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Fortaleza
NOTÍCIA

Referência no tratamento do câncer infantojuvenil, Associação Peter Pan completa 25 anos

Pacientes depõem com gratidão aos cuidados recebidos e gestora aponta para desafios de implementar centro cirúrgico

Ítalo Cosme
19:02 | 06/04/2021
Além de oferecer tratamento às crianças e adolescentes, Associação também realiza ações sociais   (Foto: BARBARA MOIRA)
Além de oferecer tratamento às crianças e adolescentes, Associação também realiza ações sociais (Foto: BARBARA MOIRA)

Referência no tratamento oncológico de crianças e adolescentes no Norte e Nordeste, a Associação Peter Pan celebra 25 anos nesta quarta-feira, 7, e comemora as bodas de prata. Somente em 2020 foram cerca de 53,5 mil assistências sociais realizadas. Em parceria com o Hospital Infantil Albert Sabin, o Centro Pediátrico do Câncer (CPC) tratou aproximadamente 1,1 mil crianças e adolescentes contra o câncer.

Localizado em Fortaleza, o equipamento possui área de 4.995 m² formada por leitos, Unidades de Terapia Intensiva (UTIs), enfermarias, consultórios médicos, além de espaços diferenciados como a Brinquedoteca, Espaço do Adolescente, ABC+Saúde e outros para atender pacientes e familiares.

Equipamento está localizado no bairro Vila União, em Fortaleza.
Equipamento está localizado no bairro Vila União, em Fortaleza. (Foto: BARBARA MOIRA)

Voluntária há 15 anos, Michele Holanda é superintendente da Organização Não Governamental (ONG). A gestora agradece aos voluntários, empresas, doadores, Governo do Estado e todos os profissionais que ajudam a construir a trajetória "de muito trabalho, amor e união de corações".

"Nós temos desafios constantes e diários, ainda mais neste tempo de pandemia, quando tivemos de nos reinventar", confessa Michele. A superintendente pontua ainda que o desafio neste momento é concluir a expansão do segundo andar do prédio, onde deve funcionar centro cirúrgico, além de uma sala de recuperação.

Michelle Holanda trabalha há 15 anos na ONG como voluntária
Michelle Holanda trabalha há 15 anos na ONG como voluntária (Foto: BARBARA MOIRA)

"Nós não temos uma sala de cirurgia e as crianças vão para o Albert Sabin. Porém, a gente sabe que o contato com crianças com outras patologias aumenta os riscos", justifica.

No fim do ano passado, sete leitos de Unidade de Terapia foram reformados e três novos leitos entregues. "O hospital não deixa a desejar nada para unidades particulares. Nós temos instalações muito pensadas no conforto das crianças".

Michele, contudo, lamenta que muitas das atividades presenciais foram suspensas desde março de 2020 por conta da pandemia da Covid-19. "Nós sempre prestamos contas com o que recebemos. Isso foi fundamental em nossa trajetória para construir uma marca de credibilidade como a Peter Pan". Ano passado, a ONG ficou entre as 100 melhores do Brasil.

O trabalho da Associação não se limita apenas a Fortaleza. Há 17 anos, profissionais do de todo o Ceará são treinados para diagnosticar precocemente a doença por sinais e sintomas. Em 2019, cerca de 2.829 profissionais da Capital, São Gonçalo do Amarante, Pacatuba, Itaitinga e Horizonte receberam a formação.

Ano passado, a ONG fortaleceu ainda mais o trabalho no cenário brasileiro de oncologia pediátrica. Uma das ações foi o lançamento do APPonco. Disponível de forma gratuita, o canal é voltado para estreitar os laços entre pacientes e profissionais da saúde de todo o País para sanar dúvidas sobre os casos de câncer.


“Quem sabe eu não vá trabalhar onde eu me tratei?”

Anderson está no segundo ano do curso de Medicina.
Anderson está no segundo ano do curso de Medicina. (Foto: Arquivo pessoal)

Recém-chegado com a família em Fortaleza, Anderson Brito, à época com idade próxima a um ano e seis meses, recebeu o diagnóstico de leucemia linfoide aguda. Por quatro anos, o Peter Pan foi o lugar de esperança para a criança. "Lembro de pouca coisa, de quando precisei ficar internado e vinha grupos de palhaços para brincar e descontrair as crianças", tenta rememorar o jovem hoje aos 21 anos.

Atualmente Anderson está no segundo ano de Medicina em uma universidade particular de Fortaleza. O graduando afirma que a decisão partiu justamente pelo fato de ter passado pela quimioterapia. "Eu entrei no curso para me especializar em oncologia, para poder tratar das pessoas da mesma forma que fizeram comigo, ajudar na cura e levar a alegria às famílias. Essa decisão ainda é muito concreta. Quem sabe eu não vá trabalhar onde eu me tratei?", projeta.

Nestas bodas de prata da Associação, Anderson afirma que o sentimento é de gratidão por ele e por todos os beneficiados com a iniciativa. "É de uma grandeza enorme. Muitas famílias não têm condição de arcar com o tratamento, eu era de uma dessas famílias. A instituição organizou tudo. Não só o tratamento, mas alimentação também e em tudo o que podiam me ajudar. A instituição precisa ser reconhecida e ajudada", parabeniza.

“Hoje eu posso contar meu testemunho de cura” 
Lara Geovana acumula quase 19 mil seguidores no Instagram
Lara Geovana acumula quase 19 mil seguidores no Instagram (Foto: Arquivo pessoal)

“Era 23 de janeiro de 2018. Ali, eu já me internei para começar o tratamento”. Lara Geovana Braga, 12, recebeu a ligação das médicas para saber dos resultados dos exames no dia do aniversário de nove anos. Como a data era comemorativa, a família pediu para ir apenas no dia seguinte ao hospital. No local, as análises apontaram que a criança estava com leucemia.

“Alguns sintomas apareceram, mas eu não sabia muito bem sobre isso e a minha família não tinha muitas informações sobre a doença. Minha tia viu vários pontos roxos na minha perna, mas que não doíam”, lembra a adolescente ao reafirmar a importância do diagnóstico precoce.

“O câncer tem cura sim. Quando a pessoa escuta que está doente, ela pensa que é uma atestado de óbito. Mas não é. Existe tratamento”, incentiva Lara. A menina conta com mais de 18 mil seguidores na conta pessoal do instagram, onde compartilha louvores e agradecimento pela cura.

A jovem já finalizou a quimioterapia, mas deve permanecer em acompanhamento por dez anos. A cada dois meses tem de ir à Associação Peter Pan para realizar os exames de rotina. Lara diz que não conhecia a instituição, mas que pensava que seria um lugar sombrio e de sofrimento.

No entanto, já no primeiro contato a experiência foi de alegria. “Infelizmente, as crianças que estão entrando neste período de pandemia não estão tendo o apoio dos voluntários porque não podem ter contato pois são do grupo de risco”.

E complementa: “Todas as pessoas que estão no Hospital são muito gratas ao Peter Pan. Eles nos tratam com amor, carinho e proteção. Eu só devo gratidão. Porque hoje eu posso contar meu testemunho. A Peter Pan me acolheu tão bem, me deu um amor tão grande, que amenizou a minha dor. Eu e minha família temos gratidão. O amor cura e eu sou prova viva disso”.