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O que se sabe sobre a chacina das Cajazeiras, uma semana depois

Seis suspeitos do massacre estão presos. Com a chacina, janeiro fosse o mês mais violento dos últimos cinco anos no Ceará, com 469 mortes violentas

13:41 | 03/02/2018
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Há uma semana, no último sábado, 27, aconteceu a maior chacina da história do Ceará, no Forró do Gago, nas Cajazeiras. Era quase meia-noite e meia, quando, em poucos minutos o som e a festa foram interrompidos por tiros, seguidos de correria, gritos de desespero e dor. Esta última persiste.
 
Uma semana depois da barbárie que deixou 14 mortos e nove feridos, O POVO Online mostra o que se sabe até agora da matança. 
 
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Como foi o crime?
Era cerca de 00h30min quando o motorista da Uber Natanael Abreu da Silva, 25, foi baleado dentro veículo que dirigia, um Ford Fiesta, de cor prata. Ele foi o primeiro assassinado. Os homens desceram dos três carros que ocupavam e seguiram disparando a esmo na rua Madre Tereza de Calcutá. Pessoas foram mortas na festa, em calçadas e nas ruas próximas. Alguns que tentaram fugir foram perseguidos e mortos.

[SAIBAMAIS]Quem morreu?
Conforme a Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS), 14 pessoas morreram no local, a maioria mulheres. Além do motorista Natanael, o vendedor ambulante Antônio José Dias de Oliveira, 55, também trabalhava na festa. Ele vendia cachorros-quentes com a família no momento do crime. O filho dele, de 12 anos, foi baleado. A comerciante Mariza Mara Nascimento da Silva, 37, passava pela rua quando os criminosos chegaram. Ela também morreu no local. 

A ação tirou a vida ainda de Maíra Santos da Silva, 15, Maria Tatiana da Costa Ferreira, 17, Brenda Oliveira de Menezes, 19, José Jefferson de Souza Ferreira, 21, Raquel Martins Neves, 22, Luana Ramos Silva, 22, Wesley Brendo Santos Nascimento, 24, Antônio Gilson Ribeiro Xavier, 31, Renata Nunes de Sousa, 32, Edneusa Pereira de Albuquerque, 38, e Raimundo da Cunha Dias, 48.

Como estão as investigações?
Seis pessoas suspeitas de terem participado da barbárie estão presas. As investigações são lideradas pela Divisão de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP). O titular do 13º Distrito Policial, delegado Hélio Marques, informou que o dono do imóvel onde era realizado o "Forró do Gago" - palco da chacina -, José Clediano Jean Nobre, 36, tem a intenção de alugar o espaço para cultos evangélicos. O local segue fechado.


O que motivou a barbárie?
A informação repassada pela Polícia Militar (PM) é de que a ação foi planejada por facção criminosa como uma afronta a outra organização que domina a área. A informação de que a festa era promovida pelo grupo foi negada por José Clediano, dono do prédio. O que se sabe é que as vítimas foram escolhidas aleatoriamente na multidão. E dos 14 mortos, apenas três tinham antecedentes criminais. 

Anistia Internacional pressionou o Governo do Estado a dar celeridade às investigações. Pediu ainda que as autoridades tomem todas as medidas adequadas para garantir assistência efetiva às famílias das vítimas, incluindo apoio psicológico e jurídico, além de proteção às testemunhas do tiroteio para impedir qualquer tipo de intimidação ou ameaças. 

Como reagiu a comunidade?
Na última segunda-feira, 29, cerca de 50 pessoas se reuniram em frente ao Forró do Gago, no bairro Cajazeiras, em prece e protesto. "Esta oração é para que o Senhor possa fazer o que não podemos", clamou uma das moradoras.

Logo após as preces, os moradores seguiram em caminhada até a BR-116, próximo ao km 7. Os manifestantes pediram justiça e queimaram pneus. A Polícia Militar estimou entre 300 e 400 pessoas presentes. 


Como os governos reagiram?
O presidente Michel Temer (MDB) autorizou terça-feira, 30, a primeira ação federal contra a crise na segurança no Ceará: uma força-tarefa da Polícia Federal para o Ceará, principalmente para trabalhar na área de inteligência

Após as chacinas das Cajazeiras e Itapajé, o comandante-geral da Polícia Militar, coronel Ronaldo Viana, fez uma série de trocas de cargos na PM

O que a chacina significou para a segurança pública?
A chacina foi maior do que a da Grande Messejana, quando 11 pessoas morreram. Até então, fora o maior massacre do Ceará. 

Assim como a chacina de Itapajéa das Cajazeiras superou o número de mortos de carnificinas como a da Candelária (oito vítimas). 

Dois dias depois, o Ceará viu outra chacina. Dessa vez, em Itapajé, a 124,2 km de Fortaleza. Rebelião deixou dez homens mortos e outros oito feridos. O massacre ocorreu dentro da Cadeia Pública do município. 

Os eventos contribuíram para que janeiro fosse o mês mais violento dos últimos cinco anos no Ceará. Foram 469 mortes violentas. Em relação a 2013, o crescimento foi de 28%, quando janeiro registrou 365 mortes violentas.

Outro dado alarmante é a taxa de homicídio de mulheres no Estado: o número de 43 mulheres mortas até o dia 29 de janeiro representa um crescimento de 330% em relação a janeiro de 2017. 

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