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Usuários do IPM Saúde relatam dificuldade de atendimento médico

Usuários sofrem com a limitação de consulta e exames; IPM afirma que atendimento segue normalmente, ancorado no sistema de cotas

17:00 | 03/11/2017

Servidores públicos municipais usuários do IPM Saúde relatam dificuldades para realizar consultas, exames e outros procedimentos. Eles contribuem mensalmente com 2% do salário para ter acesso ao serviço. As cotas liberadas, no entanto, não atendem à demanda. O atraso no atendimento coloca em risco a vida dos pacientes. 

 

Na última quarta-feira, 1º, o Sindicato dos Servidores e Empregados Públicos do Município de Fortaleza (Sindifort), organizou uma manifestação em frente à sede do IPM, no Centro, para cobrar medidas da Prefeitura. Sem retorno do poder público municipal, um novo ato foi marcado para o próximo dia 10.

 

[SAIBAMAIS]São 83 mil usuários do programa, entre servidores e dependentes. Um deles é o comerciante José Alberto Araújo, 70 anos, beneficiário através da esposa, que é da área da educação. Por telefone, ele narrou a peleja para conseguir agendar a fisioterapia que tratará a incontinência urinária em decorrência do câncer de próstata. “Eu tento marcar há dois meses. A minha situação é horrível, estou passando por situações constrangedoras já que não posso me tratar”, expõe. 

 

A agente de saúde Maria de Lourdes da Silva, 66 anos, diz que tem grande dificuldade em marcar uma consulta em qualquer especialidade. “Depois do dia 5, não tem mais vaga. É uma dificuldade imensa”, reclama. Servidora municipal há 28 anos, Maria de Lourdes conta que passou a recorrer ao IPM Saúde desde que ficou sem o plano de saúde do marido, do qual era dependente. 

 

José também relatou dificuldades para marcar consultas de rotina. “Eles só informam que não tem cota”, explica. De acordo com a assessoria do IPM, o órgão “trabalha com cotas porque só pode gastar o que arrecada com as contribuições de seus usuários”.

 

A presidente do Sindifort, Nascelia Silva, afirma que a limitação para dependentes é um caso recorrente. “É um uso meio complicado. Por exemplo, se eu for titular, meus dependentes têm dificuldade. Se formos uma família em cinco, podem se consultar apenas dois. É uma situação insustentável”, explica. De acordo com a presidente, inquérito civil público contra o IPM já foi instaurado. 

 

 

Superintendente do IPM

De acordo com o superintendente do IPM Saúde, Ricardo Santiago, a cota de atendimento não diminuiu. O projeto é mantido por, além dos 2% mensais dos servidores, 4% da folha de pagamento da Prefeitura. "Muito pelo contrário, o que a gente tem feito é ampliação do serviço. Entendo o lado sindical, mas não fizemos nenhuma redução. Fizemos elevação na disponibilização de prestadores de serviços de saúde. Recentemente, fizemos o credenciamento do Hospital Nova Saúde", afirmou, em entrevista ao O POVO Online.

O gestor informa que, para cada tipo de atendimento, há uma cota; no caso das consultas, são 13 mil por mês, por exemplo. "No estatuto do Programa de Saúde, cada beneficiário tem direito a duas consultas eletivas por mês. Urgência é outra coisa, porque é liberado. No caso da consulta, historicamente, termina (a cota) no dia 26 ou 27 do mês. Assumi em 13 de junho, e estamos fazendo uma gestão de melhoria de atendimento ao usuário. Uma delas é na questão das consultas, mesmo que termine a cota, a gente faz uma complementação para fechar o mês", afirma.

Ricardo cita ainda que o problema de atendimento a gestantes do IPM Saúde, relatado por sindicatos em maio último, foi resolvido. "Não há nenhum prestador que não esteja nos atendendo por falta de pagamento. Estamos com nossas contas em dia. Finalizamos agora um trabalho de credenciamento de um novo hospital de referência em Fortaleza na área de ginecologia e obstetrícia. Não posso ainda dizer o nome, porque estamos fechando".

Ele compara o IPM com planos de saúde convencionais: "Não é um plano. A grande diferença é que no Programa tenho recursos que tenho que administrar para prestar da melhor maneira possível a assistência da saúde para nossos segurados e dependentes. Essa é uma grande diferença, porque quando os serviços médicos aumentam, o plano de saúde aumenta a mensalidade. Às vezes, as pessoas querem analisar como se fosse um plano de saúde", comenta.

O superintendente explicou que não tem reunião marcada com os beneficiários sobre as denúncias, mas está aberto ao diálogo. "A minha palavra é o diálogo. Temos ouvidoria, nós recebemos os posicionamentos e a gente toma as medidas necessárias. Não há nenhum relato de alguém ter prodcurado e não ter resposta", completa.    

 

Redação O POVO Online 

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