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Fortaleza
NOTÍCIA

Espaço com berço e carrinho é disponibilizado em sala de aula da Uece

A proposta é dar suporte para que as alunas possam, após o encerramento do período de licença-maternidade, incluir os cuidados maternos na rotina do ambiente acadêmico

13:54 | 04/02/2020
Professores organizam campanha para conseguir o carrinho e o berço
Professores organizam campanha para conseguir o carrinho e o berço (Foto: Reprodução)

Para dar acolhimento a estudantes universitárias que precisam levar seus filhos para a sala de aula, professores da pós-graduação da Universidade Estadual do Ceará (Uece) criam espaço reservado com berço e carrinho para que as mães tenham como cuidar das crianças durante as aulas. O espaço foi idealizado pelo coordenador do programa de pós-graduação em linguística aplicada (Posla), Lucineudo Irineu. 

Considerando a necessidade de uma aluna, o docente fez campanha entre colegas, e conseguiu adquirir o carrinho e o berço, agora disponibilizados em uma sala do Centro de Humanidades. A proposta é dar suporte para que as alunas possam, após o encerramento do período de licença-maternidade, incluir os cuidados maternos na rotina do ambiente acadêmico.

A mestranda do programa de linguística, Edina Ié, foi a primeira a utilizar o espaço. Ela tem uma filha de cinco meses e relata que o novo espaço lhe trouxe a oportunidade de conciliar a maternidade com os estudos acadêmicos. “A universidade viu minha necessidade e me acolheu desde o primeiro momento”, afirma Edina, que veio da Guiné Bissau para estudar em Fortaleza.

Ela acrescenta ainda que a sala de aula não é o ambiente mais apropriado para levar uma criança recém-nascida, que precisa de cuidado e atenção materna. “Ela vai chorar, vai precisar ser amamentada; alguns colegas podem compreender, já outros vão se sentir incomodados”, pondera a estudante.

Apesar da preocupação, Edina tem recebido apoio de colegas da pós-graduação, que costumam deixar recadinhos anônimos como incentivo para que as mães que utilizam o serviço sigam firmes no objetivo de alcançar mais um título acadêmico.

A doutoranda Rochelle Kilvia tem uma filha de três meses e relata que durante as aula tem ainda o apoio do marido, que é também um colega na pós-graduação. Segundo ela, existir espaços de acolhimento para as mães nas universidades é uma ação muito importante. "É complicado ser mãe e estudante; e esse espaço é um ato de empatia, como se a Universidade estivesse dizendo que está junto comigo e vai dar tudo certo", relata.

De acordo com a diretora do Centro de Humanidades, Adriana Barros, o espaço para atender as mães foi desenvolvido por vontade individual de professores, sem vínculo com a Uece. No entanto, considerando a repercussão, ela afirma que é possível ampliar o serviço, a partir do interesse dos demais centros acadêmicos. E destaca que há ainda a possibilidade de levantar a discussão junto a reitoria da Universidade.

"Além de promover o conhecimento, é importante que a universidade desenvolva ações e políticas para a permanência das estudantes que vivenciam a maternidade, para que elas não se juntem à estatística de desistência", avalia a diretora. De acordo com a assessoria da Universidade Estadual do Ceará, a instituição não possui auxílios específicos para mães universitárias.