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Fortaleza
PÓS-CHACINA DO BENFICA

Sensação de insegurança afasta moradores de tradicionais praças de Fortaleza

O POVO Online visitou praças de diferentes bairros e constatou a compreensão de que a falta de segurança ou da sensação dela é um problema antigo, mas que tem se agravado com força das facções

16:39 | 12/03/2018
chacina que vitimou sete pessoas no bairro Benfica na noite da última sexta-feira, 9, reacende o debate sobre segurança nos espaços públicos. A sequência de homicídios aconteceu na Praça da Gentilândia, na sede da Torcida Uniformizada do Fortaleza (TUF) e na rua Joaquim Magalhães. 
 
Na manhã desta segunda-feira, 12, o clima era de tranquilidade em outras praças da Cidade. Na Gentilândia, foi realizado ato em homenagem às vítimasO POVO Online visitou praças de diferentes bairros e constatou a compreensão de que a falta de segurança ou da sensação dela é um problema antigo, mas que tem se gravado com a força crescente das facções.

Rosemeire Sales, 45, vende lanche e refeição em um ponto na Praça Nossa Senhora de Fátima. Ela conta que o policiamento fixo só começou a ser realizado em dezembro último. "Aqui já teve muito roubo, mas essas coisas de violência mesmo nunca teve. Eu me sinto segura", aponta. 

Apesar de moradores afirmarem que o local é parada certa dos profissionais de segurança, a reportagem do O POVO Online não identificou nenhum policial militar ou guarda municipal na área por volta das 9h15min, quando esteve no local.

Perto dali, na Praça Argentina Castelo Branco, o cenário é outro. "É um ambiente familiar até às 9 horas da manhã. Depois, vira uma boca de fumo. Nada de ordem", diz uma aposentada que prefere não ser identificada. Sem nenhuma vigilância, ela afirma que a praça é muito usada por praticantes de exercícios e esportes em geral, mas o horário é determinante para estabelecer o clima no local.
 
Praça Otávio Bonfim
Praça Otávio Bonfim fica na av. Bezerra de Menezes, uma das mais movimentadas vias da Capital (Foto: Aurélio Alves / Especial para O POVO)
 

Já na Praça Otávio Bonfim, o policiamento é realizado das 6h30min às 13h30min. A troca de turno é às 14 horas, com vigilância até às 21 horas. Durante 30 minutos, o local fica descoberto, segundo policiais ouvidos.

"Aqui tá bom, acho que por causa da avenida (Bezerra de Menezes) tem uma frequência grande de gente passando por aqui. Além do movimento dos carros", afirma Francisco Aldo Vieira, 70, que tem uma banca de revistas na praça há pelo menos 20 anos. "Já teve tempos díficeis aqui. Tinha muito usuário de droga, alcoólatra e pedinte. Melhorou de cinco anos pra cá", lembra. A Praça fica ao lado da Secretaria Executiva Regional (SER) I.

Já no Centro, a Praça dos Leões conta com um posto que funciona 24 horas com policiais militares e guardas municipais. O efetivo é de cerca de cinco profissionais por turno, segundo agentes de segurança ouvidos no local.
 
Praça da Cruz Grande
Praça da Cruz Grande, na Serrinha, se dividia entre reggae e território de torcidas organizadas (Foto: Aurélio Alves / Especial para O POVO)
  

Lugar de juventude

No bairro Serrinha, a Praça da Cruz Grande já foi um ponto de encontro. "Aqui é lugar de juventude", diz o estudante Wellington Moisés, de 16 anos, que usava o parque, tomado de lama, para se exercitar. "Tinha reggae, tinha a batalha de rap aos fins de semana". 

A comerciante Débora Lima, 20, diz que polícia mesmo "só em dia de jogo". A praça fica localizada na av. Silas Munguba, a principal via de acesso do terminal da Parangaba para a Arena Castelão. "A praça é mal cuidada. É movimentada à noite e olhe lá, mas depois desse negócio de facção não tem mais nada. O povo não pode mais sair pra se divertir, hoje as pessoas t~em é medo de morrer". O local é considerada ponto crítico em tardes de futebol por concentrar diferentes torcidas organizadas. 

O líder comunitário José Nilo diz que as batalhas de rap e festas que aconteciam na praça pararam "devido à violência". A decisão de diminuir os eventos teria sido tomada em conjunto com a comunidade. "Eu vejo com muita tristeza essa situação da Serrinha porque esse era um local onde as crianças brincavam. Nem policiamento fixo tem. Hoje é uma viatura pro bairro inteiro".
 
O que diz a Polícia Militar 
 
Em nota, a Polícia Militar do Ceará informa que realiza policiamento nas principais praças, de acordo com os Princípios da Conveniência e Oportunidade, que norteiam a seleção de quais praças, dias e horários em que esse policiamento acontece.

"A PMCE não divulga, especificamente, as informações acerca de quais são as praças que recebem esse policiamento, bem como os horários em que o efetivo policial é empregado, haja vista que tal publicidade comprometeria as estratégias de segurança desta Corporação e, consequentemente, acarretaria ineficiência da prestação do serviço de segurança aos frequentadores destes locais", diz a nota.

"A instituição salienta que as praças públicas são patrimônios municipais e que, portanto, compete à Prefeitura Municipal de Fortaleza a sua segurança patrimonial, de acordo com o artigo 30, IX da Constituição Federal de 1988". 
 

RUBENS RODRIGUES