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Fotógrafo registra 'cemitério de cágados' em açude seco no interior do Ceará

Fotografias chamam atenção por apresentarem situação crítica do Cedro, um dos 39 açudes do Ceará que estão secos, o que significa que a água está em quantidade mínima e não tem possibilidade de uso

16:35 | 06/12/2016
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Se registro do chão rachado já impressiona, as carcaças espalhadas pelo barro quente dão a dimensão da tragédia. Juntas, formam um verdadeiro cemitério no território antes submerso, em Quixadá. As imagens de cágados mortos, uma das consequências dos cinco anos consecutivos de estiagem no Ceará, foram tiradas pelo fotógrafo Druso Frota, no último mês de outubro, e devem compor exposição.

"Não são imagens bonitas de se ver, mas têm que ser mostradas. A gente aqui em Fortaleza não tem ideia do impacto da seca", afirma o fotógrafo brasiliense. Ele conta que as imagens foram feitas no último dia 9 de outubro, quando ele viajou para fotografar romaria em Canindé.

"Da outra vez, estava muito diferente com o açude seco. Senti um cheiro forte de coisa podre. Eram os cágados em decomposição, e a lama entrando junto com aquela areia seca", narra.

O odor do "cemitério" alcança os pequenos comércios da região, que já tem a pesca e o turismo prejudicados com a falta d'água. "A situação é bem complicada, por isso pretendo expor [as fotografias]. A gente tem que respeitar o meio ambiente porque água é vida", completa Druso.

Primeira grande obra hidráulica moderna da América do Sul, o açude cedro se mantém com 0,2% da capacidade total desde setembro. Além dele, outros 38 açudes no Ceará estão secos, o que significa que a água está em quantidade mínima e não tem possibilidade de uso.

Outros 44 açudes, conforme dados da Companhia de Gestão dos Recursos Hídricos (Cogerh), têm volume morto, em que somente é possível captar o que resta da água com bombas flutuantes.

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Animais
O doutor em ciência e professor do departamento de Biologia da Universidade Federal do Ceará, José Roberto Feitosa, avalia que a evaporação da água causou diminuição dos recursos alimentares dos cágados. "Esses animais dependem da água para sobreviver, e também tem a questão do deslocamento. Eles não conseguiram sair desse ambiente".

Os cágados integram a classe dos quelônios (animais com casco), mas distinguem-se dos jabutis e das tartarugas por habitarem ambientes de água doce, conforme o doutorando em Ecologia pela Universidade Federal de Goiás, Fabrício Rodrigues.

 

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