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Fortaleza
NOTÍCIA

Manifestantes denunciam repressão violenta da PM em ato em frente à Secretaria Penitenciária, no Meireles

Manifestação teria sido dispersada de forma truculenta, com bala de borracha e spray de pimenta, denunciam. Três pessoas foram detidas

18:15 | 20/11/2020
Familiares de presos e entidades da sociedade civil realizaram manifestação nesta sexta, 20, em frente à sede da SAP, no bairro Meireles. O ato, porém, conforme os manifestantes, foi dispersado de forma truculenta pela PM (Foto: Júlio Caesar/ O POVO)
Familiares de presos e entidades da sociedade civil realizaram manifestação nesta sexta, 20, em frente à sede da SAP, no bairro Meireles. O ato, porém, conforme os manifestantes, foi dispersado de forma truculenta pela PM (Foto: Júlio Caesar/ O POVO)

Atualizado às 20h11min

Familiares de presos e entidades da sociedade civil realizaram manifestação na tarde desta sexta-feira, 20, em frente à sede da Secretaria da Administração Penitenciária (SAP), no bairro Meireles, em Fortaleza. O ato, porém, conforme os manifestantes, foi dispersado de forma truculenta pela Polícia Militar com bala de borracha e spray de pimenta.

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Três pessoas foram detidas e conduzidas para o 2° Distrito Policial. Eles foram liberados nesta noite após assinarem Termo Circunstanciado de Ocorrência (TCO) por desobediência. Em nota, a SAP afirmou que os manifestantes obstruíram a rua de acesso e desrespeitaram o perímetro de segurança estabelecido pelos policiais militares presentes no local. Conforme Patrícia Oliveira, advogada que acompanha os detidos, não houve confronto e nenhum dos manifestantes avançou contra os PMs. Os policiais não permitiram que os manifestantes chegassem à frente do prédio e usaram spray de pimenta contra eles. "A maioria dos manifestantes era de mulheres, tinha crianças", cita ela.

A SAP ainda afirmou ter sido preciso uso de "equipamentos de controle de distúrbio para dispersão". "Por fim, a SAP esclarece que, em nenhum momento, integrantes da manifestação solicitaram qualquer tipo de audiência ou reunião com os gestores da Secretaria". A nota ainda afirma "conforme procedimento padrão", a PM "vai apurar a conduta dos profissionais envolvidos na abordagem".

A Defensoria Pública acompanha o caso. Em nota, o órgão afirmou ter agendado atendimentos para os envolvidos na próxima segunda-feira, 23. "Com base nas imagens recebidas e testemunhas no local, a Defensoria vai oficiar os órgãos e autoridades responsáveis para providências em relação a possíveis abusos das forças policiais".

Veja vídeos da repressão policial à manifestação


A manifestação tinha como intuito entregar "Troféu Tortura" ao secretário Mauro Albuquerque. Eram denunciadas violações de direitos de internos do sistema prisional cearense, como tortura e violência sexual.

A "criminalização dos familiares" também foi denunciada, entre outros, como obrigação de assinatura de Processos Administrativos Disciplinares (PAD), sem que os presos tenham cometido ato de indisciplina e sem apuração das acusações. (Com informações de Alice Sousa)