PUBLICIDADE
Fortaleza
NOTÍCIA

Morre a histórica militante cearense de esquerda Cacau

A militante foi presa e brutalmente torturada durante 15 dias no DOI-Codi, órgão de repressão do governo na ditadura militar

15:40 | 27/04/2019
Maria do Carmo Serra Azul, mais conhecida como Cacau, começou sua militância ainda na adolescência, aos 13 anos de idade, na Juventude Estudantil Católica.
Maria do Carmo Serra Azul, mais conhecida como Cacau, começou sua militância ainda na adolescência, aos 13 anos de idade, na Juventude Estudantil Católica.(Foto: Reprodução/Youtube)

A histórica militante de esquerda Maria do Carmo Serra Azul, mais conhecida como Cacau, morreu aos 68 anos na madrugada deste sábado, 27. Ela ficou conhecida pela atuação política durante a ditadura militar, no qual foi presa e torturada durante 15 dias no 23º Batalhão de Caçadores (23º BC). O velório acontece na tarde deste sábado, na funerária Ethernus, na Aldeota.

A ativista começou sua militância ainda na adolescência, aos 13 anos, na Juventude Estudantil Católica. Quatro anos depois, Cacau foi diretora dos estudantes secundaristas do Ceará e participou da chamada Revolta das Saias.

Em 1970, durante o período ditatorial, a militante foi detida e interrogada devido à suspeita de ligação com o Partido Comunista Brasileiro Revolucionário (PCBR). Dois anos depois, foi presa e brutalmente torturada no DOI-Codi, órgão de repressão do governo brasileiro subordinado ao Exército. Cacau sofreu três paradas cardíacas devidos aos choque e afogamentos, tendo que ser reanimada pelo médico presente nas sessões de tortura.

Em um encontro de vítimas da ditadura militar, realizado na Assembleia Legislativa em 2014, Cacau ressaltou que a tortura era uma prática comum no regime. “Diziam que as torturas não eram institucionalizadas, mas é mentira", relata.

Ela ainda comentou no evento que inicialmente as manifestações de protesto contra o regime militar eram pacíficas, mas que isso mudou devido ao comportamento do governo. "Devido à violenta repressão, formaram-se grupos de autodefesa, que se tornaram posteriormente os grupos da luta armada”, afirmou a militante.

Redação O POVO Online