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Principais torcidas do estado se manifestam pela descriminalização das organizadas

No ato, torcedores rivais estiveram lado a lado. As vítimas da Chacina do Benfica também foram lembradas

22:32 | 16/03/2018
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Uma semana após a Chacina do Benfica, as principais torcidas organizadas do Fortaleza Esporte Clube, Ceará Sporting Club e Ferroviário Atlético Clube se reuniram na Praça da Gentilândia, no Bairro Benfica, para manifestação intitulada "Caminha pela vida e pela descriminalização das torcidas". No local, foi possível visualizar bandeiras dos três times lado a lado e ouvir o canto das organizadas. Um Pai-Nosso também foi rezado em memória das vítimas da chacina. No entanto, a manifestação acabou em confusão após atropelamento de um torcedor.

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Em entrevista ao O POVO Online, o diretor da Movimento Organizado Força Independente (MOFI), Charles Anderson, afirmou que a responsabilidade dos últimos fatos relacionados à segurança, sobretudo à última chacina, têm "respingado" nas torcidas de forma injusta. "Nosso propósito é mostrar para a sociedade e para os órgãos públicos que a gente é torcida organizada, entendeu? Independente de ser rival, a gente prega a paz nos estádios. Nosso intuito é fazer festa nas arquibancadas", defende Anderson.

Sobre a nota do Ministério Público do Estado do Ceará (MPCE), pedindo a extinção das torcidas organizadas, o diretor da MOFI entende como um erro, visto que, na sua visão, o órgão sabe quem são os verdadeiros culpados. "Eles têm esse conhecimento, mas preferem jogar para as torcidas organizadas, porque é mais fácil".

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Um porta-voz e integrante da Torcida Uniformizada do Fortaleza (TUF), que não quis se identificar, ressaltou o papel da sua torcida nos bairros economicamente desfavorecidos da Capital. Segundo ele, a TUF promove ações sociais para tirar jovens da dependência do álcool e das drogas ilícitas. Na mesma linha do discurso adotado por Anderson, ele ressaltou a discriminação pela qual passam as torcidas como um problema que deve ser superado.

Após o primeiro momento na Gentilândia, os manifestantes seguiram pelas ruas de Fortaleza rumo à sede da Secretaria de Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS). Durante o trajeto, os torcedores foram escoltados pela Polícia Militar, que bloqueou alguns pontos do caminho.

 

Reunião com Secretaria de Segurança Pública

Na sede do órgão, dois torcedores organizados de cada clube, além da mãe do jovem Pedro Neto, uma das vítimas da Chacina do Benfica, entraram para reunião com o secretário-adjunto de Segurança, Alexandre Ávila. A reportagem do O POVO Online aguardou a saída dos torcedores.

O presidente da TUF, João Paulo, conhecido como "Bombado", disse estar animado após a conversa. Segundo ele, as demandas das torcidas serão atendidas e uma nova reunião  essa com o secretário de Segurança Pública, André Costa, foi marcada para próxima segunda-feira, 19. Na reunião desta sexta-feira, 16, o principal assunto tratado, explica, foi relativo à descriminalização das torcidas. "A gente mostrou que nos últimos anos diminuiu essa violência com base nas reuniões que a gente vem tendo entre as diretorias das torcidas", argumentou.

O professor de história e integrante da Cearamor, Regis Alves, limitou-se a afirmar que, a partir desta primeira conversa, uma nova reunião, essa com André Costa, foi encaminhada para tratar de futuros jogos. Ele disse também que foram apresentadas reivindicações, sem informar quais.

Torcedor atropelado  

Em frente a sede do órgão, um torcedor foi atropelado por um micro-ônibus. Conforme noticiado pelo O POVO Online, a vítima foi atropelada pelo veículo da linha Fortaleza-Metrópole, sentido Caucaia. O torcedor foi atendido pelo Samu inconsciente, em estado grave. 

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