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Após ciclista ser atropelada na avenida Antônio Sales, protesto pede respeito no trânsito

20:50 | 11/05/2018
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Marcado para iniciar às 18h dessa sexta, 11, um protesto interrompeu por cerca de 40 minutos o trânsito no cruzamento da avenida Antônio Sales com rua Dona Leopoldina, impedindo o acesso à rua. Os carros que passavam no local utilizavam o espaço do posto de gasolina, ao lado do cruzamento, para conseguir fazer a conversão à esquerda.  O local escolhido foi o mesmo onde, na última terça-feira, uma ciclista foi atropelada por ônibus que não respeitou a preferencial.

Luana Vasconcelos Holanda, de 35 anos, passou por cirurgia no Instituto Doutor José Frota (IJF). Ela sofreu um esfacelamento na perna direita. Segundo informações compartilhadas por ela no perfil pessoal no Facebook, ela teve parte da perna amputada.
 
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O POVO Online compareceu ao protesto e tentou conversar com organizadores, mas ninguém quis se colocar à frente do evento. Alguns ciclistas puxavam o coro de "Ei, motorista, respeite o ciclista", e pediram pra não serem filmados. Houve um desentendimento entre os presentes no protesto por divergirem sobre serem ou não identificados em vídeos.

A maioria concordou em não ser identificada e pediu para que o rosto não fosse fotografado. "Pode fotografar as bicicletas, mas as pessoas não", pediu uma manifestante que estava à frente dos cantos de protesto que eles entoaram. Ela, no entanto, afirmou que não era organizadora do protesto.
 
 
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Uma moça deitou-se no chão e teve seu corpo marcado no asfalto por tinta, em representação quando há um assassinato e a perícia utiliza essa tática para identificar onde jazia a vítima.

Entre os poucos que quiseram se pronunciar, a maioria não se identificou. Dois entrevistados tinham uma declaração parecida: eram ciclistas, ficaram sabendo do protesto através das redes sociais mas não conheciam a jovem que foi atropelada. Estavam ali para pedir mais respeito aos ciclistas, por se sentirem vulneráveis nas ruas.

Um idoso também não se identificou, mas conversou com a equipe do O POVO Online. Ele disse que tem sido ciclista a vida inteira e considera que, por esse motivo, correu riscos no trânsito. Afirmou que tinha passado no local no momento do acidente, por ser seu caminho diário.  Demonstrou estar comovido pela situação da jovem. 

Segundo ele, as ciclovias e ciclofaixas ajudaram muito, mas não resolveram todo o problema. "Nós ciclistas somos menos um pra poluir o ambiente. Estamos apenas pedindo respeito." 

De acordo com Código de Trânsito Brasileiro (CTB - Lei 9.503/97), "em ordem decrescente, os veículos de maior porte serão sempre responsáveis pela segurança dos menores, os motorizados pelos não motorizados e, juntos, pela incolumidade dos pedestres". Isso determina que o condutor do veículo maior deve zelar pela segurança do menor, e todos devem, por fim, zelar pelo pedestre. 
 
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Essa lei era utilizada como argumento de um ciclista que estava no local e conversou com O POVO. Marcos Gomes também ficou sabendo do protesto por meio das redes sociais. Como muitos ali, não conhecia a moça que foi atropelada, mas se solidarizou com a situação, principalmente por ser, como ela, ciclista. Há mais ou menos um ano um ônibus bateu no guidão de sua bicicleta, o derrubando. Ele não chegou a se machucar gravemente, mas passou a ter mais cuidado. 

Para Marcos, o problema maior seria a falta de educação dos motoristas. "O trânsito tem sido um reflexo da falta de educação. Os motoristas são agressivos. A implantação de ciclovias e ciclofaixas melhorou muito a situação por ter aumentado a demanda no uso de bicicletas, mas diante da relutância das pessoas em aceitar o transporte alternativo, acabam ocorrendo brigas e essa falta de respeito com o ciclista."

"Tem muito dessa cultura de que, por a pessoa estar num veículo maior, por estar protegido, acha que tudo tem que ser em torno dele, quer que respeitem o espaço dele, e não quer respeitar a legislação vigente. A legislação de trânsito manda exatamente o contrário. O motorista de ônibus pensa que 'se bater em mim, o outro é quem vai se machucar', quando na verdade ele é quem deveria ter mais atenção com os vulneráveis," concluiu Marcos, citando 
a lei que rege o trânsito nacional.
 

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A reação dos motoristas que passaram no local foi dividida. Alguns motoristas de ônibus reclamaram e xingaram quem fazia parte do protesto, por estarem bloqueando o acesso à rua Dona Leopoldina. Muitos motoristas de carros particulares, no entanto, passavam buzinando em apoio ao protesto, alguns inclusive fazendo gestos e gritando palavras de aprovação.

Antes das 19h da noite, os manifestantes seguiram na avenida Antônio Sales no sentido Dionísio Torres, liberando o acesso à Dona Leopoldina.
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