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Fortaleza
Fortaleza Pede Paz

Por paz no Ceará, manifestantes se reúnem todos os dias 10

O ato, que surgiu por iniciativa de familiares e amigos de um ex-dirigente do Fortaleza morto em abril último, acontece em frente ao Palácio da Abolição

23:59 | 10/08/2018
Grupo de manifestantes tem se reunido mensalmente aos dias 10, em frente ao Palácio da Abolição, com propósito de compartilhar conforto e atenção a familiares de vítimas da violência. Intitulada de Movimento Fortaleza Pede Paz, essa é uma iniciativa da sociedade civil, que protesta contra a insegurança no Estado.
  
A priori, o movimento foi criado por familiares de Betinho Studart, ex-dirigente do Fortaleza, que foi assassinado em uma saidinha bancária, em abril deste ano. A organização ganhou força, passando a protestar e relembrar de outras mortes que acontecem no Ceará. “Para que não caiam no esquecimento da sociedade, da mídia e do poder público”, justificou o organizador Armando Bispo, durante ato na noite desta sexta-feira, 10, diante da sede do governo estadual.
 
Armando Bispo, durante ato na noite desta sexta-feira (Foto: Tatiana Fortes / O POVO)
Os números de mortes violentas no Brasil atingiram recorde negativo em 2017. De acordo com o Anuário Brasileiro de Segurança Pública, foram catalogados 63.880 óbitos somente no ano passado – maior anotação da história do País. O Ceará, por sua vez, tem contribuído com as contas, pois as taxas de assassinatos no Estado estão em ascensão, conforme o relatório.
O anuário aponta o Ceará como a federação com o terceiro maior aumento proporcional da taxa de mortes violentas, entre 2016 e 2017. A alta foi de 48,6%, representando 59,1 homicídios para cada 100 mil pessoas. A Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS), no entanto, informou que nos últimos quatro meses houve queda do número de mortes.
  
De todo modo, o Movimento Fortaleza Pede Paz enfatiza que “está na hora de dar um basta nesta situação”. Contudo, explica que o objetivo principal do grupo não é apresentar propostas de melhorias para a segurança pública. “Mas, sim, exigir o cumprimento das leis que devem manter o direito de ir vir resguardado para cada cidadão”, informou Armando.
  
Ele assegurou que o movimento pretende “dar voz e vez a quem não tem”. “Porque as mortes que acontecem no Estado viram estatísticas. ‘São 10% a mais, 10% a menos’. Elas viram números e saem da memória da sociedade”, contou o voluntário. “Estamos convocando as pessoas que perdem seus entes queridos, para que transformem a dor do luto para dar nome aos números”, disse.
  
(Foto: Tatiana Fortes / O POVO)
Também organizador do Fortaleza Pede Paz, Aristides Uclôa afirmou que o movimento não “se conforma” com a condição de violência e com o suposto discurso de “normalidade”. “Realizamos manifestações que cobram políticas efetivas de combate a violência e que não seja limitada às decisões que envolvem armamento e policiamento”, assegurou.

Fortaleza Pede Paz 
A organização informa que o movimento não tem “nenhuma identidade religiosa e político-partidária” e que “qualquer pessoa pode participar”. A iniciativa ocorre mensalmente nos dias 10, diante ao Palácio da Abolição, na avenida Barão de Studart.

Dia 10
A data simboliza o índice de homicídios aceitável internacionalmente. De acordo com a Organização das Nações Unidas (ONU), até dez mortes a cada 100 mil habitantes é considerado tolerável.
 
No Brasil a taxa é de 30,8 homicídios por 100 mil pessoas. Esmiuçando os números localmente, o Ceará registra 59,1 mortes por 100 mil habitantes (terceira maior do País), enquanto Fortaleza, 77,3 – segundo maior marcador entre as capitais.

WANDERSON TRINDADE