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Casos de endometriose atingem entre 10% e 15% das mulheres

| NO MUNDO | Mutirão de cirurgias é transmitido ao vivo durante o I Encontro de Endometriose Profunda, do Hospital César Cals para o HGF, ontem e hoje. Participantes do evento acompanham cirurgias feitas por meio de videolaparoscopia

20:00 | 25/01/2019
FORTALEZA, CE, BRASIL, 25-01-2019: Transmissão de cirurgia de endometria, Hospital Cesar Cals Centro(Foto: Gustavo Simão/ Especial para O Povo)
FORTALEZA, CE, BRASIL, 25-01-2019: Transmissão de cirurgia de endometria, Hospital Cesar Cals Centro(Foto: Gustavo Simão/ Especial para O Povo)

Uma doença inflamatória crônica, de difícil diagnóstico e que atinge entre 10% e 15% das mulheres em todo o Mundo alcançou Diana Rodrigues, 30, duas vezes. Os primeiros sintomas da endometriose profunda foram sentidos em 2013. A dona de casa constatou que as cólicas menstruais pioraram consideravelmente e sentia dores durante as relações sexuais. “Meu marido ficou preocupado. Busquei ajuda”, diz. Quase seis anos após o procedimento para tratamento da doença, os sintomas voltaram. E ela é uma das quatro pacientes que serão atendidas no I Encontro de Endometriose Profunda.

A conferência reúne diversos especialistas para realizar as cirurgias até a tarde deste sábado, no Hospital César Cals. Quatro procedimentos, feitos por meio de videolaparoscopia, serão realizados na unidade e são transmitidos ao vivo para o Hospital Geral de Fortaleza (HGF), onde outros profissionais também participam e acompanham o procedimento. São médicos de diversas especialidades, como ginecologista, urologista e gastroenterologista.

O médico Marinaldo Cavalcante faz parte da equipe e afirma ser fundamental, para o sucesso do procedimento, a realização de cirurgias por meio de videolaparoscopia. Desse modo, segundo o ginecologista, a incisão se dá apenas por pequenos furos na barriga. “Tem contraindicação da técnica aberta (cirurgia convencional, por incisão no ventre) porque ela pode piorar a doença e a recuperação é mais demorada. O primeiro passo é o tratamento da dor e realizar a limpeza de todo o endométrio que se espalhou para fora do útero”, aponta.

A enfermidade é genética e, segundo o médico, é causada pelo tecido que recobre internamente o útero, chamado de endométrio. O tecido se espalha pela camada interna do abdomem e pode atingir diversos órgãos, formando nódulos. Com isso, há a inflamação crônica. “Ela pode atingir bexiga, intestino, ureter, entre outros órgãos. Por isso, é tão importante a participação outros profissionais médicos especialistas”, delimita.

O procedimento de Diana terá foco no intestino, ovários, útero e rim. A reincidência, como no caso da paciente, acontece em apenas 5% dos casos após a cirurgia por meio do vídeo. Os sintomas de cólica e dores nas costas vieram como sinal de que a enfermidade tinha voltado na paciente. “Cheguei a desmaiar de dor e procurei o hospital”, lembra ela. Os casos de retorno da enfermidade, com o nosso procedimento por videolaparoscopia, reduziram significativamente de 40% para 5%, ainda de acordo com médico.

A médica Kathiane Lustosa informa que a endometriose inclui ainda outros sintomas. Ginecologista especialista na doença e professora da residência médica na Maternidade Escola Assis Chateaubriand, da Universidade Federal do Ceará, ela elenca outros sintomas como alerta para a enfermidade: dores ao defecar e urinar e dificuldade em engravidar. “A doença deve ser diagnosticada precocemente”, alerta. Apesar de ser uma doença crônica e genética, existem algumas formas de redução dos sintomas, como a prática de atividades físicas e de alimentação saudável. “A paciente terá uma vida com mais conforto. É fundamental ter o acompanhamento especializado para ver a indicação cirúrgica”, assinala.