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Dez perguntas ainda não respondidas sobre as mortes, no Ceará, de líderes do PCC

Rogério Jeremias de Simone, o Gegê do Mangue, e Fabiano Alves de Souza, o Paca, foram executados na última quinta-feira, 15. Mortes lançam série de questionamentos

11:53 | 19/02/2018
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A morte de lideranças fortes do grupo criminoso Primeiro Comando da Capital (PCC) expõe fragilidades na segurança pública e abre uma série questionamentos relacionados ao caso. Rogério Jeremias de Simone, o Gegê do Mangue, e Fabiano Alves de Souza, o Paca, foram executados na última quinta-feira, 15. 

O crime aconteceu na área indígena dos Jenipapo-kanindé, em Aquiraz, município 32 km distante de Fortaleza. Os corpos só foram encontrados na última sexta-feira 16. O local, na Região Metropolitana de Fortaleza, é de mata fechada e difícil acesso.

1. Como a dupla conseguiu se deslocar livremente pelo País?

A dupla era monitorada pelo Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco) de São Paulo, o que não impediu o trânsito livre dentro e fora do País. Eles estariam atuando pela facção criminosa no Paraguai e na Bolívia, coordenando importação e exportação de armas e drogas pelas fronteiras do Centro Oeste e Sul do Brasil. 

2. Emboscada de quem?

Promotor do Gaeco paulista, Lincoln Gakiya aponta duas possibilidades para a morte dos foragidos. A principal seria acerto de conta dentro do próprio PCC, ligado ao assassinato do ex-líder deposto do PCC Edílson Borges Nogueira (Birosca), em dezembro último. 

3. De quem era o helicóptero?

[SAIBAMAIS]Testemunhas afirmam que os corpos foram levados ao local em um helicóptero que rondou a área e teria pousado pelo menos duas vezes antes da execução. Não há, contudo, provas que indiquem a propriedade do helicópero usado no crime. Seria de alguma empresa cearense, já que ambos os líderes e familiares estavam de férias no Ceará? A Polícia Federal (PF) investiga o caso.
 
4. Quem é o piloto?
 
Outra figura segue misteriosa: o piloto da aeronave. Ele seria parte do PCC ou de outro grupo criminoso? Ele seria funcionário de alguma empresa ou proprietário do veículo? Teria ele sido ameaçado?
 
5. Como o helicópetro não foi identificado?

Uma das formas de driblar os radares é se o sobrevoo tiver sido a menos de 500 pés (cerca de 150 metros). O transponder, aparelho que rastreia a aeronave, também poderia ter sido desligado. 

6. Quem ameaçou incendiar a Perícia Forense do Estado do Ceará?

Cerca de 20 homens da Polícia Militar faziam a segurança do Instituto Médico Legal (IML), no bairro Moura Brasil, devido à ameaça de invadir o prédio público para retirar os corpos das principais vozes do PCC. Havia também a possibilidade de incendiar o prédio da Perícia. 
 
7. Por que os foragidos estariam de férias no Ceará logo após as chacinas?

De acordo com Lincoln Gakiya, promotor do Gaeco paulista, Gegê do Mangue e Paca estariam de férias no Ceará. O período é próximo ao acontecimento de dois massacres no Estado. No último dia 27, o bairro das Cajazeiras foi cenário para a maior chacina do Ceará, com 14 mortos. Dois dias depois, 10 internos da Cadeia Pública de Itapajé foram assassinados. O Ministério Público de São Paulo afirma que eles estavam cuidando dos negócios da facção no Estado.
 
8. Execução indica guerra interna?

Para o jornalista e escritor paulista Josmar Jozino, que pesquisa as operações do PCC há duas décadas, represálias são comuns na história do PCC. "A última guerra interna foi em 2002, quando Marcola (Marcos Willians Herbas Camacho, líder do PCC) se fortalece. Houve uma guerra interna muito grande. Pode ter sido o mesmo caso de agora". 

9. As mortes vão repercutir no sistema prisional?

Ainda conforme Jozino, não haverá repercussão nas cadeias se a ordem da execução tiver vindo da liderança do PPC, por respeito à hierarquia. "Mas, se for de outra facção, pode ter certeza de que vai ter derramamento de sangue, sim".

10. Moradores da reserva indígena em Aquiraz estão em segurança? 

Na reserva indígena dos Jenipapo-kanindé, o receio é de que haja algum tipo de retaliação. Os corpos foram encontrados na área enquanto um indígena colhia murici na região. Haverá algum tipo de acompanhamento da segurança dos moradores? 

"Ninguém quer falar porque ficou o clima de medo. Sabe-se lá quem são esses camaradas. Aqui é visitado por muita gente, e se de repente tem um indivíduo no meio que quer saber o que você falou, para lhe calar?", questiona um morador.

 

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