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'Se disser que foi fácil, estaria mentindo', diz mãe cega que criou filhas sozinha e superou obstáculos

Aposentada por invalidez, Marlúcia Costa é feliz com a vida que tem e conta ao O POVO Online que "faz tudo"

21:10 | 11/05/2018
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Marlúcia Costa, 55 anos, moradora do bairro Serviluz, em Fortaleza, afirma com uma perceptível felicidade na fala o quanto é grata pela sua vida, pela sua saúde e por suas filhas. Nascida com retinose pigmentosa, doença em que uma célula do olho não se desenvolve, a aposentada perdeu completamente a visão após o nascimento da sua primeira filha, há quase 30 anos. Filha de dois primos de 1º grau, ela é uma de três filhos e a única com a doença.  

"Se eu te dissesse que foi fácil, não foi. Mas não é impossível. Deus só coloca na vida aquilo que sabe que a gente pode aguentar. Na hora a gente se assusta. Quando eu soube do problema foi difícil. Mas a gente consegue.", confessa Marlúcia ao O POVO Online.

Com duas filhas, uma de 24 anos e outra de 28 anos, e "três netos maravilhosos", como se refere, Marlúcia hoje é aposentada por invalidez. Ela conta que "Dona Bernadete", que foi chefe dela por um período em um restaurante, a ajudou em todas as etapas do processo. "Eu não tinha mais como trabalhar mas tinha que tentar. No restaurante, falei que não ia assinar carteira de trabalho com medo de acontecer algum acidente comigo. Foi aí que a Dona Bernadete disse que ia me ajudar porque a mãe dela também era deficiente visual. Ela me levou pro INSS", relembra. 

À época, ela tinha sido deixada pelo marido, com quem havia ido morar em São Luís, mas logo voltou a Fortaleza após a separação. Marlúcia pontua que um relacionamento entre pessoas que tem todos os cinco sentidos é "uma maravilha", mas "ter uma deficiência e permanecer em uma relação é muito mais difícil". 

Mãe solteira, criou praticamente as duas filhas por conta própria. Em uma consulta médica, quando descobriu o nome de sua doença, um médico do Instituto dos Cegos disse que se ela não tivesse tido filhos, talvez a condição "se estacionasse" e ela não tivesse perdido a visão por completo. Marlúcia é certeira: não me me arrependo em momento nenhum de ter tido minhas filhas".

A luta diária
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A aposentada, moradora do Serviluz (bairro Cais do Porto), se apresenta como "duas mulheres": uma de casa para fora e outra da casa para fora. "Pra me locomover eu preciso ter alguém. Fortaleza é muito perigosa para quem enxerga, imagina para quem não vê nada. Já dentro de casa eu sou bem localizada, faço tudo. Varro a casa, faço almoço, lavo roupa.", afirma.

Ela também pondera o preconceito sofrido na vida por ser cega e mãe. Para ela, algumas pessoas são "complicadas" e acham que pessoas com deficiência não pode ter uma vida normal e ativa. "Eles acham que não pode se maquiar". 

Mães independentes

Pesquisa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) aponta que em 10 anos o Brasil aumentou o número de famílias constituídas apenas por mães e filhos em 1,1 milhão. Este indicativo já soma 11,6 milhões de mães solteiras, que criam seus filhos sem ajuda paterna, seja por opção ou afastamento dos pais, além de conciliar trabalho. 

Mães pela inclusão e sustentabilidade

Mães que lutam diariamente com suas deficiências e dificuldades de ser mãe solteira estarão em um encontro promovido pelo Hapvida Saúde neste sábado, 12, na Praça Antônio Prudente, às 9 horas. O momento será de compartilhamento de histórias de mães de diversos perfis e contará com ações envolvendo sustentabilidade. 
 
Marlúcia é uma destas participantes e conta que a oportunidade será proveitosa para trocar experiência com outras mães. "Acho que Fortaleza ajuda pouco pessoas que precisam de uma maior acessibilidade. As dificuldades para cadeirantes, por exemplo, são muito presentes", diz. 
 
Algumas das atividades são plantação de mudas, jardinagem e passeios nos carros compartilhados elétricos do Hapvida.

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