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Fortaleza
NOTÍCIA

População de Fortaleza tem risco maior de ter diabetes que o índice nacional

Especialistas explicam que os principais motivos para o maior risco da doença seriam o alto consumo de carboidratos e a falta de atividade física

16:08 | 29/05/2019
João Victor Soares Carvalho, de 22 anos, descobriu que tinha diabetes tipo 1 aos 13 anos
João Victor Soares Carvalho, de 22 anos, descobriu que tinha diabetes tipo 1 aos 13 anos(Foto: ARQUIVO PESSOAL)

Um em cada cinco brasileiros pode ter diabetes mellitus. A informação é de um estudo realizado pelo Conselho Federal de Farmácia com apoio da Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD) e participação em Fortaleza da Farmácia-Escola da Universidade Federal do Ceará (UFC). A pesquisa indica um maior risco de desenvolvimento da doença na população de Fortaleza, que apresenta um índice maior do que o nacional.

No Brasil, 22,6% dos pacientes ouvidos pela pesquisa apresentaram risco alto ou muito alto de desenvolvimento de diabetes. Em Fortaleza, esse índice foi de 39,55%. Os riscos alto e muito alto indicam que um em cada três (risco alto) e um em cada dois (muito alto) pacientes desenvolverá diabetes nos próximos 10 anos, respectivamente.

87 pessoas, sendo 38 homens e 49 mulheres, participaram da pesquisa na Farmácia-Escola da UFC, todos com cerca de 50 anos. Glicemia capilar, peso, altura, circunferência abdominal e índice de massa corpórea foram medidos de cada participante. Eles também responderam ao questionário Findrisc, ferramenta que identifica casos de hiperglicemia e diabetes. Ao fim do atendimento, o resultado foi disponibilizado individualmente, junto a orientações farmacêuticas e sobre práticas saudáveis.

João Victor Soares Carvalho, estudante de Direito de 22 anos, descobriu que tinha diabetes mellitus tipo 1 aos 13 anos. “Meu pai também é diabético e, há um tempo, antes de descobrir, eu estava tendo alguns sintomas, como beber muita água, ficar com muita fome, ir muitas vezes ao banheiro. E já que meu pai já passou por isso, e tem um glicosímetro, aparelho que mede glicose, mediu a minha e já estava com um nível muito alto que o normal. E fui direto para o hospital.”

Ele conta que após ir ao médico, foi preciso ir a um nutricionista e adotar uma dieta mais restritiva, para controlar a diabetes. “Hoje em dia, posso comer de tudo, de forma moderada, contanto que eu tome insulina e meça a minha glicemia antes de qualquer refeição, e dependendo do que for comer, e o resultado da glicose, aplicar insulina”, explica sua rotina

A endocrinologista Aline Garcia explica que um dos principais motivos para Fortaleza ter esse maior índice seria consumo exagerado de carboidratos simples, como doces, massas e farináceos que estão muito presentes na rotina alimentar da nossa população. Pedro Aurio Maia, farmacêutico da Farmácia Escola da UFC, responsável pela pesquisa, explica que especulações para o alto índice de risco em Fortaleza está relacionado também ao estilo de vida, com pouca atividade física.

Aline Garcia explica que existem vários tipos de diabetes. “No diabetes tipo 1, que se trata de uma doença auto-imune, o diabetes costuma ocorrer na infância ou adolescência, e ocorre por um problema no sistema imunológico”. Já o diabetes tipo 2, são fatores de risco como má alimentação, obesidade, sedentarismo, hereditariedade, entre outros, que aceleram o início da doença, explica. O diabetes tipo 2 costuma acontecer em idade mais avançada, porém os fatores de risco acima citados podem antecipar o início da doença.

Aline Garcia explica que não é uma doença que há cura, mas que pode ser controlada com medicamentos e hábitos saudáveis. “Boa alimentação, atividade física regular e algumas classes de medicamentos são as principais estratégias de controle da doença, e estratégias individualizadas para cada paciente.”

SOBRE A DIABETES

> A diabetes é uma doença caracterizada pela elevação de glicose no sangue.

> A doença ocorre devido a defeitos na secreção ou na ação do hormônio insulina, que é produzido no pâncreas.

> A insulina é o hormônio responsável por promover a entrada de glicose para as células do organismo, essencial para as atividades celulares.

> A falta ou defeito na produção pode causar a hiperglicemia, um acúmulo de glicose no sangue, o que pode causar fadiga, turvação visual, muita sede, aumento da frequência urinária, ou perda de peso.

> Quando mal controlado, o alto nível de açúcar no sangue ainda pode causar doenças na retina, problemas cardiovasculares, circulatórios e neurológicos.

> Diabetes Tipo 1: É uma doença autoimune onde a produção de insulina é comprometida de forma aguda. Geralmente ocorre em crianças e adolescentes.

> Diabetes Tipo 2: Determinada pelos fatores de risco. Geralmente ocorre na vida adulta, em idades mais avançadas; a produção de insulina é comprometida gradualmente.

> Diabetes gestacional: diagnosticado na gestação.

> Diabetes secundário: Pode ser desencadeado pelo uso de medicamentos como corticóide, algumas quimioterapias, ou por cirurgias pancreáticas, entre outros.

FONTE: Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia

SOBRE A PESQUISA

> Risco alto ou muito alto para o desenvolvimento de diabetes:

Homens: 37,7%

Mulheres: 42,5%

Média geral de dosagem de glicemia: 123 mg/dL

Média masculina: 128 mg/dL

Média feminina: 117 mg/dL

> Pacientes que apresentaram risco alto ou muito alto de desenvolvimento de diabetes

Índice Nacional: 22,60%

Índice de Fortaleza: 39,55%

De 17.580 pessoas avaliadas pelo estudo, 18% apresentam glicemia elevada.

Principais fatores de risco

> Sedentarismo (68%)

> Não ingestão de frutas e verduras diariamente (43%)

> Histórico Familiar (37%)

O estudo está disponível no site do Conselho Federal de Farmácia

Luana Façanha/ Especial para O POVO