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Fortaleza
bronze

"Banhistas" ocupam calçada da avenida Dom Luís; saiba quem são

16:55 | 11/10/2017
(Foto: WhatsApp O POVO)

Quem passou na avenida Dom Luís na manhã desta segunda-feira, 9, teve, provavelmente, uma dúvida.  Sem motivos aparentes, um grupo de seis pessoas foi avistado fazendo de “praia” um trecho da calçada da avenida. Partida de vôlei, cadeiras de sol, biquínis, bebidas alcoólicas, protetores solares e outros objetos compunham o ambiente litorâneo. 

A intervenção foi idealizada durante a oficina “Nomadismo Urbano: a cidade como campo poético e político”, realizada no Porto Iracema das Artes. A ação também é parte da pesquisa de mestrado em artes cênicas pela Universidade de São Paulo (USP) do artista cearense Eduardo Bruno. Ele, um dos facilitadores da oficina, explica que a ideia era discutir a potência da arte em espaços urbanos e a ação se propôs a  “justamente desorganizar o que está organizado”.

Para Bruno, “fazer uma praia no meio da rua” tinha por objetivo sugerir um confronto com a realidade imposta pela avenida - um corredor comercial. “A performance tem a ideia de borrar essas fronteiras”, esclarece. 

O artista relata que as interações que nascem a partir do trabalho são as mais variadas. Uma senhora, por exemplo, ao descer do ônibus, brincou com o grupo, falando que tinha tomado o percurso errado e descido na praia. Para o pesquisador, isso é uma forma de produzir outro rumo, mesmo que mínimo, para o dia da mulher.

Outras pessoas que passaram por ali, no entanto, classificaram como “viadagem” ou “vagabundagem”, o que o idealizador do projeto atribui a um conceito pré-estabelecido de grande parte das pessoas de que arte é apenas aquilo que está na TV Globo.   

Hoje, a oficina continua com as atividades. Desta vez, na Praça do Ferreira, o exercício para os alunos é o de lavar os pés dos que estiverem passando lá.

CARLOS HOLANDA