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Clientes denunciam homofobia em supermercado de Fortaleza

12:09 | 12/12/2017
Atualizado às 14h45min
 
Um casal formado por duas mulheres passou por uma situação constrangedora no último sábado, 9, em uma loja do Extra, no bairro Parangaba. A professora e pesquisadora Tanara Sucupira, de 26 anos, relata que foi constrangida por outro cliente e não foi assistida por funcionários do estabelecimento. Caso ganhou repercussão nas redes sociais.

Tanara e a namorada Mayara Cabral, de 18 anos, estavam no caixa quando se abraçaram e trocaram selinho. "É o fim do mundo mesmo. O mundo tá cheio de viado e sapatão", disse um cliente que estava em outro caixa, com a família. Em relato compartilhado no Facebook, Tanara explica que funcionários do local chegaram a fazer sinal positivo com a cabeça concordando com o homem. Ao responder a abordagem, a cearense afirma que ouviu, em tom de ameaça: "Eu olhei pra você, sua sapatão?"

Em Fortaleza há quatro meses, Tanara e Mayara moraram em Curitiba, no Paraná, durante sete meses. Lá, elas afirmam que os casos de homofobia eram mais frequentes. A professora conta que chegou a ouvir de um homem, na rua, que "em outros tempos, elas seriam amarradas e jogadas em uma vala".

"Estamos sempre de mãos dadas. Não precisamos deixar de ser quem somos para que as pessoas lidem com isso. Somos um casal", afirma. "Em Curitiba, a gente passava por isso com mais frequência porque eles são mais tradicionais. Esse foi um dos motivos pelo qual resolvemos vir para Fortaleza. Aqui a gente recebe muitos olhares. Já vieram falar que (duas mulheres juntas) não é coisa de Deus. Mas esse constrangimento para todo mundo ouvir é a primeira vez que acontece". 
 
Após a abordagem, Tanara afirma que um segurança da loja perguntou, ao homem que estaria proferindo comentários homofóbicos, se ele precisava de ajuda. "Cheguei perto e expliquei que fui vítima de homofobia. O segurança indicou que eu procurasse atendimento na loja, fui atrás, pedi para chamarem a Polícia porque eu estava sem celular, mas ninguém fez nada". 
 
Após o pedido de ajuda, um fiscal da loja responsabilizou a cliente com a ação de procurar atendimento policial. "Não foi o Extra que ofendeu você, nem foi ofendido", teria dito o funcionário. 

A jovem recebeu apoio de outras pessoas após compartilhar o relato nas redes sociais. A página da loja no Facebook recebeu mais de 200 avaliações negativas nos últimos dois dias, ficando com a nota 1,4 de 5 estrelas na rede social.

"Empresa que compactua com casos de LGBTfobia não me representa", escreveu um usuário. "Preconceito, lesbofobia e conivência com agressão um casal de mulheres jovens. Todo o meu repúdio por esse absoluto absurdo", escreveu outra. 
 
Em nota, a assessoria de imprensa iformou que o Extra repudia a atitude discriminatória. A rede diz que tem na diversidade uma "importante alavanca social e econômica", respeitando a todos os clientes, colaboradores e parceiros.

"A rede lamenta o ocorrido e informa que está apurando o caso, pois a situação relatada está fora dos padrões de conduta ética praticada na empresa", diz o texto. "Promovemos a inclusão de todos os públicos em seu conceito mais amplo e isso é reiterado pelo compromisso assumido internamente no Código de Ética da companhia e publicamente com a participação no Fórum de Empresas e Direitos LGBT". 
 
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