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Fortaleza
ANCURI

"Esse colégio tem que ser fechado", defende tia de menina morta ao cair em fossa

Polícia acompanhou movimentação de populares na escola. A diretora foi ameaçada

18:06 | 23/05/2018
Revoltados com morte de menina em creche municipal, moradores do Ancuri foram à porta da unidade de educação pedir justiça. A diretora da creche chegou a ser ameaçada. Hannah Evelyn de Andrade Laranjeira, de 4 anos, morreu após chão do pátio cederEla caiu em fossa e não foi resgatada a tempo. O caso aconteceu na manhã desta quarta-feira, 23.
 
Policiais acompanharam os trabalhos periciais (Foto: Igor Cavalcante/O POVO)
 
"Um lugar de crianças com uma fossa aberta? Isso é errado. Esse colégio tem que ser agora fechado", protestou a tia de Hannah, Cleide Andrade de Lima, sem entender por que a sobrinha não fora salva. O Centro de Educação Infantil Professora Laís de Sousa Vieira Nobre era a primeira escola de Hannah.
 
Outra mãe, que não quis ser identificada, denunciou a falta de profissionais na escola para monitorar os alunos. "Na hora do recreio, deixam nossos filhos para a zeladora e o porteiro olharem, enquanto as professoras iam conversar", reclamou. Segundo ela, sabia-se da existência da fossa séptica no local do acidente.

Outra testemunha relatou que, ao ouvir os gritos por socorro, de funcionários da creche, vizinhos tentaram entrar mas não tiveram acesso. 
 
A creche, no Ancuri (Foto: Igor Cavalcante/O POVO)
No fim da manhã, era intensa a movimentação de pessoas na rua Jorge da Veiga. Equipes da Polícia Militar acompanhavam os trabalhos periciais, dadas as ameaças a funcionários da creche, inclusive a diretora. "Vamos meter a peia nela. Porque ela viu as coisas e não fez nada. Ela é uma irresponsável", bradava a mãe de um aluno, enquanto denunciava a precariedade na estrutura da escola. 

O caso
Além de Hannah, pelo menos outras duas crianças ficaram feridas e foram socorridas por funcionários da creche. Uma delas teve apenas corte na perna, segundo a mãe. O estado de saúde da outra vítima não foi informado até a publicação desta matéria.

A menina de 4 anos chegou a receber atendimento do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) mas não resistiu. Ela teria se afogado. 

"Era hora do recreio. Elas estavam brincando quando, de repente, o chão da fossa afundou", relatou a mãe de uma das crianças feridas. "(Hannah) era minha vizinha. A mãe dela é muito minha amiga. Nossas filhas estavam brincando juntas. A gente traz os filhos da gente pra receberem educação e infelizmente acontece um negócio desses", lamentou a dona de casa, emocionada. 
 
(Foto: Igor Cavalcante/O POVO)
Secretário dos Direitos Humanos e Desenvolvimento Social de Fortaleza, Elpídio Nogueira esteve na creche e afirmou que assistência está sendo prestada à família de Hannah.
 
Na manhã desta quarta, ele evitou comentar sobre a estrutura da escola antes da perícia. Disse ainda que outras informações seriam repassadas nesta tarde.

Em nota, a Prefeitura de Fortaleza informa que está acompanhando as investigações periciais e policiais e que já determinou "apuração dos fatos internamente". "A Prefeitura ao mesmo tempo lamenta profundamente o ocorrido e se solidariza com a dor da família e considera essa uma tragédia inaceitável", completa a nota. 
 

LUCAS BRAGA