Laudo confirma que idoso foi torturado por cuidadoras e morreu por asfixia mecânicaNotícias de Fortaleza
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Laudo confirma que idoso foi torturado por cuidadoras e morreu por asfixia mecânica

Homem de 68 anos foi obrigado a engolir o próprio vômito após ser agredido com golpes de chave de fenda

18:23 | 03/10/2018

José Airton Farias de Oliveira, de 64 anos, que foi encontrado morto em sua casa localizada no bairro Joaquim Távora, em Fortaleza, na manhã do último dia 24, foi torturado e morreu por asfixia mecânica, constatou o laudo cadavérico. Na ocasião, duas cuidadoras confessaram o crime e foram presas.

 

Nesta quarta-feira, 3, o Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) deu mais detalhes de como ocorreu o assassinato. As cuidadoras, que são irmãs, moravam na residência da vítima, na rua Padre Valdevino, onde também cuidavam da mãe dele, uma idosa de mais de 80 anos que sofre com Alzheimer.


De acordo com o diretor do DHPP, delegado Leonardo Barreto, Lucivania Mesquita de Paiva, 50, e Liliana Mesquita de Paiva, 46, foram autuadas em flagrante, de forma preliminar, por homicídio qualificado, por meio cruel. Conforme o delegado, o laudo cadavérico constatou que o corpo estava no local há três dias. A mãe de José Airton foi encontrada viva, mas foi constatado que ela era negligenciada pelas cuidadoras e vivia em um ambiente fétido e desorganizado. A Polícia encontrou fezes no local.

Leonardo Barreto informou que as mulheres mantiveram Airton amarrado e amordaçado por três dias. Barreto contou que as cuidadoras agrediram a vítima de diversas formas e que o idoso chegou a pedir clemência, mas elas continuaram as agressões com golpes de chave de fenda. "Ele dizia a elas: não acredito que vocês estão fazendo isso comigo". As mulheres negavam alimentação pedida por Airton.

Conforme o delegado, o relato é baseado no depoimento das duas cuidadoras, que é comprovado por meio do laudo cadavérico. O resultado confirma que a vítima sofreu tortura e asfixia mecânica. Em razão das agressões, o idoso chegou a vomitar e foi obrigado a engolir o próprio vômito.

As mulheres relataram à Polícia Civil que a tortura começou na sexta-feira. No domingo, 23, uma pessoa tentou estabelecer comunicação, mas não conseguiu, e foi posteriormente na segunda-feira, identificando o corpo da vítima. A Polícia foi acionada e constatou que as mulheres ainda estavam na residência e com malas prontas para sair do local.

De acordo com Leonardo Barreto, as duas irmãs não possuem antecedentes criminais. A Polícia investiga se existe uma ligação com uma terceira pessoa. Em princípio, o crime é tratado como homicídio qualificado, mas é levantada a possibilidade do crime ter uma motivação financeira, que pode concluir que houve um latrocínio (roubo seguido de morte). O cartão de benefício da idosa desapareceu e alguns familiares perceberam a falta de dinheiro. "A lavração pode ser preliminar e ser confirmado no relatório final", explica.

A motivação do crime relatada pelas mulheres é que o homem estava possuído por uma entidade e que elas tentavam destruir o mal. O que, para o delegado, é uma versão fantasiosa. Em comunicação com pessoas que tiveram contato com Airton ainda na sexta-feira, os depoimentos foram de que ele estava bem de saúde e não apresentava problemas psicológicos.

Contratação de profissionais 

O delegado Leonardo deu dicas para contratação de cuidadores. Entre essas ações, que seja avaliada a conduta da pessoa, antecedentes criminais e que exista um acompanhamento. "Saber onde ela reside e quem são os círculos de amizades da pessoa, pois as vezes a intenção criminosa não é daquela pessoa, mas de outros que plantam a ideia criminosa e utilizam o profissional como instrumento para cometimento de crime", disse.

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