PUBLICIDADE
Notícias

Cegos têm aula de fotografia em Fortaleza

Projeto de fotos para deficientes visuais foi criado há dez anos em São Paulo

12:32 | 26/07/2018
NULL
NULL

[FOTO1]

Um grupo formado por 25 cegos teve uma experiência diferente nesta quarta-feira, 25, no Museu da Fotografia. Eles participaram de uma oficina de fotografia para cegos, ministrada pelo professor e fotógrafo paulista João Kulcsar.


Fotógrafo há 29 anos, João foi surpreendido com uma proposta, há dez anos, quando dava aulas no Senac de São Paulo. “No Senac tem uma biblioteca com livros em Braille. Um dia, dois usuários do setor me procuraram, pedindo para eu ensiná-los a tirar fotos. Com essa ideia na cabeça, montamos um curso para dez alunos,” explica.

O projeto foi um sucesso e, desde então, João realiza cursos de fotografia para cegos periodicamente. O trabalho dos alunos já foi exposto em vários espaços culturais de São Paulo, em mostras organizadas por ele.

Uma das técnicas ensinadas por João é a de que o cego apoia a câmera embaixo do queixo e toca no objeto antes de fotografá-lo. “É importante o cego tocar no objeto para saber seu tamanho e forma. Em seguida, ele dá alguns passos para trás e faz a imagem,” esclarece.

Para que as pessoas que nasceram cegas possam compreender as cores, João utiliza elementos para identificar cada uma. “O branco, por exemplo, digo que é a cor do algodão. O verde, a grama", disse.
 
[FOTO2] 
Francisco Alves, que perdeu a visão depois de adulto, achou a aula desafiadora. "Achei que cego jamais seria capaz de tirar uma foto. Mas com a técnica mostrada pelo facilitador, vi que cada um de nós pode criar uma estratégia e fotografar de forma minimamente aceitável", afirmou Francisco.

Para Fernanda Oliveira, coordenadora do Museu da Fotografia, o fato de um cego ser fotógrafo é positivo. “Sou professora de fotografia em uma universidade. Em minhas aulas, sempre peço para que meus alunos coloquem uma venda nos olhos e caminhem pela instituição. Depois, já sem as vendas, peço para eles tirarem uma foto usando a imaginação dos locais onde passaram,” declarou.

Segundo ela, a visão não é essencial para uma boa fotografia. “Uma foto é mais que o olhar. A imagem é formada antes na mente da pessoa. Portanto, para uma boa foto, é preciso sentir e imaginar,” disse.

TAGS