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CARIOCA

Após ser baleado, sequestrador de dom Aloísio é mantido no IJF

Antônio Carlos Sousa Barbosa chegou a ser levado para sala de reanimação. O POVO Online apurou que adolescente seria o responsável por tiros que atingiram ex-detento, solto desde dezembro

13:34 | 31/01/2019
Carioca deu entrevista ao O POVO em setembro de 2018
Carioca deu entrevista ao O POVO em setembro de 2018

Antônio Carlos Sousa Barbosa, o Carioca, de 52 anos - mentor e líder do sequestro do ex-arcebispo de Fortaleza, cardeal dom Aloísio Lorscheider - está internado no Instituto Doutor José Frota (IJF), em Fortaleza. Seu estado é considerado grave. Ele deu entrada no hospital na manhã da última terça-feira, por volta das 11h30min, após ser atingido a bala numa rua da comunidade Oitão Preto, no Centro. O POVO Online apurou que chegou a ser levado para a sala de reanimação do hospital, por conta da gravidade dos ferimentos.

Leia mais: Carioca - Memórias de uma vida no crime

Carioca foi liberado do sistema prisional do Estado no fim de 2018, após cumprir o tempo máximo de 30 anos de cadeia, conforme a legislação penal brasileira. O sequestro foi em 1994 em visita do cardeal ao Instituto Penal Paulo Sarasate (IPPS). Desde maio do ano passado, ele estava finalizando sua pena no Instituto Presídio Professor Olavo Oliveira (IPPOO) II, que passava dos 100 anos em diversas sentenças por assaltos, homicídios e sequestros - confirme processos registrados em comarcas do Ceará, São Paulo e Rio de Janeiro.

O POVO Online também apurou que o responsável pelos tiros que atingiram Carioca foi um adolescente, de 16 anos. O jovem já teria sido identificado pela Polícia Militar, mas não chegou a ser apreendido. Carioca teria ido ao Oitão Preto, conforme as informações levantadas junto a fontes policiais, e acabou confundido com rivais de criminosos que atuam na região. Não estaria nem armado, segundo um oficial PM que pediu para não ser identificado.

A ocorrência foi coberta por policiais da 1ª Companhia do 5º Batalhão da PM e o caso estaria registrado na Coordenadoria Integrada de Operações de Segurança (Ciops) como um caso de lesão por arma de fogo.

Uma curiosidade: em 1997, após uma de suas várias fugas do sistema penitenciário, Carioca chegou a ser preso numa casa do Oitão Preto vestido de mulher, com peruca e vestido. À época, ele admitiu que havia sido ajudado por uma travesti que morava na comunidade.

No último dia 6 de novembro, O POVO publicou entrevista com Carioca, em que ele contou detalhes de sua vida de crimes e relatou informações inéditas do sequestro de dom Aloísio e de seu envolvimento com facções criminosas e da rotina dentro das cadeias. Disse até que fez parte do grupo criminoso que realizou, em 1989, o sequestro do empresário Abílio Diniz, então sócio majoritário do grupo Pão de Açúcar. Carioca é cearense, mas ganhou o apelido desde muito jovem, quando foi morar com os pais no Rio de Janeiro. Lá teria se iniciado no crime.

Veja entrevista de Carioca ao O POVO em setembro passado: