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Segurança das barragens

Órgãos de recursos hídricos negam risco de rompimento de barragem no Ceará

De acordo com representantes de instituições responsáveis pelos recursos hídricos no Estado, não há comparativos reais entre barragem de Brumadinho com as cearenses

23:14 | 07/02/2019
Wanderson Trindade / Especial para O POVO
Wanderson Trindade / Especial para O POVO

A comoção que tocou brasileiros depois da tragédia de Brumadinho também levantou um questionamento: “E se fosse aqui?”. Após o desastre acontecido na cidade mineira, relatório da Agência Nacional de Águas (ANA) apontou que oito açudes cearenses apresentam alto risco. De acordo com órgãos responsáveis por monitorar e fiscalizar recursos hídricos no Estado, no entanto, a possibilidade de rompimento é descartada.

Durante discussão promovida pelo Conselho Estadual do Meio Ambiente (Coema), realizada na Superintendência Estadual do Meio Ambiente (Semace), na tarde desta quinta-feira, 7, representantes de diferentes instituições explicaram que o termo de classificação utilizado pela ANA não retrata uma real chance de ruptura. Diretor de operações da Companhia de Gestão dos Recursos Hídricos (Cogerh), Bruno Rebouças afirmou que um dos fatores responsáveis por aumentar o grau de risco acontece pela própria formação histórica do povo cearense.

De acordo com ele, por sofrer constantemente com secas, naturalmente os cearenses sempre buscaram estar próximos a reservas de água, o que representaria por si só uma possível ameaça. “Então independentemente da barragem oferecer risco de ruptura, ela já é classificada com nível potencial alto por causa das populações instaladas abaixo dela”, explicou.

Titular da Secretaria de Recursos Hídricos (SRH), Francisco Teixeira afasta qualquer paralelo feito entre barragens cearenses com a que rompeu em Brumadinho, no último dia 25 de janeiro. “A barragem de Brumadinho não tem nada a ver como as que são feitas para acúmulo de água. Seja o Governo do Estado, seja o Dnocs (Departamento Nacional de Obras Contra as Secas), ninguém faz barragem como essas de rejeitos”, declarou.

Para construir esse tipo de empreendimento no Ceará, é preciso obter autorizações expedidas pela Semace, que atualmente monitora 155 barragens. Dessas, 81 são de responsabilidade do Dnocs que, segundo Teixeira, “tem tradição secular”, desde a construção do açude de Cedro, em Quixadá. “Não se tem notícia de barragem do Dnocs arrombada”.

Representante do departamento na reunião, Raquel Rebouças celebrou a segurança das construções da instituição, mas alertou ainda sobre imprevistos que podem acontecer. Como exemplo ela citou o rompimento da barragem do açude de Orós, em 26 de março de 1960, quando a obra não estava completamente finalizada. O livro a “Tragédia do Orós”, do economista Pedro Sisnando Leite, retrata que “em 4 dias precipitaram-se 400 milímetros e, em 10 dias ou 12 dias, mais de 700 milímetros, o que é equivalente quase à descarga pluviométrica de um ano de regular inverno”.

“Houve um desastre de grande proporção, mas a construção não estava acabada e as chuvas foram anormais”, enfatizou, ponderando em seguida: “Agora temos que discutir o compartilhamento de responsabilidades. Uma instituição sozinha não consegue manter com regularidade e com confiança a segurança das barragens”.

Representando o Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Ceará (Crea-CE), Emanuel Maria Mota enfatizou que o acidente ocorrido em Brumadinho impactou tanto o meio ambiente quanto a sociedade, devido às 157 mortes registradas. “Mas é preciso não majorar o problema, porque o que vemos de lá de Minas Gerais não é a realidade daqui do Ceará”, assegurou.

Ele informou ainda que o Governo Estadual possui cerca de 30 mil barragens para monitorar, ao mesmo tempo que não tem técnicos o suficiente para tal. “Mas o Crea Ceará tem 30 mil profissionais registrados, então existe braço para fazer esse monitoramento”, manifestou.

WANDERSON TRINDADE