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Ninguém foi preso dois meses após espancamento da travesti Hérica

Familiares e amigos de Hérica Izidório, que morreu nesta terça após dois meses em coma, ainda esperam uma resposta das autoridades

20:21 | 12/04/2017
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A travesti Hérica Izidório morreu nesta quarta-feira, 12, quando completam dois meses de ter sido espancada na avenida José Bastos. Desde então, estava internada em coma no Instituto José Frota (IJF). O laudo da causa da morte deve sair em sete dias. Até o momento, ninguém foi preso suspeito pelo crime, e a família e os amigos da vítima ainda esperam uma resposta das autoridades.

[SAIBAMAIS]
Diferente do caso Dandara dos Santos, travesti assassinada brutalmente no bairro Bom Jardim, os suspeitos do espancamento de Hérica seguem impunes. Da Polícia, são poucas informações sobre o andamento das investigações para prender os responsáveis pela morte da vítima espancada na avenida José Bastos.


Questionada pelo O POVO Online sobre o caso, a Polícia Civil informou que o 3º Distrito Policial (DP) está à frente das investigações acerca do homicídio. Mais detalhes sobre os trabalhos policiais não foram repassados.


"A equipe policial continua realizando diligências no sentido de elucidar o caso. Informa ainda que mais detalhes sobre as investigações serão repassados no momento oportuno, para não comprometer o andamento dos trabalhos policiais", informou a Polícia Civil por meio de nota.


Cobrança

Familiares e amigos da travesti criticaram a demora na resolução do caso Hérica. A irmã da vítima, Patrícia, cobrou a delegada Lindalva Lima, titular do 3º DP.


"É horrível lidar com isso, triste. A delegada não está indo nem atrás desse caso. Queremos pedir Justiça, se fosse alguém da família dela já tinha resolvido isso", criticou Patrícia.


Próximo da família de Hérica, o coordenador municipal da Diversidade Sexual, Paulo Diógenes, diz que as travestis sofrem de uma situação de invisibilidade na sociedade. O humorista acredita que a discriminação é uma forma de morte social.


"É como se tivessem morrido para a sociedade, a Justiça e a Polícia. É só mais um óbito. Morreram várias (travestis) na José Bastos. É mais uma que não investigam. Não é a primeira assassinada, nem a primeira que não se resolve nada", comentou Paulo Diógenes.


O ex-vereador questiona a agilidade no caso Dandara, em comparação com o de Hérica. A morte da travesti no bairro Bom Jardim ganhou repercussão após o vídeo do crime brutal viralizar nas redes sociais e no aplicativo WhatsApp. Cinco homens foram presos e quatro adolescentes apreendidos suspeitos do crime, enquanto duas pessoas ainda estão foragidas. Governo e Prefeitura chegaram a se manifestar publicamente contra a violência sofrida por Dandara. Após os casos de violência, medidas protetivas a travestis e transexuais foram anunciadas.


"No caso da Dandara, prenderam todo mundo (dois homens ainda estão foragidos). O (caso) da Hérica foi dia 12, a gente não entende o motivo de o da Dandara ter andado tão rápido. A delegada (do 3º DP) não dá uma posição, não tem nada", disse o coordenador da Diversidade Sexual.


O advogado Hélio Leitão presta assistência à família de Hérica Izidório. Ele espera que a Polícia conclua as investigações e prenda os responsáveis. "Acreditamos que a Polícia vá se empenhar para que cheguemos à autoria do crime. Concluídas as investigações, os autos serão encaminhados para a Justiça para que os responsáveis sejam responsabilizados. A família vai se habilitar como assistência da acusação", comentou.

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