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Inteligência comprovou não haver ligação entre mortes de PMs, diz comandante

Três policiais militares e um ex-policial foram mortos em um período de uma semana. Coronel Alexandre Ávila diz não haver ação orquestrada por grupos criminosos

Lucas Barbosa
19:44 | 16/06/2020
Policiais foram até o local do crime que vitimou o soldado Campos  (Foto: WhatsApp O POVO)
Policiais foram até o local do crime que vitimou o soldado Campos (Foto: WhatsApp O POVO)

Em um período de uma semana, o Estado do Ceará viu três de seus policiais militares serem mortos em ocorrências descritas como latrocínio. Ainda houve o caso de um ex-PM morto e registros de ataques contra, pelo menos, dois outros policiais, um guarda municipal e um homem que se passava por agente penitenciário.

Apesar disso, os dados do serviço de inteligência não apontam a existência ação coordenada por parte de organizações criminosas contra agentes de segurança. É o que garante o coronel Alexandre Ávila, comandante-geral da Polícia Militar do Estado. Conforme o oficial, não foi encontrado “nenhum indício” de que os crimes foram orquestrados no cruzamento de dados dos órgãos de inteligência tanto da PM, quanto da Polícia Civil, da Secretaria de Administração Penitenciária (SAP) e da Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS).

“São fatos que não têm interligação entre eles”, disse o coronel. “Não existem evidências com indícios concretos de que esses policiais estejam sofrendo algum tipo de ataque direcionado por parte de grupos criminosos”. Segundo ele, a corporação tem adotado medidas para segurança de seus militares, mas os agentes também precisam adotar ações preventivas. “Está sendo tratado pelo comando como situações que precisam de uma atenção maior por parte do policial quanto a sua própria segurança pessoal, pela condição de policial, por estarem armados”, afirma Alexandre Ávila.

O primeiro crime dessa sequência ocorreu em 6 de junho, no bairro Vila Manoel Sátiro. O subtenente Francisco Augusto da Silva, lotado no Batalhão de Operações Especiais (Bope), foi morto quando saía de casa para trabalhar, em uma tentativa de assalto. O suspeito de matar o PM foi morto em confronto com a Polícia no mesmo dia. No mesmo bairro, mas no dia 9, o ex-sargento da PM Jean Charles da Silva Libório foi morto a tiros em um bar. Ele havia sido expulso da corporação após ser condenado por participação em um grupo de extermínio que seria comandado pelo iraniano Farhad Marzivi, que cumpre pena por esquema de contrabando.

Na sexta-feira, 12, foi morto o soldado Daniel Campos Menezes, no bairro José Walter. Ele chegava em casa quando flagrou dois homens saindo da residência com objetos. O soldado reagiu à ação e foi morto. Campos estava afastado para tratamento médico e era réu no caso da Chacina da Grande Messejana, o assassinato de 11 pessoas em quatro bairros daquela região em 2015. Um homem chegou a ser autuado e é investigado pela Polícia Civil suspeito de participação no crime.

Um dia depois, no bairro Ancuri, o sargento Nilton Cezar Vieira Lopes foi morto quando voltava para casa após o trabalho. Ele foi abordado, quando trafegava em sua moto, por dois homens, tendo chegado a trocar tiros com ele. Duas pessoas presas são investigadas por envolvimento com o crime. Além disso, um terceiro suspeito foi morto em confronto com a Polícia: Francisco Rodrigo Lopes da Silva, de 20 anos.

Além das mortes, no sábado, 13, um guarda municipal foi baleado no bairro Conjunto Esperança, também em uma tentativa de assalto, conforme a SSPDS. Um suspeito do crime foi morto em confronto com a Polícia. No domingo, 14, um PM do Comando de Policiamento de Rondas e Ações Intensivas (CPRaio) foi baleado em Santa Quitéria, quando estava de folga, também em uma tentativa de assalto.

Em 11 de junho, outro PM havia sido vítima de tentativa de assalto, quando caminhava no bairro Jardim Guanabara. “A vítima protegeu-se atrás de uma árvore e também sacou a arma de fogo que portava, instante em que o roubador efetuou disparos contra o lesado, que revidou os tiros”, consta no Auto de Prisão em Flagrante (APF) de um suspeito preso por participação no crime.

Já no dia 10, um homem que dizia ser agente penitenciário foi alvo de um atentado à bala no bairro Icaraí. Após ele ter apresentado como policial penal, os PMs descobriram que os documentos que ele usava eram falsos. Fontes policiais afirmaram que ele seria armeiro e manteria boas relações com policiais da região.