lêudi teria, então, insistido e, inclusive, tirado fotos da garota.

Conforme o MPCE, Lêudi "vem ganhando papel de destaque junto a pessoas que exercem papel de liderança na facção Guardiões do Estado (GDE)", que atua no local — inclusive, expulsando moradores, conforme apurou a Polícia Civil depois. Após isso, a facção teria acionado Joanaína Dias Matos, também acusada, com quem a vítima havia saído na noite anterior ao crime. O objetivo era atrair Eveline para o local da execução. Uma testemunha, de identidade preservada, chegou a afirmar que "todos achavam que a punição seria uma surra", mas Eveline foi levada para trás do apartamento onde morava e executada com 14 tiros.

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Os executores do crime, conforme investigação do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), seriam Caio de Lima Góis, conhecido como irmão Layo CRM ou Foca; e Edson do Nascimento Romualdo, o "Titela". Eles eram monitorados por tornozeleira eletrônica, que mostrou que ambos estiveram juntos no dia, horário e local do crime, conforme o MPCE.

Em depoimento, eles negaram o crime, mas suas declarações foram consideradas "inverossímeis" pelo órgão ministerial, sobretudo, por serem contrárias ao relatório de monitoramento eletrônico, acima mencionado. Joanaina e Maria Leudiana também negaram envolvimento no homicídio.

"Como se vê, ademais, o crime foi cometido por motivação torpe tendo os autores ceifado a vida de Eveline após uma briga desta com sua irmã caçula", escreveu na denúncia o promotor Franke José Soares Rosa. "Em razão deste fato, a ofendida foi submetida ao 'tribunal' formado pela facção GDE, os quais decidiram puni-la com a morte pela agressão provocada à sua irmã, uma espécie de vingança ou justiçamento, sendo a punição, consistente na eliminação da própria vida da vítima, absolutamente desproporcional precisamente porque o objetivo é fazer imperar o medo e a obediência irrestrita as 'regras' do crime organizado".

Caio, Maria Leudiana e Edson foram presos temporariamente e a Justiça, ao aceitar a denúncia, converteu a prisão em preventiva, o que também foi decretado com relação à Joanaina, que não havia tido prisão pedida inicialmente. O juiz Raimundo Lucena Neto citou a garantia da ordem pública e conveniência da instrução criminal como motivações para a decretação da prisão.