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Jornal inglês destaca Fortaleza em 'epidemia de linchamentos' no Brasil

Análise do The Guardian mostrou que pelo menos 173 pessoas foram linchadas no País este ano. Fortaleza é primeira no ranking, com, pelo menos, 14 casos

08:00 | 07/12/2016

Reportagem publicada nesta terça-feira, 6, pelo jornal inglês The Guardian diz que o Brasil luta contra "epidemia de linchamentos". A matéria ressalta o resultado do levantamento feito pelo Datafolha a pedido do Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), que apontou concordância de 57% da população brasileira com a máxima "bandido bom é bandido morto". O mesmo estudo, divulgado em 3 de novembro, revelou que Fortaleza teve o maior número de homicídios dentre as capitais brasileiras, em 2015.
[SAIBAMAIS]

Uma análise do The Guardian indicou que pelo menos 173 pessoas foram mortas em linchamentos no Brasil, em 2016 - uma média de uma morte do tipo a cada dois dias. Em Fortaleza, 14 vítimas foram apontadas, mais do que qualquer outra cidade brasileira.


Assaltos seriam mais da metade das causas apontadas para os linchamentos. Já assassinatos teriam motivado aproximadamente 20% das mortes, enquanto estupros seriam a causa de 7%.

 

%2b Linchamentos não são aleatórios e atingem mais pobres


Das 14 vítimas em Fortaleza, 10 teriam sido mortas por pequenos roubos ou furtos. Uma vítima foi apedrejada e morta em março deste ano pelo roubo de um celular. Menos de 48 horas depois, um jovem foi morto após, supostamente, ter assaltado um ônibus, na Capital.


Entre os dias 19 e 22 de junho, quatro foram mortos por linchamento. Uma mulher de 22 anos foi apredrejada, acusada de roubar um par de chinelos de um comércio, no bairro Jacarecanga. Na Vila Pery, um homem acusado de roubos foi linchado por 30 pessoas, armadas com paus e pedras. O terceiro, suspeito de estar cometendo assaltos no Conjunto José Walter foi morto a tiros, após ser perseguido por um carro. Outro, suspeito de invadir uma casa para estuprar uma mulher, foi morto na Sapiranga por moradores. Tiago, como foi identificado, levou várias pauladas e morreu na hora. Testemunhas prestaram depoimento à Polícia.

 

Ao The Guardian, a Secretaria da Segurança Pública do Ceará se recusou a comentar os dados.

 

Ainda à publicação inglesa, o coordenador do Laboratório de Estudos da Violência da Universidade Federal do Ceará (LEV-UFC), professor César Barreira, disse que "O linchamento é um ato comunitário em resposta ao sentimento de impotência, a caça de uma infecção dentro de um grupo social".


Em entrevista ao O POVO, em junho deste ano, o coordenador do Laboratório de Estudos da Conflitualidade e da Violência da Universidade Estadual do Ceará (Covio-Uece), Geovani Jacó, disse que o uso da violência é uma medida tomada pela população como forma de tentar solucionar urgentemente o problema da violência urbana, encarada como uma "ameaça".


Para o pesquisador, os linchamentos estão associados principalmente à descrença das pessoas nas instituições. "O sentimento de impunidade, a percepção do descontrole do Estado, do policiamento e da Justiça têm levado a população a buscar punir as pessoas que julgam imediatamente responsáveis, movidas pelo grande apelo moral social", afirmou.


Em 2016, O POVO noticiou diversos casos de linchamento em Fortaleza, Quixeramobim, Acaraú, Ipueiras, dentre outros.

Redação O POVO Online

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