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Xico Canuto, dono do bar Bicho Papão, é assassinado na Praia de Iracema

Autor do crime entrou no estabelecimento encapuzado e efetuou disparos à queima roupa na cabeça da vítima. Homem saiu andando do local do crime

09:52 | 03/07/2017
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O dono do bar Bicho Papão, Xico Canuto, foi assassinado a tiros, por volta de 1h desta segunda-feira, 3, dentro do estabelecimento, na Praia de Iracema. Um homem encapuzado entrou no local e efetuou três disparos à queima roupa na cabeça da vítima, segundo a funcionária Karla Kelly. O velório será realizado a partir das 16h na funerária Ternura, na Aldeota.

[SAIBAMAIS]

"Ele estava no mesmo lugar de sempre, sentadinho no computador. Um cara encapuzado entrou, foi até o balcão e atirou", comentou Karla, que trabalha há 12 anos para Canuto.

O autor do crime saiu andando no rumo da comunidade do Baixa Pau, na Praia de Iracema. Xico Canuto morreu no local. Até o momento ninguém foi preso.

No Facebook, várias mensagens de homenagem foram publicadas na página de Canuto. Alguns usuários relembraram posts antigos do proprietário do Bicho Papão. Em um deles, do dia 25 de novembro, ele dizia que estava vivendo um momento complicado na Praia de Iracema, supostamente por sofrer pressão de traficantes da região.

"Estou vivendo o meu pior momento na praia (de Iracema) por não aliciar o Bicho Papão ao tráfico que hoje manda e desmanda", publicou na época.

Em uma mensagem postada mais recente, no sábado, 1º, Canutou publicou: "Não me busque na morte e sim em vida".

 

Depoimentos

Xico Canuto era figura conhecida e querida na Praia de Iracema por valorizar a cultura do reggae e pela luta contra as drogas. O Bicho Papão é considerado o bar de reggae mais antigo da Cidade. No ano passado, o estabelecimento fez parte "IV Mostra da Cultura Reggae no Ceará", onde Canuto participou de um bate-papo sobre os 30 anos do local.

"Ele era o pai do pobre. Ajudava todo mundo, dava água, suco, café. A luta dele sempre foi contra as drogas. Não queria que o bar dele fosse usado para o consumo de droga. Não aceitou e nunca iria aceitar", disse Karla.

Amigo de Canuto desde o 15 anos de idade, o presidente da Central Única das Favelas (Cufa), Preto Zezé, 41, encontrou o colega na semana passada. "Foi tranquilo. Falamos sobre o nosso time, Fortaleza, e comentamos a ideia de fazer um evento cultural na rua ao lado do bar", lembra.

Segundo Preto Zezé, Canuto era um ícone cultural da Praia de Iracema. "Era muito querido, vai fazer falta. Era um cara que mantinha vivo, além da cultura do reggae, o lado acolhedor da noite", afirmou.

O cantor Shalon Israel exalta o lado "conselheiro" de Canuto. "Ele era o cara! Tratava a gente muito bem. Era como um paizão da rua", disse.

O produtor musical Marcos Anselmo também reforça a figura paterna de Canuto. Segundo ele, o dono do Bicho Papão tratava a todos de forma igual e distribuía conselhos. "Ele abraçava todo mundo. Muita gente é agradecido pelos conselhos dele. Era um cara altamente pacato. Muito gente está sentindo a morte dele", comentou.

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