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Água da transposição chega entre março e abril; espera depende do novo governo, diz secretário

Para o secretário dos Recursos Hídricos do Estado, Francisco Teixeira, ainda é preciso esperar a determinação do novo governo federal quanto ao andamento da transposição

19:53 | 05/12/2018
O presidente da Cogerh, João Lúcio Farias; o secretário dos Recursos Hídricos, Francisco Teixeira; e 
o presidente do  Comitê das Bacias Hidrográficas da Região Metropolitana de Fortaleza (CBH-RMF), Francisco Nildo da Silva
O presidente da Cogerh, João Lúcio Farias; o secretário dos Recursos Hídricos, Francisco Teixeira; e o presidente do Comitê das Bacias Hidrográficas da Região Metropolitana de Fortaleza (CBH-RMF), Francisco Nildo da Silva (Foto: Aurélio Alves/O POVO)
As águas da Transposição do Rio São Francisco para o Ceará podem demorar um pouco mais que o prometido. A espera, segundo o secretário dos Recursos Hídricos, Francisco Teixeira, pode se estender até abril de 2019. Ele diz que, como o processo é acompanhado pelo Ministério da Integração, o andamento após a conclusão das obras vai depender da determinação do governo que assumirá o País no próximo dia 1º.
Nesta manhã, o presidente da Companhia de Gestão dos Recursos Hídricos (Cogerh), João Lúcio Farias, o secretário dos Recursos Hídricos, Francisco Teixeira, e o presidente do Comitê das Bacias Hidrográficas da Região Metropolitana de Fortaleza (CBH-RMF), Francisco Nildo da Silva, participaram da celebração de 15 anos do CBH-RMF, na sede do Banco do Nordeste do Brasil (BNB). Os comitês funcionam como instâncias colegiadas às 12 bacias hidrográficas, democratizando alocação de água, refletindo na gestão participativa, integrada e descentralizada dos recursos hídricos.

No último dia 20, o presidente do Congresso Nacional, Eunício Oliveira, afirmou que a obra deveria ficar pronta até este mês e que a conclusão para o repasse das águas levaria de 30 a 60 dias. Com isso, a espera ficaria entre fevereiro e março próximo, começo da quadra chuvosa no Estado. O governador Camilo Santana e o ministro da Integração Nacional, Pádua Andrade, prometeram a inauguração do trecho Salgueiro-Jati para o próximo dia 20.

"Uma coisa é concluir a obra, outra é o enchimento de trechos de canal dos reservatórios. O processo de bombeamento precisa ser mais vagaroso. Poderemos ter água ao longo do primeiro trimestre, acredito que no final de março ou abril", afirma o secretário. De acordo com Teixeira, a velocidade de enchimento dos trechos que vai determinar o tempo de chegada da água. "Esse processo vai ficar para o próximo governo e vamos ver o que ele vai determinar". 
O ideal é que as águas do São Francisco cheguem ao Ceará durante a quadra chuvosa para, misturada com a água da chuva, desaguar com mais facilidade nos grandes reservatórios, como o Castanhão. A facilidade de condução da água cresce em rios já encharcados e com vazões.

Preparando terreno para os meses de fevereiro a maio, quando acontece a quadra chuvosa, o início da pré-estação já surpreende. Mais de 60 municípios registraram precipitações entre essa terça-feira, 4, e esta quarta, 5. Em Ubajara, na serra da Ibiapaba, a precipitação foi de 102 mm. Ibiapina marcou 96 mm. 

Apesar disso, o cenário ainda é de incerteza quanto a 2019. Principalmente com a chegada do El Niño, fenômeno associado à redução de chuvas no Estado. O presidente da Cogerh, João Lúcio Farias, afirma que a pré-estação pouco tem influenciado nos açudes.
 
"Tivemos recuperação em açudes isolados mas essa chuva ainda é inicial. Ainda não teve impacto nos reservatórios. Até o momento, é muito reduzido. O que ajuda é a diminuição da evaporação, que é importante nesse momento, e a umidade ao solo", explica. "A umidade do solo, molhando nossos rios, é importante para melhorar o escoamento na quadra invernosa".

O cenário atual é de aquecimento no Oceano Pacífico com tendência de diminuição. A expectativa é que, durante a quadra, o fenômeno esteja moderado ou neutro. Nesse sentido, o Atlântico definiria a quadra chuvosa do Ceará com a formação da Zona de Convergência Intertropical.

Cenário de imprevisibilidade 

Hoje, a reserva no Estado é de 11,22%. Em agosto deste ano, os reservatórios estavam com 15,5% da capacidade. A situação é a melhor na média estadual, mas as regiões apresentam contextos diferenciados. "As bacias hidrográficas do litoral e as bacias mais ao Norte estão em situação mais confortável. A bacia do Coreaú com mais de 60%, litoral com mais de 50%. São contextos que começam 2019 mais confortável", projeta João Lúcio. O Ceará tem 12 bacias hidrográficas, áreas onde toda a chuva que cai é drenada para um mesmo rio por riachos e rios secundários.

As parcelas mais críticas são o Centro e o Sul do Estado, incluindo a bacia de Jaguaribe. "Principalmente os grandes reservatórios como Banabuiú, Orós e próprio Castanhão. Precisamos de uma recuperação melhor em 2019 para trabalhar com mais tranquilidade. A região do Inhamuns, que está com menos de 6% da reserva, também preocupa. É preocupante do ponto de vista do gerenciamento das águas", conclui o presidente da Cogerh. 

Teixeira destaca que a pré-estação é imprevisível, mas os próximos meses serão bons se a chuva continuar nessa intensidade. Tem caído água na região da Ibiapaba e nas bacias do Coreaú e Acaraú, além do Cariri. "É preciso monitorar o desenvolvimento dessas chuvas e o nosso estoque de água para fazer como fizemos nos últimos quatro anos: economizar o máximo possível de água. E, para economizar, depende da população que consome nas cidades e Região Metropolitana", continua o secretário. 

"O usuário da cultura irrigada, que vem sofrendo grande restrição, busca fontes alternativas usando água subterrânea. A pecuária tem sobrevivido à essa seca com boa performance tecnológica e econômica, garantindo a produção de leite até subindo mesmo em tempo de seca porque buscou outras alternativas", expõe o secretário. "A pouca chuva que cair nos permite sobreviver a mais um ano, e o São Francisco chegando nos permite a ir convivendo de forma mais harmônica possível com a seca que não acabou".

RUBENS RODRIGUES