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Fortaleza
POLÍCIA CIVIL

Golpe no WhatsApp fez ao menos 50 vítimas no Ceará; entenda e veja dicas para não cair

Criminosos resgatam chips e cadastram WhatsApp em novo aparelho para se passar por parentes ou amigos das vítimas e depois pedir dinheiro. No Ceará, 50 pessoas já registraram Boletim de Ocorrência

17:20 | 05/12/2018
Criminosos resgatam chips e cadastram WhatsApp em novo aparelho para se passar por parentes ou amigos das vítimas e depois pedir dinheiro. No Ceará, 50 pessoas já registraram Boletim de Ocorrência (Foto: AFP)
Modalidade de crime cibernético tem feito milhares de vítimas em todo o País. Criminosos resgatam linhas telefônicas de celulares e se passam por parentes e amigos de vítimas pelo WhatsApp para depois extorquir dinheiro. De acordo com a Polícia Civil do Ceará, uma análise é realizada para a escolha de cada alvo.
  
O crime é investigado há três anos pela Célula de Inteligência Cibernética do Departamento de Inteligência Policial (DIP). Diretor da célula, Julius Bernardo explica que golpistas compravam chip novo e solicitavam o resgate do número da vítima escolhida.
  
Com o número em mãos, os suspeitos cadastravam o WhatsApp em outro aparelho e passavam a conversar com contatos próximos da vítima. Os diálogos variavam de acordo com cada pessoa. Para algumas, eram solicitadas pequenas quantias para supostas emergências, como troca de pneus, compra de eletrodomésticos, entre outras necessidades básicas.
  
Delegado-geral da Polícia Civil, Everardo Silva (à esquerda) e diretor da célula, Julius Bernardo (à direita) (Foto: Wanderson Trindade / Especial para O POVO)
Com outras pessoas, por outro lado, dinheiro era pedido para pagamento de serviços contratados ou até mesmo para compras de carros.
  
“Já identificamos alguns envolvidos, que inventam uma situação de acordo com a história da vítima”, informou o diretor da Célula do DIP, em coletiva de imprensa na tarde desta quarta-feira, 5.
  
Julius comunica mais: “Percebemos ainda que os golpistas têm feito pesquisa entre as vítimas que são atacadas. Procuram pessoas com um bom poder aquisitivo, políticos e também funcionários de instituições públicas.”
  
(Foto: Wanderson Trindade / Especial para O POVO)
A partir do momento em que as vítimas depositam dinheiro em uma conta bancária, os criminosos recrutam “laranjas” para sacar a quantia. “Esclarecemos que o simples fato de emprestar uma conta, a pessoa já comete também um crime. Eles estão facilitando que o crime seja praticado. Podem ser enquadradas por estelionato”, complementou.
  
Informação para polícia
  
Pelo fato de ser realizado pela internet, o crime pode ser praticado de qualquer lugar do Brasil. De acordo com o delegado-geral da Polícia Civil, Everardo Silva, essa é uma característica que cria certa “complexidade para investigação”. “Inclusive temos situação de crime identificado em outros estados. Já estamos trabalhando em busca das ordens de prisão, e busca e apreensão, se for o caso”, comunicou o militar.
  
Até o momento, mais de 5 mil registros desse golpe foram assinalados em todo o País, os quais apontam para valores transferidos entre R$ 70 e R$ 80 mil. “É interessante destacar a importância de comunicar o fato à Polícia. Algumas pessoas, por terem sofrido golpe pequeno, entendem que não vale a pena informar. Pensam que internet é ‘terra de ninguém’, mas não é”, atestou.
  
Para ele, porém, mesmo dispondo de grande demanda, a Polícia tem meios de investigar e chegar aos criminosos. “Quando pegamos um autor, com certeza, vinculado a ele existem várias outras vítimas”, disse.
  
Proteção
  
Usuários podem ativar uma ferramenta do próprio WhatsApp para melhorar a segurança na plataforma. No aplicativo, basta ativar a opção “Verificação em duas etapas”, a qual dificulta possíveis invasões à conta.
  
Siga os passos: Abra o WhatsApp > Configurações > Conta > Verificação em duas etapas > Ativar.
  
Depois de ativado o recurso, usuário terá a opção de inserir um código numérico (PIN) duas vezes e um endereço de e-mail. Desta forma, o WhatsApp comunicará qualquer tentativa de desbloqueio do aplicativo ou desativação da funcionalidade.
 

WANDERSON TRINDADE