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Secretaria da Saúde atrasa entrega de leite especial para crianças alérgicas

Atraso na entrega das latas de leite especial foi noticiado pelo O POVO entre 2015 e 2016. Esta semana, as famílias foram surpreendidas ao saber do desabastecimento da fórmula . A previsão da Sesa é de que a distribuição seja regularizada em até 15 dias

17:20 | 10/11/2017

A distribuição do leite especial destinado a crianças com Alergia à Proteína do Leite da Vaca (APLV), cujo desabastecimento foi notícia no O POVO entre 2015 e 2016, voltou a apresentar atraso em sua distribuição. A denúncia é da Associação das Famílias e Amigos de Crianças com Alergia Alimentar (Afac). Famílias que receberiam latas de Neocate LCP e Aptamil Pepti, indicados para crianças de 0 a três anos, ou do Neocate Advance, para crianças de três a dez anos, foram informadas da falta dos produtos. O prazo para regularização da entrega é de até 15 dias, de acordo com a Secretaria da Saúde do Ceará (Sesa).

A auxiliar administrativa Tabita Oliveira, 30, deveria receber cinco latas para o filho André Gustavo, na última quinta-feira, 9. "Eles ligaram dizendo que não fosse lá na secretaria, porque teve um atraso. Disseram para eu ligar agora só no dia 17 (de novembro)", conta a mãe. André Gustavo apresentou reações adversas à proteína logo após o nascimento e, por ainda estar sendo amamentado, a mãe também precisa fazer a dieta sem proteína do leite de vaca.

A única lata que Tabita ainda possui em casa já está com menos da metade. "E ele está doente, aí que precisa mesmo (do leite especial). Por causa da virose, está com febre e feridinhas no corpo, aí nem o peito mama direito", diz Tabita. As crianças alérgicas à proteína do leite de vaca não podem, em hipótese nenhuma, ingerir uma fórmula que não seja a especial. Os sintomas, no caso dessa ingestão inadequada, são coceiras, manchas vermelhas, vômito, diarreias, chiado no peito, queda de pressão, desmaio e irritabilidade.

A presidente da Afac, Aline Saraiva, estima que cerca de cinco mil crianças no Estado são alérgicas e dependem do repasse do leite especial da Sesa. Dessas, uma média de duas mil são menores de três anos e atendidas pelas fórmulas do Neocate LCP ou Aptamil. "Na terça, confirmaram a falta, com a justificativa de que a transportadora teve um problema. Todo ano isso acontece, seja por transportadora, seja por repasse ou mesmo por falta de organização na compra. Nessa situação, as crianças são as maiores prejudicadas, ainda mais aquelas em vulnerabilidade econômica e social", diz ela.

No caso das famílias do Interior, que vêm à capital buscar as latas na sede da Sesa, o prejuízo é ainda maior, garante Aline. "Imagine os gastos de quem se organizou pra chegar aqui e voltar de mãos vazias", afirma Aline. Ela, que também é mãe de uma criança alérgica, receberia o Neocate Advance nesta sexta-feira, 10. "Outras famílias também foram lá (hoje), e não tem previsão; estou indo à Promotoria de Saúde para solicitar um pedido formal sobre o que está acontecendo", frisa.

A sorte da pequena Anita, de oito meses, foi receber uma lata de Neocate LCP de doação, segundo a mãe dela, Vitória Régia. Por mês, ela recebe nove latas da fórmula, que custa aproximadamente R$ 187 a unidade. "Disseram para mim que teve um problema, que não podiam fazer nada. Uma outra mãe doou para minha filha para aguentar até o dia 17. Graças a Deus, porque nunca tinha faltado, estava sempre recebendo direitinho", completa.

Sesa
Procurada pelo O POVO, a Sesa informa que a compra das fórmulas infantis fornecidas - Neocate LCP, Neocate Advance, Pregomin e Aptamil Pepti- está em processo, com prazo de regularização de até 15 dias. Ao todo, 3.384 crianças são atendidas no Ceará pelo Programa de Alergia à Proteína do Leite de Vaca (APLV). O motivo do atraso não foi informado. Confira a nota da secretaria, na íntegra:

"A Secretaria da Saúde do Ceará informa que, atualmente, O Programa de Alergia à Proteína do Leite de Vaca (APLV) atende a 3.384 crianças, sendo 3.000 no Centro de Saúde Meireles (CSM), 84 no Hospital Infantil Albert Sabin (Hias) e 300 no Núcleo de Atendimento Médico Integrada (Nami). Destas, 2.500 recebem a fórmula especial. Atualmente, crianças com idade de 0 a 4 anos são acompanhadas pelo programa e recebem as fórmulas especiais na Sesa. As fórmulas infantis fornecidas pela Secretaria da Saúde do Estado são Neocate LCP, Neocate Advance, Pregomin e Aptamil Pepti. Para este mês de novembro, a Sesa ratifica que a compra já está em processo para empenho e o prazo para regularização da entrega é de até 15 dias.

A alergia à proteína do leite de vaca é o tipo de alergia alimentar mais comum nas crianças até vinte e quatro meses e é caracterizada pela reação do sistema imunológico às proteínas do leite, principalmente à caseína (proteína do coalho) e às proteínas do soro (alfa-lactoalbumina e beta-lactoglobulina). É importante ressaltar que o leite materno é apropriado para a maioria das crianças com alergia ao leite de vaca e deve ser sempre estimulado como primeira opção. O surgimento da alergia alimentar depende de diversos fatores, incluindo a hereditariedade, a exposição às proteínas alergênicas da dieta, a quantidade ingerida, a frequência, a idade da criança exposta e, ainda, o desenvolvimento da tolerância. A amamentação é bastante eficiente na prevenção à alergia ao leite de vaca e também para o desenvolvimento da tolerância oral aos alimentos.

A equipe multiprofissional do APLV da Sesa, formada por médicas gastropediatras e alergologistas, enfermeiras, nutricionista e psicólogo, acolhe, orienta e acompanha mães e crianças para garantir a melhor dieta e tratamento aos pacientes. O serviço especializado não apenas garante o tratamento de crianças alérgicas à proteína do leite, como também orienta as mães sobre a importância do aleitamento materno para a saúde do filho."

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