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Fortaleza
NOTÍCIA

Com ajuda de live, casal de mulheres celebrará casamento no Ceará

A união de Dalila e Morgana ocorrerá no dia 7 de junho e será transmitido para amigos e familiares pelo perfil de uma das noivas no Instagram

Alan Magno
08:21 | 26/05/2020
Casal está junto há dois anos  (Foto: Arquivo pessoal)
Casal está junto há dois anos (Foto: Arquivo pessoal)

 As cearenses Dalila Nascimento e Morgana Pereira irão oficializar a união no dia 7 de junho às 16h30min com ajuda de uma transmissão ao vivo para concretizar a data. O casal terá união reconhecida em efeito de cartório e religioso pelo trabalho da celebrante de casamento, Malu Cavancanti. A cerimônia ocorrerá na casa das noivas e será transmitido, com a participação de Malu, para amigos e familiares pelo perfil da Dalila no Instagram. A medida busca garantir a participação de todos os entes queridos, sem desrespeitar as medidas de proteção contra o coronavírus.

O casal está junto há dois anos e mora na mesma casa há um, juntamente com as duas filhas. Elas se conheceram na comunidade mórmon de Fortaleza, enquanto viviam relacionamentos heteroafetivos. Morgana e Dalila tornaram-se melhores amigas até que se apaixonaram e decidiram se reinventar. “Duas pessoas completamente diferentes, mas unidas no propósito de distribuir e receber amor”, definiu Morgana.

Elas destacaram ainda que a oficialização da união tem sido inspiração para que outros casais homoafetivos tomem iniciativa de buscar oficializar suas respectivas uniões com seus parceiros e que muitos casais têm buscado contato com elas para conversar, pedir dicas e trocar experiências. “Independente das atribulações da momento que se vive, se tiver amor, as coisas vão acontecer como devem ser. Não devemos ter medo de viver”, frisou Dalila.

“É a realização de um sonho pessoal nosso. É uma segurança, uma tranquilidade pro coração. Por que todos os outros casais são casados na igreja e no cartório e você [homoafetivo] teria que só morar junto com a pessoa ?”, pontuou Morgana ao falar da realização do casamento. Dalila reforçou que mesmo durante a pandemia não sentiram vontade de mudar a data. “Temos que aproveitar ao máximo nosso agora, porque a vida é um sopro. Não devemos desistir dos nossos sonhos”, frisou.

Dalila explica que mesmo após saírem da comunidade mórmon, o casal possui uma relação muito forte com a fé e com Deus e que isso se mistura em meio à rotina e o estilo de vida das duas, que são professoras. “Estou muito feliz que a Malu também tem meios para concretizar nossa união”, completou.

O casal chegou a ter uma comemoração no ano passado, antes da pandemia, definida por elas como “um evento dos sonhos”, mas pela falta da averbação da papelada do divórcio, a união das duas não foi formalizada à época. Desta vez, o sonho será completo.

Celebrando casamentos há oito anos, Malu pontua que o casamento das meninas será o primeiro homoafetivo a contar com efeito civil e religioso do qual ela tem conhecimento. “Quem for contra a união delas precisa ser afastado e isolado”, destacou. Ela mencionou que alguns outros clientes a questionaram quanto a celebração da união do casal de mulheres.

“Ainda tem muito preconceito. Mas eu deixei eles à vontade para cancelarem meus serviços. Porque elas são lindas, pessoas de bom coração, se amam, e Deus é isso, é amor, não punição e medo”, completou Malu que é Ministra Religiosa da Igreja Cristã da Revelação Divina, com sede em São Paulo.