PUBLICIDADE
Fortaleza
Noticia

Segue em andamento negociação sobre futuro do terreno onde estava edifício Andrea

No mês passado, prefeito Roberto Cláudio e governador Camilo Santana sinalizaram sobre desapropriação para construção de base do Corpo de Bombeiros no local

Ítalo Cosme
20:36 | 20/01/2020
EX-MORADORES, proprietários do terreno não foram procurados pelo poder público
EX-MORADORES, proprietários do terreno não foram procurados pelo poder público (Foto: Thais Mesquita)

O futuro do terreno onde estava o Edifício Andrea ainda segue em discussão. Em 10 de dezembro, o governador Camilo Santana e o prefeito Roberto Cláudio anunciaram a instalação de uma unidade do Corpo de Bombeiros Militar do Estado do Ceará (CBMCE) no local. No entanto, as negociações pouco avançaram.

Procurada pela reportagem, a Prefeitura de Fortaleza não deu nenhum detalhe do projeto ou negociação, apenas disse estar em andamento. Governo do Estado não respondeu sobre o assunto, até o fechamento desta matéria. 

O ex-morador Clotário Nogueira, 77, afirma que não houve reunião para tratar da desapropriação e do futuro do terreno onde morava. Depois do desabamento do prédio na rua Tibúrcio Cavalcante, em 15 de outubro do ano passado, vive em um apartamento próprio. “Pra mim, não importa qual destino do local. Eu não fui chamado oficialmente para nada. O que deve ser justo é o valor da desapropriação. Não tenho dados sobre nada”, comentou o senhor.

Durante anúncio da sede do Corpo de Bombeiros para o local, o prefeito de Fortaleza anunciou também a desapropriação do espaço, a isenção de dívidas do Imposto sobre a Propriedade Predial e Territorial Urbana (IPTU) e a reurbanização do entorno. Além da homenagem aos profissionais do CBMCE com a medalha Dragão do Mar.

FORTALEZA, CE, BRASIL, 20-01-2020: Moradores comentam sobre o que gostariam de ver construido no lugar do Edifício Andrea (Foto: Thais Mesquita/O POVO)
FORTALEZA, CE, BRASIL, 20-01-2020: Moradores comentam sobre o que gostariam de ver construido no lugar do Edifício Andrea (Foto: Thais Mesquita/O POVO) (Foto: Thais Mesquita)

Servidora Pública, Marlen Danúsia, 54, reside na frente do espaço onde estava o prédio. Hoje, muros com intervenções artísticas em homenagens às vítimas e a quem trabalhou no local. Para ela, é antidemocrática a decisão de instalar uma base do Corpo de Bombeiros.

“Nós moramos em uma área totalmente residencial. São pessoas mais idosas. Você colocar um Corpo de Bombeiro muda a dinâmica de uso das pessoas no local. Não houve detalhamento do projeto. Se for uma unidade administrativa, por exemplo, como vai ser? Me pareceu um comportamento mais político. Falta diálogo com a comunidade. Não houve conversa com moradores, nem projetos apresentados”, aponta.

Para Marlen, seria “mais coerente com as pessoas que faleceram” uma praça com um memorial. Assim como a primeira especulação do que seria o espaço. “No meu entender, por mais respeito e admiração que nutro pelo Corpo de Bombeiros, um espaço verde é o que a cidade precisa, mesmo com poucas árvores. Acolheria tanto a família das pessoas que faleceram quanto a comunidade”, justifica.

Partilha da mesma opinião de Marlen, o servidor público Jorge Ricardo, 59. O peruano cita como exemplo a ser seguido o Memorial e Museu Nacional do 11 de Setembro, em Nova York, criado após o ataque às Torres Gêmeas em 2001.

“Você alivia. Limpa a realidade dos irmãos que morreram. Vai ter um negócio de bombeiros aqui? Olha essa tranquilidade. Não dá certo, não. Querem agradar a quem com essa Companhia de Bombeiros. A quem, me diz? Não é a quem tem que agradar, mas quem devem ajudar”, reitera.

Para Ricardo, os muros no entorno do terreno fazem o indivíduo exalar sentimento de preocupação e pena. “Se vê uma praça, você olha e pensa ‘que bonitinho ficou o negócio’. É uma sentimento de alívio e paz. É o que a gente quer. Cedo ou tarde, nós vamos precisar disso”, afirma.

Quem discorda de ambos é a autônoma Patrícia Lopes, 31. Para ela “uma praça seria bacana”, mas acumularia muitas crianças, o que tornaria o espaço mais perigoso e vulnerável para atropelamentos. Ela afirma que a saída mais justa e segura, de fato, é uma unidade do Corpo de Bombeiros.

“A quantidade de assaltos aumentou muito. Está esquisita, a rua. Escura. Há pouco, uma mulher estava estacionando o carro quando foi abordada por três indivíduos num carro. Dois desceram, o outro ficou na salvaguarda. Teve foi troca de tiros. A polícia pegou a moto de um desses entregadores de comida e foi atrás dos caras. Dois foram presos”, comenta.  "Não sei o que será. Mas o posto seria mais seguro”, conclui.