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Fortaleza
NOTÍCIA

Nordeste é referência de festas juninas por presença de católicos e graças às colheitas

Ao passo que a tradição junina chega nos grandes centros do País há uma modernização dos costumes

08:54 | 14/05/2019
Quadrilha junina durante apresentação no Mercado dos Pinhões. (Foto: Camila de Almeida/O POVO)
Quadrilha junina durante apresentação no Mercado dos Pinhões. (Foto: Camila de Almeida/O POVO)(Foto: Camila de Almeida/Camila de Almeida)

Há dois fatores que contribuem para o Nordeste ser a maior referência dos festejos juninos. O primeiro deles é a presença de católicos na região que, proporcionalmente, é a maior em todo o País. Sendo uma das áreas mais resistentes à guinada evangélica nesta década. Segundo, deve-se a polarização e a fama dos festejos comemorativos nos estados de Pernambuco e da Paraíba.

Para Christian Dennys, doutor em Geografia Humana pela Universidade de São Paulo (USP) e professor da Universidade Federal do Ceará (UFC), é como se o Nordeste tivesse preservado mais as raízes da herança da união ibérica, que perdurou até 1640, após unificação das monarquia espanhola e portuguesa. No Brasil, durante a colonização portuguesa, foi evangelizado e imposto como comemoração os festejos aos santos João, Pedro e Antônio, este último o famoso santo casamenteiro.

Os festejos católicos dos santos e a oferta pela boa colheita fincaram, principalmente, no interior do País. Ao passo que as tradições caminhavam aos grandes centros do Brasil, as festas juninas foram ganhando ares modernos. A luxuosidade e a estilização das apresentações viraram produtos da mídia, e grandes competições apareceram.

Em consonância, Otávio Lemos, doutor em Geografia e professor do curso na Universidade Estadual do Ceará, destaca a dimensão do profano no ato de plantar e colher junto a devoção aos santos sagrados do mês de junho. “Se você for no sul, as festas juninas não estão associado muito a colheita. Por aqui, neste momento, é comemorado as colheitas do milho, manifestações religiosas aos santos do mês de junho”. As cerimônias são herança da cultura europeia portuguesa.

“A manutenção disso tem a ver com alguns epicentros. A meu ver, uma espécie de polaridade do estado de Pernambuco. Além de produzir fama e rivalidade entre Campina Grande (PB) e Caruaru (PE). Apesar disso, há desdobramentos em outras cidades da Bahia, do Rio Grande do Norte e daqui do Ceará. Garantindo essa apropriação nordestina”, destaca Dennys. Para o professor, nos municípios do Cariri e em Maracanaú há essa característica nordestina muita forte.

Ceará Junino  Esta segunda-feira, 13, foi o último dia para submeter inscrições ao XXI Edital Ceará Junino 2019.

Conheça as categorias três categorias do Ceará Junino 2019

> A categoria Quadrilha Junina tem objetivo de fomentar a promoção e manutenção de manifestações artísticas típicas do período junino no Estado, para essa modalidade podem se inscrever somente Pessoas Físicas.

> A categoria Festival Regional de Quadrilhas Juninas, por sua vez, têm caráter voltado para o competitivo e reúne quadrilhas que devem se apresentar ao público em geral, em locais ou órgãos públicos de fácil acesso. Nesse caso, as inscrições podem ser feitas apenas por Pessoa Jurídica de Direito Privado da Administração Municipal.

> Por fim, a terceira categoria corresponde ao Campeonato Estadual Festejo Ceará Junino, que reúne até 21 quadrilhas vencedoras dos festivais regionais apoiados pelo edital.

Italo Cosme/ especial para O POVO