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Termo "ataque em Fortaleza" nunca foi tão pesquisado por cearenses no Google em cinco anos

O POVO Online fez um levantamento dos termos com maior aumento nas pesquisas desde o início da onda de ataques

13:44 | 23/01/2019
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O início da onda de ataques em Fortaleza repercute de diferentes formas na vida de cidadãos comuns. Coletivos queimados, pontes e viadutos atacados por explosivos, e escolas e agências bancárias incendiadas são alguns exemplos de como os ataques criminosos têm alterado o cotidiano das pessoas. 

Com a popularização de smartphones, a Internet tem se tornado acessível para uma maior parte da população, que se informa, entre outras maneiras, por pesquisas em buscadores, como o Google. Desde o início dos ataques, os termos “facções”, “segurança pública” e “ataque em Fortaleza” têm tido um aumento significativo em pesquisas do buscador. O termo “ataque am Fortaleza" entre os dias 30 de dezembro de 2018 e 5 de janeiro de 2019 nunca foi tão pesquisado por cearenses no Google.

A noite do dia 2 de janeiro deste ano foi o pontapé para o início da onda de violência em Fortaleza. No dia anterior, o recém-empossado secretário da Administração Penitenciária, Mauro Albuquerque, afirmava não reconhecer facções criminosas no Estado e não manter o modelo atual de divisão dos presídios, baseado na separação por grupos criminosos.
 
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Com pelo menos dois ônibus incendiados e uma tentativa de derrubar um viaduto em Caucaia, a Capital e Região Metropolitana já ficavam em sinal de alerta. Um dos dados para isso foi o número de pesquisas registradas no Google. Em uma escala de 0 a 100, na qual zero significa que não foram registrados dados suficientes para o termo e 100 significa o pico da popularidade, as pesquisas por “facções” e “ataque em fortaleza” saíram de 0 e alcançaram a marca de 59 e 60, respectivamente.

No quarto dia de ataques (5 de janeiro), houve um alto índice de buscas, de 71 a 100, pelo termo “segurança pública”. Ao mesmo tempo, não foram registradas pesquisas significativas por “facções”, estacionando em 0. A partir desse dia, os valores se inverteram, “segurança pública” caiu para zero e “facções” atingiu o pico de popularidade (100) no dia 7 de janeiro, sexto dia de ataques e quando começaram a surgir boatos acerca de toques de recolher. Feito liderado por grupos criminosos em resposta à ação da Polícia, segundo a Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS).

Para Celina Lima, professora da Universidade Federal do Ceará (UFC) e pesquisadora do Laboratório de Estudos da Violência (LEV), o aumento da pesquisa por facções surge a partir de uma maior presença em veículos de mídia tradicionais em relação a outros anos. Além disso, fala que isso se deve há uma descrença nos mecanismos de segurança pública. “Há uma ideia de que o Estado perdeu a luta”, afirma.

A pesquisadora argumenta de que é preciso atuar nos espaços que o Estado falhou e assim reduzir a influência das facções. Celina reforça a necessidade de políticas públicas que tirem crianças e jovens das ruas, direcionando-os para outras atividades. Ela também defende o investimento do Estado em linhas de investigação para diminuir o tamanho dos grupos criminosos.

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No Estado, quatro cidades atingiram pico de popularidade (100) em relação ao termo “facções”. Entre elas, estão Maracanaú e Caucaia, cidades alvos de vários ataques, como a derrubada de uma torre de transmissão de energia elétrica e o incêndio de uma creche, respectivamente. Também integram essa lista as cidades de Sobral e Juazeiro do Norte.

Histórico

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Nos últimos cinco anos, o período com a segunda maior quantidade de pesquisas relacionadas ao termo “facções” aconteceu durante o episódio que se tornou a maior chacina do Ceará, no dia 28 de janeiro de 2018. Conhecido como Chacina das Cajazeiras, a motivação para o assassinato de 14 pessoas foi a ação de uma organização criminosa para intimidar outra, que dominava a área onde o ataque foi realizado. No período entre o dia 28 de janeiro e 3 de fevereiro de 2018, o número de pesquisas ficou em 71, em uma escala de 0 a 100.

Outro intervalo que teve um alto índice de pesquisas no Ceará ocorreu em abril de 2017, quando 30 ônibus e seis prédios públicos foram atacados por grupos criminosos. Essa é considerada a segunda maior onda de ataques que o Estado já enfrentou, atrás apenas da série atual, que superou a marca ainda no quarto dia de ataques.

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O Google, por meio da ferramenta “Trends”, mantém o monitoramento do histórico de pesquisas desde 2004. A partir desse ponto, já podia se notar uma curiosidade dos usuários cearenses da plataforma em relação às facções. O POVO Online fez um levantamento e já havia grandes reportagens no jornal O POVO em relação à organização de grupos criminosos no Estado. 

Em 2005, ano que ocorreu o assalto ao Banco Central, quatro repórteres do jornal assinavam uma investigação afirmando que o Ceará estava no “mapa do crime brasileiro como zona de associação criminosa e recrutamento para grandes organizações do crime”.

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