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Com construção do Cuca, comunidade teme retirada de creche e posto de saúde

07:00 | 16/10/2017
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Construído nos anos 1970, o Centro de Cidadania e Direitos Humanos (CCDH), localizado no bairro Planalto Pici, deverá ser transformado em Centro Urbano de Cultura, Arte, Ciência e Esporte (Cuca). Com a mudança, moradores da comunidade temem perder a unidade básica de saúde, a creche e a escola, que funcionam no equipamento. No local, atualmente também funcionam um posto do Cadastro Único e uma Junta do Serviço Militar.

Seria o quarto Cuca a funcionar em Fortaleza. O projeto municipal, que oferta atividades gratuitas de capacitação profissional, culturais, esportivas e de lazer, já foi instalado nos bairros Jangurussu, Barra do Ceará e Mondubim.
 
Nos primeiros anos após a implantação, o então Centro Social Urbano César Cals (CSU) - que mudou de nome durante a gestão Roberto Cláudio - também ofertou cursos gratuitos para a comunidade, como artesanato e corte e costura, além de atividades esportivas. Os serviços foram minguando com o passar dos anos e das gestões. A comunidade, no entanto, não cogita perder o que é oferecido hoje. É o que diz a servidora pública Magnólia Barros, 51 anos. "Sem o Centro de Cidadania, acaba a creche e o posto de saúde, que são importantes. Pra gente mesmo, que é servidor, a Prefeitura não diz nada", reclama.
 
Moradora do Pici há 20 anos, a dona de casa Ester Guimarães, 63, sente falta dos cursos oferecidos quando o equipamento ainda se chamava Centro Social Urbano César Cals (CSU). "Eu parei de vir atrás porque não tem mesmo, né? Sempre usei os serviços do CSU e a diferença daquele tempo pra cá é enorme. Os serviços diminuíram. Era mais fácil até pra pegar remédio. As consultas eram marcadas com mais rapidez", lembra. "Mas a gente sabe que a culpa não é dos servidores. É um problema da gestão. A gente vê que a preocupação não é a mesma de antes".
 
Uma das maiores preocupações da comunidade é a possibilidade de perder o Posto de Saúde César Cals de Oliveira Filho, que integra o complexo. Lotado de pacientes na manhã desta segunda-feira, 9, o posto carece de rapidez no atendimento. A reclamação vem, principalmente, das mães que aguardavam atendimento na unidade.

Membro do Conselho de Saúde da Unidade, Francisco Cabral, diz que a comunidade "não vai aceitar sair" do espaço que já existe sem um novo posto de saúde "de acordo com as necessidades" das pessoas que buscam os serviços. A relação de Cabral vai além do Conselho de Saúde da Unidade. Foi lá, nos anos 1970, que ele afirma ter se formado como atleta e profissional. "Foi aqui que virei técnico de natação e salvamento".

"Nós acompanhamos as demandas e as dificuldades do posto, e existe um apavoramento grande em relação a saída dele. Até agora não teve nenhuma reunião conosco", diz. "Mandaram um papel aí, um projeto, comunicando a retirada. A Prefeitura precisa vir aqui, explicar as necessidades e o que realmente vai acontecer".  Ainda conforme o membro do Conselho de Saúde, existe um terreno, na rua Franco Rocha, ainda no Pici, onde o novo posto poderá ser construído. 
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O que diz a gestão 
Embora a comunidade esteja insatisfeita com a falta de diálogo, o coordenador da unidade de Saúde classifica a possível perda dos serviços como "uma confusão". Ele mostra, no celular, um áudio do prefeito Roberto Cláudio enviado aos profissionais de saúde. Na gravação, RC diz que há "uma parcela preocupada em espalhar boatos" e que o impasse é apenas se o posto de saúde será ampliado ou construído em um novo espaço.

Antes gerido pela Secretaria Regional (Ser) III, o CCDH agora é da Secretaria do Direitos Humanos e Desenvolvimento Social (SDHDS). Se a tranformação em Cuca for efetivada, a gestão passa a ser da Coordenadoria da Juventude.

A Secretaria Regional (Ser) III e a SDHDS confirmam que Cuca será instalado no lugar do antigo CSU, mas ainda não há data para o projeto sair do papel. O posto de saúde, diz a pasta, vai continuar na comunidade e passará por melhorias.

Por telefone, a assessoria da Ser III diz que a Prefeitura deverá debater essa mudança com a comunidade, mas ainda não existe previsão a curto prazo para as reuniões ocorrerem. Participarão desse encontro, a Secretaria Municipal de Infraestrutura (Seinf), que vai realizar a obra, e a Secretaria de Desenvolvimento Social, Direitos Humanos e Combate à Fome, que gere o equipamento. 
 
Em nota, a SDHDS afirma que a última reforma no equipamento foi realizada em 2015. Passaram por melhorias as piscinas adulta e infantil que, atualmente, passam por manutenção. A pasta diz que as atividades de natação e hidroginástica devem retornar em novembro próximo. 

A pasta diz ainda que a comunidade tem acesso a dança folclórica, zumba e karatê, ações que o público ouvido pelo O POVO Online diz estarem paradas. O CCDH do Pici recebe em média 2500 pessoas mensalmente, ainda segundo a gestão.

"Somente em 2016, foram mais de R$ 29 milhões investidos em Juventude e mais de 330 mil atendimentos na Rede Cuca", diz a SDHS em nota. 
 
 
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