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Ceará é o 4º estado do NE em produção de esgoto a céu aberto e fossa, diz estudo

Pernambuco, Bahia e Ceará, juntos, representam 56% dos recursos necessários para tratamento dos esgotos na região Nordeste, conforme a pesquisa

15:50 | 26/09/2017
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O Ceará é o quarto estado do Nordeste em produção de carga orgânica não coletada e não tratada, por dia, de acordo com o Atlas Esgotos: Despoluição de Bacias Hidrográficas, divulgado nessa segunda-feira, 25. O levantamento da Agência Nacional de Águas (ANA) aponta que o Estado cearense não recolhe 91,4 toneladas de esgoto diariamente, ficando atrás da Bahia (183,1 t/dia), Pernambuco (175, 9t/dia) e Maranhão (183,1 t/dia).
O esgoto não coletado e nem tratado integra - além do lançamento a céu aberto (lançamento em rede de águas pluviais ou em sarjetas, disposição direta no solo e nos corpos d’água) - fossas rudimentares ou negras, em que a carga orgânica é despejada diretamente no solo, devido à falta de saneamento. Os esgotos coletados e não tratados são lançados em corpos hídricos pelas prestadoras de serviço, conforme a ANA.

A pesquisa ainda mostra que, da quantidade de carga orgânica coletada, 14 toneladas por dia não são tratadas e são despejadas em mananciais, de forma inadequada; são tratados 141 toneladas, por dia. Em relação à cobertura de esgotos, o Ceará tem 44% da população atendida pela coleta de esgoto e 40% com esgoto tratado.

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A parcela da população atendida por tratamento de esgoto em relação à coletada é de 91% no Ceará - maior índice do Nordeste. Atrás do Ceará nessa relação, estão os estados da Bahia (81%), Piauí (81%) e Rio Grande do Norte (80%).

O Ceará, ainda de acordo com o levantamento, tem 134 municípios com efluentes de capacidade nula de diluição da carga orgânica. De capacidade de diluição ruim ou péssima, são listados 22 municípios; apenas 22 têm capacidade de diluição ilimitada e seis têm capacidade ótima/boa/regular.

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A Secretaria das Cidades, que responde pela gestão de saneamento do Ceará, diz que o Estado possui mais de 35 projetos de esgotamento sanitário em andamento. Nove desses projetos possuem entrega em 2018 e 14 em 2019. "Em 2016, a Secretaria das Cidades calculou um índice de cobertura de 38,24% para o Ceará. Com a conclusão dos referidos projetos, estima-se alcançar, em 2019, o índice de cobertura de 42,95%. Entre estes projetos, podemos destacar a ampliação do sistema de esgotamento sanitário nas bacias do Rio Cocó, o sistema de esgotamento sanitário de Itaitinga e de Milagres, entre outros", informa, em nota.

As informações sobre a coleta e tratamento de esgotos de cada um dos 5.570 municípios serão disponibilizadas no Sistema Nacional de Informações de Recursos Hídricos (Snirh), a partir das 16 horas desta terça-feira, 26.

Brasil
No País, apenas 39% da carga orgânica gerada diariamente (9,1 mil t) é removida pelas 2.768 Estações de Tratamento de Esgoto (ETE) existentes antes dos efluentes serem lançados nos corpos d´água.

De acordo com o estudo, 5,5 mil toneladas podem alcançar os corpos hídricos do país. A Resolução Conama 430 (2011) prescreve o tratamento de pelo menos 60% do DBO (Demanda Bioquímica de Oxigênio), antes do lançamento. Do total de municípios, 70% não possuem uma estação de tratamento de esgotos.

O valor estimado para tratamento dos esgotos no Atlas Esgotos foi de R$ 47,6 bilhões. A maior parcela dos investimentos foi estimada para a região Nordeste, onde cerca de 70% dos investimentos foram previstos para implantação de rede coletora. Os estados de Pernambuco, Bahia e Ceará, juntos, representam 56% dos recursos necessários para a região, diz a pesquisa. 

Serviço
Atlas completo no link.

Redação O POVO Online

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