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Pesquisadores apresentam relatório técnico para tombamento definitivo da Vila Vicentina

A Instrução de Tombamento será analisada pela Seculftor, e os estudos serão depois apresentados ao Comphic. A Vila está provisoriamente tombada desde novembro e protegida de qualquer modificação

18:23 | 22/05/2017
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Relatório técnico para reforçar o valor cultural e a importância do tombamento definitivo da Vila Vicentina da Estância, no bairro Dionísio Torres, será apresentado à Secretaria da Cultura de Fortaleza (Secultfor) na tarde desta terça-feira, 23. O plano foi elaborado por pesquisadores da Universidade Federal do Ceará (UFC), junto com moradores, sob orientação do professor Romeu Duarte. Desde novembro, a Vila Vicentina está protegida por tombamento provisório, que garante que o bem não pode sofrer modificações.

O professor do Departamento de Arquitetura da UFC, Romeu Duarte, protocolou um dos três pedidos de tombamento da Vila. Os outros dois foram submetidos pelos então vereadores Guilherme Sampaio (PT) e João Alfredo (Psol).

A instrução de tombamento finalizada agora tem cerca de 80 páginas, ilustradas com desenhos e imagens iconográficas. "Encaramos esse trabalho como uma contribuição técnica, e a Vila está aberta a outras. São informações históricas da Vila, que em alguns momentos se confundem com a do bairro (Dionísio Torres). Trazemos as questões arquitetônicas relacionadas às simbólicas e afetivas, desde meados da década de 40", explica ele.

A disputa envolvendo a Vila Vicentina se agravou quando oito casas foram demolidas, em outubro do ano passado, depois da Justiça expedir mandado de reintegração de posse. Os moradores denunciaram pressão para deixar os imóveis e reivindicam a regulamentação do espaço como Zona Especial de Interesse Social (Zeis), enquanto o Conselho Central de Fortaleza da Sociedade São Vicente de Paulo questionava a propriedade e a utilização do local.

Com o tombamento provisório, a resistência Vila Vicentina – formada pelos moradores que lutam pela permanência - ganhou força, promovendo uma série de oficinas no local, segundo a aposentada Maria de Fátima Moreira de Souza, 57. "Estamos fazendo de tudo para ter visibilidade, já temos muito apoiadores, entre professores e estudantes, amigos e familiares. Já teve oficina de dança de salão, bordado, jogos. Neste mês, celebramos missas em homenagem ao centenário da primeira aparição de Nossa de Fátima", narra a moradora.

[SAIBAMAIS]Fábio Pinheiro, psicólogo que também participou da elaboração do relatória, destaca a preservação de costumes entre os moradores da Vila Vicentina. “A vila foi doada, e os próprios moradores demonstram esse caráter fazendo benefeitorias às pessoas que vão lá. Um terreno de Zeis que deve cumprir sua função social de moradria. A vila ganhou o prêmio da Defensoria Pública de melhores práticas de resistência, pois os moradores tem se articulado para enfrentar essa situação", frisa o profissional.

A Seculfor informou, por meio de assessoria de imprensa, que conta com o apoio do Departamento de Arquitetura e Urbanismo para a elaboração da Instrução de Tombamento. "Após análise do documento, os estudos serão apresentados ao Conselho Municipal de Proteção do Patrimônio Histórico-Cultural (Comphic) e, se aprovados, seguirão para decisão final do chefe do executivo", completa, em nota.

O POVO Online procurou o secretário do Conselho Central de Fortaleza da Sociedade São Vicente de Paulo, Roberto Figueiredo, mas as ligações não foram atendidas. Na época em que o pedido de tombamento da Vila Vicentina foi admitido pela Secultfor, ele informou que a entidade obedece à lei e cumpre o que é determinado.

Patrimônio

O professor Romeu Duarte destaca três pontos centrais para justificar o tombamento da Vila Vicentina: documento histórico, arquitetura e preservação ambiental. "É documento do processo de expansão da cidade para o leste, com essa afetividade construída pelos moradores e seus vizinhhos. Um produto arquitetônico em extinção na cidade, se desaparecer a cidade ficará sem essa tiopologia interessante", diz Romeu.

Do ponto de vista ambiental, a Vila equilibra a temperatura com a manutenção da vegetação, segundo ele, "o contrário do que ocorre no bairro, que está se verticalizando de forma avassaladora".

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