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Jovens têm que "jurar fidelidade às facções" para sobreviverem, diz ministro

De acordo com Raul Jungmann, há pelo menos 70 facções atuando no País, e todas elas "se estruturam, coordenam e comandam o crime nas ruas, a partir do sistema prisional"

15:12 | 18/12/2018
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O ministro da Segurança Pública, Raul Jungmann, apontou a cultura do encarceramento em massa como fator que favorece a expansão das organizações criminosas no Brasil. Segundo ele, há pelo menos 70 facções atuando no País, e todas elas “se estruturam, coordenam e comandam o crime nas ruas, a partir do sistema prisional”.

“O jovem que vai para dentro do sistema prisional, que é controlado pelas gangues e facções, para sobreviver no sistema, que é estatal, ele tem que jurar fidelidade às facções. E aí, às vezes, um jovem que a gente poderia estender a mão, recuperar para ele estar conosco, a gente perde ele definitivamente. Essa é a tragédia, é a nossa grande tragédia”, lamentou.
[SAIBAMAIS]
Jungmann concedeu entrevista ao O POVO, no último dia 7, quando da inauguração do Centro de Inteligência do Nordeste. Na ocasião, enfatizou que seu posicionamento não significa “passar a mão na cabeça de bandido”, mas que são necessárias medidas que mudem a realidade do sistema penitenciário, que concentra jovens “negros e pardos, com baixa escolaridade, pouca renda e família desestruturada”.

“Quem fez, tem que pagar. Mas não se combate gripe com quimioterapia. Jogar um jovem que cometeu um furto de bicicleta ou que era usuário de drogas nas mãos da facção, para que ela o julgue e ele seja eternamente escravo dessa facção, isso não faz sentido”, defendeu. “Falamos o tempo todo de repressão porque estamos expostos nas ruas, mas o melhor programa de segurança é a prevenção social. Estamos inviabilizando uma parcela significativa da nossa juventude”, completou.

Nos nove meses de existência do ministério, que será fundido à pasta da Justiça, Jungmann destaca o início da construção de uma Câmara Setorial de Prevenção Social aplicada à Segurança. Entretanto, não considera isso suficiente para suprir o déficit de uma politica nacional de prevenção social focada nos jovens entre de 15 a 24 anos, faixa etária que concentra grande parte dos autores de homicídios, localizados, em sua maioria, em cerca de 200 das 5.570 cidades do País.

“Sabemos o grupo vulnerável e os principais centros de violência. Teríamos que fazer, e espero que venha a ser feito, pois começamos, mas não consolidamos, é uma politica nacional de educação esporte, cultura, saúde e emprego voltada para esses jovens. Não precisa de dinheiro novo, basta que os ministérios, articulados e coordenados, foquem e priorizem esse público. Ele precisa ser alcançado antes que, pela fragilidade e vulnerabilidade, seja levado ao crime organizado”, considera.

Como forma de auxiliar aqueles que deixam o mundo do crime, Jungmann destacou o Decreto 9.450, publicado no Diário Oficial da União, no último dia 25 de julho, que institui a Política Nacional de Trabalho no Âmbito do Sistema Prisional, criando vagas de emprego para egressos.

“Toda e qualquer licitação do Governo Federal, acima de R$ 330 mil, a empresa vencedora tem que contratar, entre aqueles que vão assumir aquela obra, 2% de egressos. E na medida em que o valor sobe, cresce também a cota que deve ser contratada, chegando até 6%. Além disso, fechamos acordo com o Ministério do Trabalho para levar a Escola do Trabalhador, que é o ensino à distância, ao sistema prisional, propiciando, no caso dos que estão presos, aceso à educação”, concluiu.

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