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CRIME SEXUAL

Mulher denuncia assédio sofrido em ônibus de Fortaleza

Homem que tirava fotos da vítima chegou a chamá-la de "louca" quando teve seu comportamento questionado

15:23 | 25/01/2019
Projeto da Prefeitura de Fortaleza prevê criação de canal de denúncia no aplicativo Meu Ônibus (Foto: Aurélio Alves/ O POVO)
Projeto da Prefeitura de Fortaleza prevê criação de canal de denúncia no aplicativo Meu Ônibus (Foto: Aurélio Alves/ O POVO)

Depois de um dia de trabalho, Lorrany Medeiros voltava para casa de ônibus com colegas quando foi avisada pela amiga que um homem estaria tirando fotos dela sem autorização. “Eu estava em pé de costas para onde ele estava sentado. Ele estava tirando fotos da minha bunda”, relata. O caso ocorreu na noite dessa quinta-feira, 24, por volta das 19h30min, na linha que faz o trajeto entre os terminais Antônio Bezerra e Papicu.

Quando percebeu o que estava acontecendo, Lorrany disse que começou a reclamar da situação para o homem. “Ele disse que eu estava ficando doida. É a primeira coisa que eles falam, né? Chamam a gente de louca. Disse que não estava tirando fotos e que eu poderia olhar o celular dele”, relembra a promotora de vendas. No momento do assédio, o homem estava com colegas de trabalho. Lorrany chegou a filmar a situação, mas ficou sem acesso às imagens, pois o vídeo foi feito no celular de um desconhecido. Também não quis ver o celular do homem, pois acreditava que ele já tinha apagado as fotos.

“Não é a primeira vez que isso acontece comigo. Outra vez estava no ônibus sentada, cochilando, e um homem ficou roçando o pênis em mim. Quando acordei, ele resolveu descer no próximo ponto”, diz Lorrany. Desta vez, a mulher não se acanhou para reclamar do assédio. “Se a gente não alarmar, vai continuar acontecendo todos os dias”. As pessoas que estavam presentes no momento deram apoio e pediram para que ela chamasse a Polícia. Pela pressão da população, o homem desceu junto de Lorrany para falar com policiais que faziam patrulha na área.

+ Saiba como proceder em situação de assédio em ônibus

De acordo com a vítima, os agentes de segurança tomaram conhecimento da situação e orientaram que ela registrasse o assédio com um Boletim de Ocorrência (B.O). Lorrany pretende seguir a instrução. Durante a conversa com os policiais, o homem continuou falando que não tinha tirado fotos. “Ele estendeu a mão para mim, mas eu não quis pegar. Não queria que ele achasse que eu queria aparecer. Foi uma situação muito constrangedora, eu não merecia passar por isso”, conta.

Em novembro de 2018, a Prefeitura de Fortaleza anunciou a criação de um “botão de pânico” no aplicativo Meu Ônibus para denúncias de assédio dentro do transporte público. A ferramenta deveria começar a funcionar neste mês de janeiro, mas ainda não foi implantada. A ação faz parte do Programa Municipal de Combate ao Assédio Sexual no Transporte Público, que prevê também campanhas de conscientização para população e para os trabalhadores do serviço. Questionada sobre o lançamento do botão, a Secretaria de Conservação e Serviços Públicos (SCSP) ainda não se pronunciou.

“Vivemos num mundo muito complicado. Mulheres passam por isso todos os dias. A gente sai do trabalho cansada e ainda passa por essas situações. Ninguém merece isso”, reclama Lorrany. Em setembro do ano passado, o ministro Dias Toffoli sancionou a lei que tipifica assédio sexual como crime. A pena prevista é de 1 a 5 anos de prisão. De janeiro a agosto de 2018, a Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social do Ceará (SSPDS) contabilizou 1.209 vítimas de crimes sexuais no Estado.