Travesti é baleada por motoqueiro após festa; suspeito ainda não foi identificado
A Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS) informou que a apuração da ocorrência é de responsabilidade do 11º Distrito Policial e que o suspeito ainda não foi identificadoAtualizada em 8 de março, às 11h44min
Uma travesti foi baleada por um motoqueiro após festa no bairro Benfica, em Fortaleza, na noite dessa terça-feira, 5. O suspeito do crime ainda não foi identificado.
É + que streaming. É arte, cultura e história.
Voltando de uma festa no Benfica, um grupo de amigos foi ofendido por um motoqueiro que passava pelo local, que usou de xingamentos transfóbicos. Um dos presentes, que é travesti, respondeu ao motoqueiro, entrando, em seguida, em luta corporal com ele. Quando uma outra integrante do grupo, que também é travesti, interveio, o motoqueiro sacou uma arma de fogo e disparou contra a segunda travesti, identificada como Kahlo.
De acordo com um dos amigos da vítima, que estava no local durante a agressão, o suspeito teria sido empurrado por Kahlo para tirá-lo de perto da amiga. Nesse momento, o motoqueiro sacou a arma e atirou na perna da vítima. O suspeito conseguiu fugir na moto sem ter a placa do veículo identificada.
Foi feita uma ligação para o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), mas o socorro não foi aguardado. Um motorista de ônibus que passava no local ofereceu ajuda ao grupo, levando a vítima baleada desde o local da agressão, avenida da Universidade esquina com a rua Juvenal Galeno, até perto da Praça da Bandeira. Por conta da gravidade do ferimento, Kahlo não conseguia andar e não pode ser carregada pelos amigos pelo resto do trajeto.
Segundo o relato do grupo, uma viatura com agentes de trânsito que estava no caminho negou ajuda à vítima por não poder abandonar o posto. Uma das amigas seguiu sozinha até o Instituto Doutor José Frota (IJF), encontrando uma viatura de Polícia na frente do hospital.
Os policiais já estavam cientes do fato, segundo uma das amigas, mas demoraram a socorrer a vítima por conta dos procedimentos para apurar a ocorrência. Por fim, os policiais levaram Kahlo até o IJF, onde recebeu atendimento.
Após ajudar uma integrante do grupo que teve uma reação nervosa diante da agressão, a amiga de Kahlo relatou que sentiu descaso no atendimento. "A Polícia (estava) desrespeitando a gente e mandando a gente sair, dizendo que a gente estava fazendo baderna e puxando a gente pelo braço", disse ela.
"As pessoas não estão nem ai pra gente. A Polícia, o governo, são eles que estão matando a gente. É do interesse deles que a gente morra também. Perceber isso foi o que me quebrou. Não tinha ninguém pra proteger a minha amiga ali. Se eles não fossem obrigados pela lei, não estariam nem atendendo ela", desabafou.
Após receber atendimento, Kahlo já estava bem por volta da meia noite desta quarta-feira, 6. Ela havia sido medicada e tratada e aguardava decisão médica para saber se seria liberada ou continuaria internada.
Por meio de nota, a Polícia Militar do Ceará (PMCE) informou que um grupo de amigos "se envolveu em discussão com um indivíduo que trafegava em uma motocicleta, tendo este sacado uma arma de fogo e alvejado a coxa esquerda" de Kahlo. A PMCE destacou que a viatura socorreu a vítima "apesar de ter sido hostilizada pelo grupo". A nota também identifica Kahlo como "homem", ignorando o nome social.
A Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS) informou que a apuração da ocorrência é de responsabilidade do 11º Distrito Policial e que o suspeito ainda não foi identificado. Em novo posicionamento, enviado nesta sexta-feira, 8, a pasta diz que, "por medida de segurança, não repassa nomes de vítimas" que tenham sobrevivido ao crime e que, "quando se trata de vítima fatal, que seja travesti e chega ao conhecimento da SSPDS, a vítima sempre é identificada pelo nome social, seguido do registro civil".