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Homenageado na Câmara nesta sexta, Eliomar de Lima fala sobre os 10 anos do blog

O inquieto Eliomar de Lima bate-papo sobre seu cotidiano e jornalismo. Colegas de profissão falam sobre ele, que hoje recebe a medalha Boticário Ferreira na Câmara de Vereadores

16:30 | 05/10/2017
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“Jornalista, radialista, professor e escritor de histórias infantis, mas, acima de tudo, um viciado em informação, não dispensa cantarolar de vez em quando”, assim é o "auto-retrato" do jornalista Eliomar de Lima. O bom humor e o vício em boas histórias o acompanham há 34 anos como profissional, sendo 32 destes só de Grupo de Comunicação O POVO.

No jornalismo on-line, Eliomar está há 10 anos, ainda que não saiba precisar o dia exato que a primeira notícia foi publicada. A data é marcada pela homenagem que recebe hoje, dia 6, na Câmara de Fortaleza - a medalha Boticário Ferreira.

O reconhecimento também vem nomes da política, a exemplo  de Ciro Gomes (PDT). “Espero que Deus lhe dê mais 10, mais 10, mais 10 e outros tantos 10 anos, que você merece”, desejou o presidenciável. O trabalho também foi parabenizado pelo governador Camilo Santana (PT), que chamou atenção para o pioneirismo do blog jornalístico no Ceará, e pelo prefeito Roberto Cláudio. Além disso, como homenagem, ainda recebeu um café da manhã dos colegas de redação.

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Entre os fatores determinantes para o sucesso na profissão, ele destaca o Aeroporto Internacional Pinto Martins como peça-chave, lugar onde há mais de 30 anos chega diariamente, às 4h, para entrevistar personalidades, que vão de políticos a músicos, passando por personagens do mundo futebol.

 

Confira entrevista.

O POVO - Entre outras características, você é conhecido pela velocidade de perceber o que rende notícias e, em seguida, concretizar essas notícias em um texto, características essenciais ao jornalismo que se faz no meio online. Qual é a diferença que você poderia estabelecer entre o online e o impresso? 

Eliomar de Lima - A diferença principal é que o online já é o fato do dia acontecendo e o impresso tende a replicar o que houve ou então aprofundar. Eu, que venho da máquina de escrever, me adaptei ao online principalmente pela experiência em aeroporto. Eu tenho 34 anos de profissão, 32 do O POVO e 31 no Aeroporto Pinto Martins, cobrindo autoridades que eu não sei quem é, não sei se é homem ou é mulher, não sei qual é o tipo de assunto, mas tenho que estar sempre preparado. Eu não sou repórter pautado, tenho que estar sempre criando minhas pautas para que eu possa entrevistar, até porque, do aeroporto, eu mando notícias para a rádio, e rádio é ao vivo, né? Digamos assim.

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OP - E qual é a dificuldade de ser um repórter não pautado?

Eliomar - A dificuldade é que nós temos que buscar sempre a informação. Estar sempre informado de muitas coisas, tentar ser um polivalente, saber um pouquinho de cada coisa, do esporte, do Ceará que está jogando, do Fortaleza, de político que vai, do assunto que pode ser conversado. Então eu pego um assunto nacional do dia e mesclo com assuntos locais, aí faço minha pauta.

OP - Falando em polivalência, você faz entradas diárias na Rádio O POVO/CBN, tem a coluna Vertical, o blog e, quando solicitado, aparece nas lives do O POVO Online. Essa versatilidade sempre foi uma característica do Eliomar ou foram os rumos tomados pelo jornalismo, com a convergência midiática, que o fizeram mudar?

Eliomar - Acho que foi uma exigência quando me colocaram no Aeroporto Pinto Martins. Como eu te disse, ninguém nunca sabia quem era que iria passar, se era político, se era jogador, se era artista. Todo dia tem novidade ali. E a partir daí eu fui, sem querer, tendo que me adaptar ao contexto do aeroporto, que é polivalente, por conta dos diversos personagens que você vai entrevistar. Quando cheguei ao blog, eu não senti muita diferença, em razão de já ter aberto essa noção de amplitude da informação, de já estar preparado para entrevistar.

OP - Então o Aeroporto Pinto Martins foi determinante para a sua carreira.

Eliomar - Foi uma grande escola, a partir do momento que você tem que estar bem preparado e conhecer gente, ter fontes e criar fontes.

OP - E ao longo da sua carreira essas fontes foram se multiplicando por qual motivo?

Eliomar - Tenho muitas fontes. Acho que pelo caminho que eu trilhei, de buscar credibilidade todos os dias, tentar dar o melhor de mim: a informação, por madrugar. “Quem madruga, Deus ajuda”, não é esse o ditado popular? Pois eu trabalho nessa tese. Se eu madrugo, se eu saio de casa correndo risco de segurança, eu tenho que procurar produzir alguma coisa que seja boa para mim, para eu me sentir feliz e, principalmente, como produto final, para que o meu leitor possa continuar me lendo, para eu obter credibilidade.

OP - No seu trabalho, você fala de política economia, atualidades. É um trabalho abrangente. Nesses 34 anos de jornalismo, tem algum erro que você olha e pensa que poderia ter feito diferente?

Eliomar - Foram vários episódios. Mas eu não procuro alimentar erros que não foram tão sérios assim ao ponto de causar prejuízos à sociedade. Foram erros mais, digamos, de processos ligados a indivíduos. Mas eu não me penitencio pelo erro jornalístico quando este erro não atingiu a sociedade.

OP - Indo agora mais para o lado pessoal. Uma das principais características que você tem é o bom humor. Em uma profissão muitas vezes marcada pelo estresse, você vê essa descontração como uma necessidade?

Eliomar - É um antídoto para suportar o dia. Eu sou uma pessoa, principalmente, apesar de o pessoal dizer que sou muito alegre e muito louco de vez em quando, eu sou muito disciplinado. Eu tenho foco. Acho que você tem ter foco, disciplina e projeto. E eu tenho isso. Então a busca dessa alegria, desse bom humor, é um antídoto para que eu possa cumprir com as minhas obrigações diárias sem ficar tão estressado e chegar em casa feliz para minha mulher e meus filhos.   

OP - Você, com tanto tempo de jornalismo, teria algum conselho para dar aos jovens que estão dando os primeiros passos na profissão?

Eliomar - Conselho não se dá! Se conselho fosse bom, se vendia, reitero mais uma vez o ditado popular. Mas eu acho que, se você optou pelo jornalismo, você tem que gostar mesmo de fazer o que faz. É o seu projeto de vida, então você tem que amar aquilo que você vai fazer. Se você ama, você começa a ser cativado... Quem ama cuida, não é isso? Então você procura cuidar melhor da sua profissão, mesmo que tenha dificuldades financeiras ou não, mas você gostando já um grande passo para obter sucesso nessa profissão. Acho que a prioridade é amar o que faz e outra: não se acomodar, criar fontes. Jornalista tem que criar fontes, tem que buscar informação onde ela está e não ficar com a bundinha sentada na cadeira da redação e não esperar a pautinha do editor.

Colegas de profissão falam sobre Eliomar:

Ivan Bezerra, repórter de Esportes do jornal Diário do Nordeste:

Sobre as conhecidas brincadeiras: “Ele colocava as anotações de conteúdo na lousa e colocava o meu nome: professor Bezerra. Aos poucos as pessoas foram percebendo que era brincadeira e o nome pegou”.

Sobre a dupla que faziam para a cobertura dos jogos internos da UFC: “Ele era narrador e eu comentarista. Eram jogos internos da UFC, todas as faculdades do Centro de Humanidades jogavam entre si. A gente não jogava, mas narrava. Seminários também apresentávamos juntos.” . Na Universidade, “a turma era eu, Eliomar, Gualter George e Oscar Bezerra”, recorda.

Gualter George, editor-executivo do núcleo de Conjuntura do jornal O POVO

"O mais impressionante do Eliomar de Lima é que ele hoje, passados 35 anos do dia em que nos conhecemos, consiga ser a mesmíssima pessoa. Claro que o cabelo já não é o mesmo, mas o espírito permanece exatamente igual. A energia segue na mesma voltagem, o espírito moleque também, associados à capacidade de manter um senso de responsabilidade que era do estudante e continua sendo do jornalista. Colega de sala, nos saudosos tempos do curso de Comunicação Social, companheiro de bancada na Redação do jornal O POVO, sua marca sempre foi a solidariedade extrema, a alegria plena e o compromisso permanente com a tarefa que lhe estiver atribuída. Tem sido uma honra ser amigo do Eliomar e é um prazer permanecer seu companheiro de trabalho"

Cinthia Medeiros, editora-executiva do Vida&Arte

Sobre sua admiração por Eliomar: “Conhecer Eliomar de Lima, no meu tempo de estudante de jornalismo, era quase um dever. O repórter que madrugava no aeroporto, que conseguia furos, que era o sonho, ou o terror, de muitos assessores. Naquela época, pra mim, ele já era um "ícone".

Sobre a convivência: “Da minha bancada escuto o 'Deus lhe abençoe', ainda sonoro, que se repete a cada ligação que ele atende. Também escuto as paródias que ele compõe com os nomes dos colegas e que repete a cada troca de olhar com o 'homenageado'. Entre uma notícia e outra que ele apura, o vejo implicando com um e com outro, anunciando a carona para o grupo de estagiários que segue com ele rumo à avenida da Universidade; cutucando e dando sustos nos mais desavisados, puxando o coro para uma cantoria. Tê-lo por perto é sinônimo de inquietação frequente, de leveza, e de muitas lições. E por vezes, também exige paciência (que precisa de silêncio pra trabalhar entende!). Parabéns, Eliomar! E agora é minha vez: 'Deus lhe abençoe!' "

Matheus Nunes, estagiário de Mídias Sociais, apelidado de “Gregori”, sem motivos aparentes, por Eliomar

“Todo mundo que chega aqui na redação, estagiário ou jovem aprendiz, o Eliomar é sempre o primeiro que vem recepcionar. Tipo, parece que ele já conhece as pessoas há anos, já apelida, deixa as pessoas bem à vontade. A importância dele na redação, além da experiência, é pelo alto astral, que faz com que não tenha tristeza no ambiente. Às vezes, quando está um dia muito tenso, ele tenta animar de alguma forma. Nunca vi ele chegando aqui triste, nem segunda-feira. É sempre na animação e, claro, produzindo conteúdo de alta qualidade, que é blog mais lido da casa, né? Só tenho coisas boas para falar do Eliomar”.

 

Veja também o artigo escrito por Vinicius França, filho de Eliomar.

 

 

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