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Banco de pele de tilápia da UFC vai fornecer material para vítimas de creche incendiada em MG

Vítimas terão disponíveis, além do curativo biológico à base de pele de tilápia, três médicos e uma enfermeira da UFC. A equipe vai acompanhar os trabalhos em Minas Gerais.

19:30 | 16/10/2017
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O Banco de Pele da Universidade Federal do Ceará (UFC) vai enviar ajuda para a recuperação das vítimas do incêndio na creche em Janaúba, no norte de Minas Gerais. À base de pele de tilápia, os curativos biológicos para tratamento de queimaduras devem auxiliar na recuperação dos mais de 20 feridos, além de três médicos e uma enfermeira da UFC. A equipe vai acompanhar os trabalhos em Minas Gerais. A pele do peixe já foi usado em mais de 150 pessoas no Ceará desde quando começou a ser usado como curativo biológico temporário, em junho de 2016.
 
“A pele da tilápia tem quase a mesma quantidade de colágeno que a pele do ser humano. Ela causa boa aderência na ferida, tampa completamente o ferimento e evita a contaminação externa”, informa o cirurgião plástico Edmar Maciel, coordenador da pesquisa no Banco de Pele. O pedido para a participação da Universidade foi feito por meio da Sociedade Brasileira de Queimaduras, da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e do Ministério da Saúde. “Essa é a primeira pele aquática do mundo sendo usada para o tratamento de queimados”, avisa Maciel.
 
A pele da tilápia tem algumas vantagens em relação ao tratamento convencional. Ao contrário do curativo não-biológico, a pele não necessita ser retirada da pele para as limpezas, o que provoca uma diminuição substancial das dores nos pacientes. A própria camada mais cutânea do ser humano faz com que a pele de peixe seja expulsa do organismo.
 
Atentado contra creche
Na manhã de 5 de outubro, o vigia da creche Gente Inocente, Damião Soares dos Santos, 50, em Janaúba, ateou fogo contra si mesmo e contra crianças e funcionários do local durante uma comemoração antecipada do Dia das Crianças. Ao todo, 11 pessoas morreram, entre elas o vigia e a professora Heley de Abreu Silva Batista, 43, que tentou impedir a ação do homem e salvou várias crianças. As demais vítimas tinham idades entre 4 e 5 anos.
 
Técnica
Após ser submetido a alguns processos — fundamentais para a esterilização da pele do peixe — o tecido da tilápia é aplicado em camadas sobre o ferimento dos pacientes. Passado determinado período, que depende do grau de queimadura, o curativo começa a se soltar e a pele a se recuperar, deixando, inclusive, cicatrizes muito menores.
 
Redação O POVO Online 

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