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Psicanalistas realizam manifestação pela democracia e contra o fascismo em Fortaleza

Organização diz que movimento nasce da preocupação ouvida nas clínicas diante de uma "ameaça" representada pelo candidato à Presidência Jair Bolsonaro (PSL)

22:50 | 15/10/2018
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Um grupo de psicanalistas de Fortaleza realizou um ato pela democracia na noite desta segunda-feira, 15, na Praça das Flores, na Aldeota. Com manifestantes portando cartazes e proferindo mensagens de ordem, o evento contou com a participação de cerca de 100 pessoas. Organizado pelo coletivo “Psicanalistas pela democracia”, o movimento é contra a candidatura do candidato à Presidência da República pelo PSL, Jair Bolsonaro.
  
“O movimento nasce da nossa preocupação diante de tudo que a gente vem ouvindo nas clínicas, do sofrimento que vem sendo gerado nas pessoas. Estamos em uma ameaça premente de um governo fascista”, explica a psicanalista Lia Silveira. Membro do Campo Lacaniano, ela relata que pacientes chegam aos consultórios “se sentido ameaçados” pelas propostas de Bolsonaro, líder das pesquisas de intenção de voto neste segundo turno.
  
“Nós psicanalistas não podemos nos calar diante dessa situação, porque trabalhamos com a palavra e para que ela circule é preciso que haja liberdade. Então, qualquer governo autoritário que se proponha a ser ditador, impede inclusive que a gente possa exercer a nossa profissão”, enfatiza.
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De acordo com Lia, o que a motiva a tomar tal posição ocorre também devido à ética de sua prática. “Lidamos com o sofrimento do outro. Não podemos pregar nada como ‘metralhar’ ou ‘exterminar’ pessoas. Isso não é condizente”, pontua.
  
Simpatizante do movimento, a psicóloga Neira Parente afirma que é a favor da democracia, a qual estaria ameaçada por Bolsonaro. “Que a gente possa se entender em uma sociedade onde exista liberdade de ideia e de discussão. A proposta seria de ter mais livros e não mais armas. Mais amor e não mais ódio”, diz a profissional, que complementa: “Defendo a vida para todos e não para uma maioria violenta”.
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Ameaça de censura
Para a psicanalista Lia Silveira, o eventual governo Bolsonaro representaria um retorno à censura vivida durante o período da Ditadura Militar, ocorrida entre 1964 e 1985. “A prática psicanalítica era extremamente prejudicada, porque as pessoas não podiam falar sobre tudo. Elas tinha de censurar o que poderiam falar”, exemplifica.
  
Na medida em que a profissão estiver dentro de um regime censor, segundo ela, no qual a palavra não circule livremente, a própria psicanálise ficará “ameaçada”. Por outro lado, sua maior preocupação é com a democracia em si, a qual ainda é “nova e frágil”.
  
“Agora a gente vê um discurso que faz com que os afetos mais primitivos venham à tona. Antes, quem pensava dessa forma se calava, mas agora elas vêm pregar coisas inaceitáveis”, pontua a profissional, que elucida ainda o funcionamento do coletivo Psicanalistas pela democracia.
  
“Temos pessoas que pensam de maneira muito diversa entre nós, mas todos estão em comum acordo da importância da garantia de liberdade de circulação da palavra, o que é completamente oposto a um regime fascista, autoritário e ditador, representado pelo discurso de Bolsonaro.”
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