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Fortaleza
Cinema em casa

As últimas locadoras de filmes de Fortaleza

11:43 | 09/02/2018
Clientes na Distrivídeo
Distrivídeo ainda mantém público fiel (Foto: Tatiana Fortes / O POVO)
Houve uma época em que as locadoras de filmes eram o refúgio de quem escolhia um feriadão mais sossegado no período do Carnaval. Empresas como a Distrivídeo, a última grande locadora de Fortaleza, e a Aza Vídeo chegaram a ter 18 unidades espalhadas nos bairros da Capital. Quase todas as empresas do segmento encerraram as atividades, e as que ficaram precisaram se reinventar. Ou pelo menos apostar na excelência do serviço para manter o que ficou do público. 

Em 2017, a penúltima unidade da Distrivídeo, na av. Dom Luís, fechou as portas. Ficou a tradicional sede na av. Antônio Sales. Para sobreviver, a loja foi reduzida pela metade e dos 30 funcionários só ficaram cinco.

Administradora do estabelecimento, Luiza Vieira viu a proporção da empresa diminuir no decorrer dos anos. "Os costumes de muita gente mudaram. Não é apenas uma questão de downloads, já que existe uma facilidade maior quanto a isso. É uma mudança cultural", avalia. "Antes a loja tinha uma enorme sala de conteúdo infantil. Hoje as crianças já estão mais ligadas às redes sociais. Pirataria mesmo a gente não vê mais como antes".

Há 30 anos em funcionamento, a Distrivídeo conta com uma cafeteria instalada ainda nos anos iniciais de funcionamento. No ano passado, foi preciso incorporar um novo negócio, dessa vez franqueado. O petshop 100% Pet tomou metade do espaço que antes pertencia à locadora. 
 
Funcionário sozinho na Distrivídeo
Das 18 lojas da Distrivídeo, apenas uma funciona atualmente (Foto: Tatiana Fortes / O POVO)
 
Resistência

"Estamos nos adequando ao momento para não deixar morrer o nome da Distrivídeo. A locadora ainda é cultura, ainda é uma postura que muita gente tem. Vai chegar um tempo em que os pais trarão seus filhos para mostrar o que é uma locadora", diz a colaboradora, que está na empresa há 14 anos. “Não tinha mais como manter tudo, nem precisava. Havia um estoque alto de filmes parados e a gente consegue atender nossos clientes nesse espaço menor".

Apesar de atribuir a queda das locadoras a uma mudança cultural, Luiza é firme ao defender a excelência do trabalho. "O aluguel é nosso principal produto. Nunca deixamos de comprar lançamentos, diferentemente das locadoras menores. Temos os clássicos, temos aqueles filmes que as pessoas não encontram com facilidade, nem na Netflix", justifica. "Temos muitos títulos do cinema de arte, que hoje é muito forte. E tem a entrega a domicílio".

"Hoje as pessoas vivem na correria. Com essa crise, muita gente teve que trabalhar mais para manter o padrão de vida. Isso pesou muito pra gente", continua. Ainda de acordo com Luiza Vieira, houve queda de 70% do público em época de feriados como o Carnaval.
 
Fachada da Distrivídeo com petshop e carros na frente
Além da locadora e da cafeteria, prédio briga petshop desde o ano passado (Foto: Tatiana Fortes / O POVO)
 
Em Caucaia, Região Metropolitana de Fortaleza (RMF), a maior locadora ainda resiste. Com 18 anos de história, a Pluto percebeu a necessidade de se adaptar há 10 anos, quando os downloads de filmes e séries, principalmente os ilegais, se popularizaram. 

Das cinco unidades espalhadas por bairros da Capital e RMF, duas sobraram. A primeira no Monte Castelo, em Fortaleza. A outra no bairro Nova Metrópole, em Caucaia. Com as novidades, virou Pluto Mix. A primeira tem lan house. A segunda virou loja de presentes. E tem os filmes, claro. 
 
"O mercado atrofiou"

"Ainda tem bastante filmes, mas locação não compensa mais. Tá com uns três meses que não compramos filmes novos", desabafa Edna Tavares, funcionária da loja caucaiense há uma década. Há alguns anos, a Pluto também passou a vender filmes usados. 

"Eu fico triste porque comecei a trabalhar aqui principalmente na época do Carnaval. E a gente trabalha muito. Eram locados mais de dois mil filmes nesse período, tanto que a gente que não ia dar conta. De repente começou a diminuir". Entre os dias 24 e 28 de 2017, período carnavalesco, apenas 92 filmes foram locados na unidade de Caucaia. 

Mas nem só de resistência é feito o mercado. Em 2017, a Aza Vídeo como os cinéfilos conheciam encerrou as atividades. O proprietário da empresa, Franzé Sampaio, conta que foi preciso mudar para sobreviver. O estabelecimento, que durou 26 anos (desde 1989) e, assim como a antiga concorrente, chegou a ter 18 unidades espalhadas na Capital, manteve o nome e hoje faz prestação de serviços de informática. Ao “advento de Netflix, pirataria e alta no preço dos filmes” ele atribui a transição. “Não tinha mais como continuar. O mercado atrofiou bastante”. 
 
Serviço 
 
Distrivídeo 
Av. Antônio Sales, 2926 - Dionísio Torres
Funciona de domingo a quinta-feira, das 10h às 21 horas, e de sexta a sábado, das 10h às 22 horas
 
Pluto Mix 
Loja 1: rua Padre Anchieta, 1255 - Monte Castelo
Funciona de segunda a sexta-feira, das 8h30min às 12 horas e das 14h30min às 19 horas. Aos sábados, a loja funciona até às 17 horas.

Loja 2: rua 256, s/n - Nova Metrópole, Caucaia
Funciona de segunda-feira à sábado, das 8h30min às 12 horas e das 15h às 20 horas. Aos domingos, das 9h às 13 horas.
 

RUBENS RODRIGUES