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Adolescente de 15 anos e namorado são salvos por PMs de tortura e possível execução

Cerca de dez homens teriam praticado o crime, tendo chegado a gravar vídeo das agressões e perguntado ao casal como queriam morrer. Um homem foi preso

Lucas Barbosa
17:22 | 08/01/2021
Casal foi salvo em intervenção da Polícia Militar (Foto: Mauri Melo/O POVO)
Casal foi salvo em intervenção da Polícia Militar (Foto: Mauri Melo/O POVO)

Atualizado as 17h44min

Um casal de namorados, incluindo uma adolescente de 15 anos, foi salvo da morte por policiais militares após sofrerem um sessão de tortura por parte de criminosos. O caso ocorreu no fim da tarde da quarta-feira, 6, no bairro Parque Santa Rosa. Um homem foi preso suspeito do crime. 

Conforme o auto de prisão em flagrante, PMs se depararam com um homem em fuga e pedindo socorro durante patrulhamento na avenida Cônego de Castro. Os policiais foram ao local indicado e se depararam com a adolescente e homens que estariam praticando a tortura. Carlos Alberto Albuquerque Filho, de 32 anos, foi preso em flagrante. Ele chegou a resistir a prisão e entrou em "luta corporal" com os PMs, conforme decisão de audiência de custódia a qual foi submetido. Outros homens conseguiram fugir.

A decisão da audiência traz um relato do crime. Cerca de dez homens teriam mantido as duas vítimas em cárcere privado. Os criminosos mostravam revólver, faca e um pau, tendo chegado a perguntar à jovem como ela "queria morrer". Um vídeo com as agressões também teria sido filmado. Nele, os criminosos afirmam que ela já estava "decretada", ou seja, com ordens por parte de criminosos para que morresse. O namorado dela chegou a ser espancado e conseguiu fugir após pular da janela do quarto andar. O motivo das agressões seria a rivalidade entre organizações criminosas.

A audiência de custódia, realizada nesta sexta-feira, 8, converteu a prisão em flagrante de Carlos Alberto em preventiva. Ele foi autuado por ameaça, cárcere privado e associação criminosa. A juíza Flávia Setúbal de Sousa Duarte destacou na decisão que o autuado possui antecedentes criminais por diversos roubos, com condenações cujas penas somam mais de 24 anos de prisão. Conforme a Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS), Carlos Alberto tem quatro passagens na Polícia por roubo. Contra ele, havia mandado de prisão em aberto desde janeiro de 2018. 

"Neste cenário, a suposta prática de outros delitos, aponta no sentido de que o autuado desafia a paz social e, em liberdade, encontrará estímulo para continuar na seara criminosa, pois a atuação do Poder Judiciário, até o momento, não foi suficiente para frear sua inclinação à prática de condutas ilícitas, situação indicativa do seu desprezo e desrespeito à Justiça", afirma a juíza.

Em nota, a SSPDS informou que inquérito policial foi instaurado para verificar as circunstâncias do fato. "O procedimento foi transferido para a Delegacia de Combate a Exploração da Criança e do Adolescente (Dceca), que apura o caso em razão da vítima se tratar de uma adolescente".